O DUPLO PROPÓSITO DA CRUCIFICAÇÃOComo é fácil uma idéia não-bíblica tornar-se uma tradição bem enraizada! E como é certo que qualquer tradição não-bíblica distorcerá os nossos pontos de vista e nos impedirá de entender claramente os propósitos e dispensações de Deus!
Um exemplo de uma idéia não-bíblica é a de que os santos do Velho Testamento, e mesmo aqueles vivendo desde Adão até Moisés, eram salvos pela fé na morte de um Cristo vindouro.
Esta idéia, de uma forma ou outra, tem sido repetida tão freqüentemente que veio a ser aceita como uma verdade bíblica, porém é totalmente sem fundamento; de fato, ela é negada definitiva e conclusivamente pelas Escrituras.
Se esta afirmação choca alguns dos nossos leitores, vamos lembrar que tais choques às vezes são necessários para nos levar às Escrituras novamente e examinar as bases das nossas crenças.
Entretanto, não queremos ser mal-interpretados. Concordamos plenamente que agora se sabe que os santos de outrora eram salvos pelos méritos de Cristo. O ponto é que isto não foi manifesto até a devida hora. Os santos, que viviam antes do Calvário, não eram salvos pela fé no sangue derramado de Cristo, como nós somos hoje, porque não foi senão até Paulo que o mundo ouviu o que é chamado de "a palavra da cruz."
Simplesmente porque Paulo declara em I Co.15:3 "Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras", muitos concluíram que os santos do Velho Testamento creram na Sua morte para a salvação, mas isto é colocar na passagem algo que ela não diz; também não há qualquer justificação para esta presunção no próprio Velho Testamento.
O que Paulo está dizendo aqui é simplesmente que a morte de Cristo pelos nossos pecados estava de acordo com as Escrituras, não que a fé na morte de Cristo foi oferecida ou profetizada como um meio de salvação na época do Velho Testamento, e muito menos que os santos do Velho Testamento eram salvos pela fé no sangue derramado.
Além disso, não devemos passar por cima do que Paulo diz sobre este "evangelho... que Cristo morreu por nossos pecados." Ele o chama de "o evangelho que já vos tenho anunciado" e acrescenta "primeiramente vos entreguei o que também recebi."
A sua apresentação da cruz era parte da revelação especial que lhe foi dada pelo Senhor glorificado e era distinta daquela que os doze tinham pregado, mas não entrou em conflito com ela – mas, em vez disso, estava de acordo com as Escrituras proféticas.A CRUCIFICAÇÃO E PROFECIA
É muito difícil impedir que a maioria dos estudantes da Bíblia antecipe as revelações. Eles colocam as epístolas de Paulo no Velho Testamento, como se Abraão e Moisés e Davi entendessem o que mais tarde foi revelado acerca de Cristo.
Abraão
Alguns apontarão, por exemplo, João 8:56 como prova de que Abraão entendia sobre Cristo e a Sua obra terminada. Citaremos o versículo:
"Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se."
Esta passagem não diz, nem insinua, que Abraão entendia alguma coisa sobre a obra terminada de Cristo e esta idéia não deve ser subentendida ou colocada na passagem.
Mas, argumentam, que quando Abraão e outros ofereceram sacrifícios de sangue deveriam ter entendido que estes sacrifícios eram tipos de Cristo. A nossa resposta novamente é que isto é colocar idéias nas Escrituras, porque a Palavra em si não fala nada sobre isto. Procure e veja.Moisés
Em uma série de discussões sobre esta questão um pastor perguntou ao escritor se era possível que Deus tivesse dado a Moisés todas as instruções para a construção do tabernáculo com sua grande "porta", seus altares de bronze e ouro, sua pia, suas lâmpadas douradas e mesa com pães da propiciação, suas cortinas finas, e seu arco da aliança, sem explicar que estas coisas eram símbolos da pessoa e obra de Cristo. Respondemos que não era somente possível, mas que era muito evidente pelo registro.
Uma vez que ele acreditou que Deus naquela época revelou o significado típico destas coisas, pedimos que ele desse uma referência para provar o seu ponto. O pastor ficou calado porque ele não tinha nenhuma referência para dar como prova, porém, se o seu argumento tivesse sido correto, deveríamos esperar encontrar Deus explicando a Moisés como cada peça nova da mobília falava do Cristo vindouro. Mas, em vez disto, o silêncio quanto a isto é profundo e contínuo.Os Profetas
Outro pastor perguntou se não era evidente que os profetas entendessem as profecias, desde que nas suas próprias escritas encontramos tais passagens como Isaías 53. Respondemos que está claro que não entendiam.
Isaías 53 é uma declaração profética. Ele escrevia enquanto era movido pelo Espírito Santo e não entendia necessariamente o que ele escrevia. De fato, I Pe.1:10-11 afirma claramente que os profetas não entendiam as suas próprias profecias relacionadas com os sofrimentos e glória de Cristo. Lá, nós lemos que eles "INQUIRIRAM E TRATARAM DILIGENTEMENTE."
"Indagando QUE TEMPO ou QUE OCASIÃO DE TEMPO o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir."
Veja bem: eles não somente inquiriram e procuravam quanto ao tempo no qual estas coisas deveriam acontecer, mas também O QUE o Espírito que estava neles significava quando testificou de antemão os sofrimentos de Cristo e a glória que deveria seguir.
Algo pode ser mais claro? De acordo com esta passagem eles não sabiam o que o Espírito significava pelas profecias dos sofrimentos e glória de Cristo, e era-lhes dito que não podiam saber, uma vez que eles estavam ministrando para uma geração futura. (Veja o v.12).
Mas vamos pausar aqui para considerar Isaías 53, porque daqui em diante o propósito profético da crucificação fica constantemente mais claro.Isaías Cinqüenta e Três
"Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (Is.53:6).
Algum tempo atrás ouvimos um querido obreiro cristão comentar sobre a passagem acima: "Se você entrar no primeiro 'todos' você pode sair no último", explicando que "todos" significava "todo mundo" e que enquanto todos tinham se desgarrado, graças a Deus que Cristo morreu por todos.
É verdade que AGORA podemos dizer que Deus, na Sua graça, colocou todas as nossas iniqüidades sobre Cristo, mas, ensinar que Isaías nesta passagem realmente se referiu à se colocar os nossos pecados sobre Cristo, sem dúvida seria uma explicação muito pobre, porque só um olhar por cima do contexto revelará que ele falava exclusivamente como um profeta hebraico. Quando ele diz "Todos nós andávamos desgarrados", o intérprete justo e cuidadoso das Escrituras perguntará "Todos quem?" A resposta clara será encontrada não somente na profecia como um todo, mas até no contexto imediato, porque no versículo 8 ele torna claro que ele se refere à sua própria nação quando ele diz:
"Pela transgressão do MEU POVO foi ele atingido."
Além disso, não se pode passar por cima do tom de Isaías 53 tão facilmente. O profeta não oferece a salvação através do Crucificado como é a nossa alegria hoje. Pelo contrário, ele começa com um tom de desapontamento. Quem acreditará na sua pregação? "Renovo... raiz duma terra seca; não tinha parecer nem formosura... nenhuma beleza... para que o desejássemos... desprezado... indigno entre os homens... homem de dores e experimentado nos trabalhos." Quem acreditaria que alguém assim seria o Salvador de Israel por tanto tempo prometido? "Mas," continua o profeta, "o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Nós somos os culpados, mas como um cordeiro, foi levado ao matadouro por nós. Mas Deus O recompensará e Ele ainda verá resultados gloriosos da Sua submissão humilde." Esta passagem é típica das profecias do Velho Testamento. O profeta salienta que quando o Messias vier, será rejeitado e morto – tomando a culpa por eles, mas isto ainda é bem diferente de proclamar a fé nos méritos da sua morte como o caminho da salvação. Se Isaías tivesse entendido isto como agora nós o entendemos, o seu livro certamente estaria cheio destas coisas.
A profecia de Isaías está de acordo com o propósito de Deus na crucificação. Como um cordeiro, o Messias se submeteria à crueldade de Seu povo a fim de que um dia a nação, condenada por aquele assassinato cruel e comovida com a Sua submissão mansa a esta morte, pudesse vir a Ele.
Uma passagem semelhante é encontrada em João 11:47-52, onde o sumo sacerdote incrédulo, sentindo que estava na hora de falar claramente sobre Cristo, zombou do conselho por sua hesitação dizendo:
"Vós nada sabeis, Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação" (v.49-50).
É bem claro o que Caifás queria dizer com isto. "Se Ele é inocente ou não, não importa," ele raciocinou, "Precisamos nos livrar Dele ou a nação inteira perecerá."
A parte estranha lemos nos próximos dois versículos:
"Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, PROFETIZOU QUE JESUS DEVIA MORRER PELA NAÇÃO.
E NÃO SOMENTE PELA NAÇÃO, MAS TAMBÉM PARA REUNIR EM UM CORPO OS FILHOS DE DEUS, QUE ANDAVAM DISPERSOS" (v.51-52).
Sim, Caifás falou por ele mesmo e por Deus aquele dia. Embora Cristo fosse inocente, Caifás e Deus propuseram que Ele deveria ser morto para o bem da nação. Entretanto, era uma injustiça cruel para Caifás fazer isto, enquanto que para Deus era misericórdia abundante.
Na mesma categoria achamos também João 1:29.
Existem muitos que supõem que João pregou o evangelho da graça de Deus e a salvação através do sangue por causa da sua afirmação:
"Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo."
Se isto é verdade, por que ele pregou "o batismo de arrependimento, para a remissão dos pecados"? (Mc.1:4). E por que ele se recusou a batizar os fariseus por eles não produzirem frutos dignos de arrependimento? (Veja Mt.3:7-10). Este era o evangelho da graça de Deus?
Agora sabemos que é impossível produzir frutos dignos a menos que já tenhamos recebido a remissão dos pecados. Se João soubesse o que nós agora sabemos sobre a cruz, a sua mensagem inteira certamente teria sido muito diferente, mas Deus estava então no processo de demonstrar que o homem não pode produzir frutos dignos à parte da graça de Deus. Foi para isto que a Lei foi dada.
O que, então, João queria dizer com a sua declaração sobre o Cordeiro de Deus? Ele queria dizer exatamente o que Isaías e os profetas antes dele queriam dizer.
Não se esqueça de que o próprio Senhor tinha aparecido no meio daqueles que tinham vindo para o batismo de João confessando seus pecados. Lá estava Ele, enumerado com os transgressores, e embora João se "opusesse" a Ele, dizendo que ele, João, deveria ser batizado e não Cristo, o Senhor insistiu. Embora não tivesse pecado, ali Ele tomou a culpa do pecado sobre si mesmo. Por isso João salienta que o Manso, o Cordeiro de Deus, está tirando o pecado do mundo.Os Doze Apóstolos
Que João Batista não viu em sua própria afirmação inspirada o que nós agora vemos, fica talvez melhor provado indo-se para o registro da primeira proclamação de nosso Senhor sobre o Seu sofrimento e morte.
"E, tomando consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém e se cumprirá no Filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito;
Pois há de ser entregue às gentes, e escarnecido, injuriado e cuspido;
E, havendo-o açoitado, o matarão; e ao terceiro dia ressuscitará.
E ELES NADA DISTO ENTENDIAM, E ESTA PALAVRA LHES ERA ENCOBERTA, NÃO PERCEBENDO O QUE SE LHES DIZIA" (Lc.18:31-34 e cf Mt.16:21).
Agora considere a inconsistência da idéia de que Abraão, Moisés, os profetas e João Batista entendiam e ensinavam o plano de salvação de Deus através da fé no sangue de Cristo, quando os doze, os quais o próprio Senhor tinha apontado para pregar o evangelho do reino (Lc.9:1-6), não entendiam, depois de aproximadamente dois anos de pregação, que Cristo iria morrer, um fato que os profetas, como já vimos, tinham claramente profetizado.
Se é verdade que os crentes antes do Calvário foram salvos crendo na morte de um Cristo vindouro, é possível que com toda esta riqueza e experiência, os apóstolos de Cristo nem soubessem que Ele iria morrer? De fato, se a fé naquela morte tivesse sido necessária o tempo todo para a salvação, nosso Senhor teria escolhido tais homens para proclamar o evangelho para Ele?
Seja o que for que agora vemos na declaração de João, vamos lembrar isto – se o próprio João queria que isto fosse uma profecia da morte de Cristo ele certamente entendia muito mais que os próprios apóstolos que estavam com Cristo e que tinham sido autorizados por Ele para pregar o evangelho do reino, porque com uma ênfase tríplice a Palavra de Deus insiste em que eles não tinhama menor idéia que Ele iria ser morto.Pedro Em Pentecostes
Muitos crentes consideram a cruz como a grande linha divisória e supõem que depois dela a fé na morte de Cristo certamente deveria ter sido proclamada para a salvação, mas isto não é verdade, porque não é senão até Paulo que a cruz é proclamada como o grande reparo para o pecado.
Na discussão mencionada acima o nosso oponente disse: "Certamente você concordará que Pedro em Pentecostes pregou o evangelho da graça de Deus!"
Negamos isto enfaticamente, perguntando-lhe o que era o evangelho da graça de Deus. "Bem", ele respondeu, "simplesmente que nós somos pecadores, que Cristo morreu pelos nossos pecados e que se confiarmos Nele como nosso Salvador, Deus nos aceita pela graça, através da fé."
Então lhe perguntamos se este era o plano e salvação que Pedro ofereceu em entecostes. Ele ficou surpreso por fazermos esta pergunta, mas quando o pressionamos para dar uma prova das Escrituras, ele procurou em vão por ela.
Sim, Pedro em Pentecostes falou da cruz, mas como? Ele culpou os seus ouvintes pela crucificação de Cristo, procurando trazê-los à convicção e confissão. (Veja Atos 2:23-36 e cf 3:13-15, 4:10-11, 5:28-31). Quando eles clamaram, "Que faremos?" o apóstolo disse-lhes o que era exigido.
"E disse-lhes Pedro: ARREPENDEI-VOS, E CADA UM DE VÓS SEJA BATIZADO EM NOME DE JESUS CRISTO, PARA PERDÃO DOS PECADOS; E RECEBEREIS O DOM DO ESPÍRITO SANTO" (At.2:38).
Isto tudo estava em harmonia com o propósito profetizado de Deus na morte de Cristo. De fato, não é senão até que Israel, como uma nação, confesse a sua culpa na crucificação, que ela será salva.
Vamos ver o que o profeta Zacarias diz sobre isto:
"E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.
Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém...
E a terra pranteará...
...cada linhagem à parte, e suas mulheres à parte" (Zc.12:10-14).
Aqui encontramos o propósito profético da crucificação cumprida na conversão de Israel. Face a face com o seu Messias e finalmente convictos de sua culpa nacional, a sua vergonha será tão grande que não desejarão olhar na cara um do outro. Cada um procurará um lugar para prantear em amargura sozinho, "cada linhagem à parte, e suas mulheres à parte."
"E se alguém lhe disser: Que feridas são essas nas tuas mãos? Dirá ele: São as feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos" (Zc.13:6).
Portanto, a crucificação terá realizado o que a revelação de Cristo em glória, à parte da crucificação, nunca podia ter realizado, porque os seus corações serão comovidos e mudados.Como Foram Salvos Os Patriarcas
Antes de considerar a cruz à luz do mistério revelado a Paulo, vamos olhar brevemente para a salvação daqueles que viviam antes que ele fosse escolhido para entregar a dispensação da graça de Deus.
Se a nós fosse perguntado: "como os antigos alcançaram testemunho?", responderíamos: "Pela fé." Se a nós ainda fosse perguntado: "Pela fé em quem e o que?" responderíamos: "Pela fé em Deus e Sua Palavra." Que os santos de outrora eram responsáveis por acreditarem somente no que lhes tinha sido revelado, é um raciocínio são e é abundantemente confirmado pelas Escrituras. Hebreus 11 nos diz exatamente como vários indivíduos entre eles foram salvos. Exemplos:
Hb.11:4, "Pela fé ABEL ofereceu a Deus MAIOR SACRIFÍCIO do que Caim, PELO QUAL alcançou testemunho de que era justo, dando DEUS TESTEMUNHO DOS SEUS DONS, e por ela, depois de morto, ainda fala."
Hb.11:7 "Pela fé NOÉ, divinamente avisado das coisas que ainda se não viam, temeu, e, para salvação da sua família, PREPAROU A ARCA, PELA QUAL condenou o mundo, e FOI FEITO HERDEIRO DA JUSTIÇA QUE É SEGUNDO A FÉ."
E Abraão?
"Pois, que diz a Escritura? CREU ABRAÃO A DEUS, E ISSO LHE FOI IMPUTADO COMO JUSTIÇA" (Rm.4:3).
Mas vamos à passagem citada aqui, ver no que foi que Abraão creu. Deus lhe disse que Cristo viria para morrer por ele? Certamente que não.
"Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua semente.
E CREU ELE NO SENHOR, E FOI-LHE IMPUTADO ISTO POR JUSTIÇA" (Gn.15:5-6).
Mesmo para João Batista – e até mesmo para Pedro em Pentecostes (não incluindo suas epístolas, é lógico), o propósito secreto de Deus na cruz ainda permanecia escondido, porque como já vimos, João e Pedro proclamavam arrependimento e batismo, não os méritos da cruz, para a remissão dos pecados.A Crucificação E O Mistério
Meu amigo crente, como você foi salvo? Alguém o culpou por sua parte na crucificação de Cristo? Poderíamos ter sido culpados, porque os nossos pecados também ajudaram a pregá-Lo ali. Mas não foi assim que fomos salvos; também não nos mandaram fazer alguma coisa para nos livrar da culpa daquela morte. Não, foi quando, convictos dos nossos pecados, alguém veio com as boas novas de que Cristo morreu pelos nossos pecados, que fomos salvos.
Que revelação temos ao ver a cruz à luz das epístolas paulinas! Agora, subitamente, se torna um objeto de glória – algo para regozijar! Cantamos sobre isto nas nossas igrejas e enviamos missionários para terras pagãs para contar aos perdidos à respeito disto.O Segredo Das Boas Novas
De acordo com a revelação de nosso Senhor glorificado a Paulo, a cruz é a base para a dispensação da graça de Deus. Através de seus méritos Deus pode conceder de modo justo as riquezas extraordinárias de Sua graça sobre o pior pecador que as aceita pela fé,
"Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rm.3:24).
"Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça" (Ef.1:7).
Na cruz situa-se "o mistério do evangelho (boas novas)" (Ef.6:19).
Quando Deus disse ao Seu povo que o oferecimento de sacrifícios de sangue os admitiriam à Sua presença, isto era o evangelho – as boas novas. Quando Ele os convidou para "arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado... para o perdão dos pecados" isto também eram boas novas. Mas qual foi o segredo destas boas novas? Como Deus podia fazer tais termos, de modo justo, para a salvação?
Certamente "é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados" (Hb.10:4), nem tão pouco oceanos de água tirar um pecado. O segredo está no que Deus iria realizar no Calvário.
E agora que o principal dos pecadores foi salvo, também foi demonstrado o que foi realizado no Calvário; Deus não proclama mais o arrependimento e batismo para a remissão dos pecados como em Pentecostes. "Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado" (I Co.13:10). Agora Paulo, o grande exemplo da graça, declara que é sua a comissão dada por Deus para proclamar a justiça de Cristo para a remissão dos pecados, para ser recebida unicamente pela fé no sangue derramado.
"Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a SUA JUSTIÇA PELA REMISSÃO DOS PECADOS dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça NESTE TEMPO PRESENTE, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm.3:25-26).
A crucificação de Cristo, então, possui o segredo da salvação dos santos das épocas passadas tanto quanto o derramamento da graça de Deus neste presente século mau.As Boas Novas Do Segredo
Há uma diferença entre o segredo das boas novas e as boas novas do segredo, embora estas duas expressões estejam muito relacionadas.
Não foi até o apóstolo Paulo que Deus revelou como Ele poderia levar as boas novas de salvação para aqueles de épocas passadas, assim, não foi até Paulo que Ele torna conhecido as melhores novas de todas – Seu propósito eterno e secreto para responder à rebelião do mundo contra o Seu Filho oferecendo aos Seus inimigos a reconciliação pela graça através da fé, assim formando o Corpo de Cristo, a Igreja desta época. E neste plano novamente a cruz possui o lugar central.
"E PELA CRUZ reconciliar ambos (judeus e gentios) com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades" (Ef.2:16).
"A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou.
NO CORPO DA SUA CARNE, PELA MORTE, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis" (Cl.1:21-22).
"Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, CRAVANDO-A NA CRUZ" (Cl.2:14).Nossa Glória
"Havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz" (Cl.1:20).
"Matando com ela as inimizades" (Ef.2:16).
Isto não é estranho e maravilhoso? Poder-se-ia supor que a cruz teria quebrado a paz e feito a inimizade entre o homem e Deus. E falando profética e nacionalmente, foi isto que aconteceu. Veja Jeremias 25:31; Oséias 4:1, 12:2 e Miquéias 6:2, como Deus tem uma controvérsia com as nações e especialmente com a Sua própria nação, e esta controvérsia não será resolvida até que a cruz seja arrependida. Era apenas no propósito secreto e graça de Deus para com um mundo de pecadores individuais que a cruz deveria matar a inimizade e selar a nossa paz.
Em Pentecostes, a crucificação foi considerada um assunto de vergonha e Pedro chamou a sua nação para arrepender-se do horrível crime. Porque Israel não queria se arrepender, a nação agora foi lançada fora da presença de Deus.
Mas aí vem Paulo se gloriando na cruz e proclamando-a como o remédio glorioso para a terrível doença do homem. Ouça-o clamar:
"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?
Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
Mas NÓS PREGAMOS A CRISTO CRUCIFICADO, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.
Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus" (I Co.1:18, 20, 22-24).
De fato, esta revelação da cruz eliminou todas as obras humanas para a salvação e, com isto, toda a glória humana.
Agora a salvação é: "ÀQUELE QUE NÃO PRATICA, MAS CRÊ" (Rm.4:5). "ONDE ESTÁ LOGO A JACTÂNCIA? É EXCLUÍDA" (Rm.3:27).
Só temos a cruz para nos gloriarmos! E nisto vale a pena gloria! Que justiça perfeita foi manifesta, porém, que amor infinito! Que sabedoria insondável! Que poder sem limite!
Não é de se maravilhar que o apóstolo clame: "Deixa que os outros se gloriam na carne",
"MAS LONGE ESTEJA DE MIM GLORIAR-ME, A NÃO SER NA CRUZ DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, PELA QUAL O MUNDO ESTÁ CRUCIFICADO PARA MIM E EU PARA O MUNDO" (Gl.6:14).________________________________________________________________________