Capítulo I — I Tessalonicenses 1:1-10

PAULO E OS CRENTES DE TESSALÔNICA

UMA IGREJA MODELO

"Paulo e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus, o Pai, e no Senhor Jesus Cristo: graça e paz tenhais de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações.
Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho da caridade, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai.
Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus."

— I Tessalonicenses 1:1-4


A SAUDAÇÃO

Em ambas as cartas aos crentes de Tessalônica Paulo dirige-se a eles junto com outros (Silas e Timóteo), mas isto também não é estranho, porém, estas duas cartas são as únicas nas quais ele se dirige a seus leitores meramente como "Paulo", sem qualquer título descritivo.

Provavelmente existem várias razões para isto. Aparentemente não havia sérios problemas em Tessalônica para complicar as coisas, e ele não precisou ser cauteloso na maneira com que ele se lhes dirigia. Ninguém, evidentemente, questionou a sua autoridade apostólica, como alguns o fizeram mais tarde em Corinto e nas igrejas da Galácia. Não havia nenhuma heresia a combater como em Colossos, nem tampouco qualquer divisão como em Filipos. Além do mais, Paulo e os santos da Tessalônica tinham passado por muitas perseguições juntos, e isto naturalmente faria com que se tornassem íntimos, uma intimidade que outros talvez não tivessem com ele.

Quanto à sua saudação aqui em I Ts.1:1, levou muitos anos antes que este escritor compreendesse o seu verdadeiro significado. Ele havia pensado nela somente como uma linda saudação espiritual, quando de fato é muito mais do que isto.

Estas palavras não são apenas uma saudação, são uma declaração oficial de Paulo como um embaixador do Pai e de Seu Filho rejeitado. "Graça e paz tenhais de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo": este era o tema da mensagem que ele foi enviado a proclamar.

De acordo com a profecia o Pai iria vingar-se da rejeição de Seu Filho (Veja Sl.2:1-5, 110:1), mas em graça infinita Ele interrompeu o programa profético, adiando o julgamento e dando entrada à "dispensação da graça de Deus", oferecendo a Seus inimigos em todo lugar uma anistia, sim, a "remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça" (Ef.1:7).

Portanto a declaração: "Graça e paz tenhais de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo", aparece nas palavras de abertura de cada uma das epístolas de Paulo assinadas por seu nome. E a graça e paz devemos ainda proclamar para todos os homens. (1)

MOTIVO PARA AÇÕES DE GRAÇAS

Os crentes de Tessalônica tinham dado a Paulo um grande motivo para ações de graças. Eles tinham sofrido muita perseguição e tinham permanecido verdadeiros. (2) E aqui os santos de Filipos merecem o crédito por seu encorajamento dos jovens crentes, porque enquanto Paulo ainda estava com os tessalonicenses, os filipenses, tendo ouvido das perseguições que estavam passando, mandou delegações "uma e outra vez" para ajudar Paulo, e a eles, no trabatrabalho que estavam querendo realizar (Fp.4:16). Os filipenses também sabiam o que era perseguição; por isso deve ter sido encorajador para os santos de Tessalônica ter emissários de Filipos que apareciam em seu meio de vez em quando para ajudá-los e encorajá-los. Deste modo, criou-se uma grande afeição entre Paulo e estas igrejas e isto é relatado nas suas cartas a elas (cf. Fp.1:3-5; I Ts. 1:2-4).

"Sempre damos graças a Deus por vós todos". Quando o Apóstolo pensava neles ele agradecia a Deus por eles – e mencionava-os em suas orações: "Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho da caridade, e da paciência da esperança" (v.3). De fato, era a possessão destas três graças cristãs que assegurou-lhe que verdadeiramente "a vossa eleição é de Deus" (3) (v.3-4).


OS SANTOS DE TESSALÔNICA
E O EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS

"Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza; como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós.
E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo.
De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedônia e Acaia.
Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e Acaia, mas também em todos lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma;
Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para covosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus para servir o Deus vivo e verdadeiro.
E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura".
— I Tessalonicenses 1:5-10


O PODER DA MENSAGEM DE PAULO

Deve-se observar que não há palavra alguma sobre qualquer milagre realizado entre os tessalonicenses. Ao invés disso, o poder manifesto era aquele associado com a pregação da Palavra de Deus, ou mais especificamente: "o evangelho da graça de Deus" que Paulo proclamava.

No v.5 ele enfatiza, como ele faz em tantos outros lugares, que era o seu evangelho que tinha sido proclamado a eles "em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza". Isto é clara evidência que At.17:2-3 não ensina que Paulo, nem naquela época ou em qualquer outra, pregava o "evangelho do reino". Ele meramente provou-lhes que o Jesus crucificado era o Messias prometido, porque, de que maneira eles O aceitariam como seu Salvador se não acreditassem que Ele era o Messias, mas um impostor?

E agora ele lhes chama a atenção quanto à sua conduta entre eles, porque continua:

"...como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós" (v.5).

Esta é a primeira de sete frases em 1:5 a 2:11, nas quais ele lhes lembra que eles sabem como ele se conduziu entre eles. Em seqüência estas frases leriam da seguinte forma:

"...como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós... Porque vós mesmos, irmãos, bem sabeis que a nossa entrada para convosco não foi vã... Mas, havendo primeiro padecido, e sido agravados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de nosso Deus com grande combate... Porque, como bem sabeis, nunca usamos de palavras lisonjeiras, nem houve um pretexto de avareza... Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga: pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus... Vós e Deus sois testemunhas quão santa, e justa, e irrepreensivelmente nos houvemos para convosco, os que crestes... Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos" (I Ts.1-5 —2:11).

Certamente Paulo e seus companheiros não tinham trabalhado entre os tessalonicenses para a sua própria vantagem. O Apóstolo podia desafiá-los tão sinceramente como fizera mais tarde com os crentes de Corinto, quando perguntou-lhes: "Porventura aproveitei-me de vós... Porventura Tito se aproveitou de vós?" (II Co.12:17-18). De fato, a passagem acima lembra-nos de suas palavras aos anciãos de Éfeso quando ele desafia a estes:

"De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestido.

Vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos (4) me serviram" (At.20:33-34).

Este tipo de conduta tinha ganho muito respeito para Paulo entre estes irmãos, aos quais tinha ministrado. E suas palavras mostram que reconhecia como seria um desrespeito traçar um curso contrário de comportamento. Por isso ele escreveu os avisos urgentes a Timóteo e Tito sobre os perigos de usar o ministério para o ganho próprio.

Como precisamos de ministros do evangelho, hoje, que preguem a Palavra "bem manejada" (corretamente dividida) e "em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza" – e cujas vidas são testemunha à verdade de sua mensagem! Como um ministério deste tipo falhará em dar fruto?

IMITADORES DE PAULO E DE CRISTO

Apenas o Apóstolo Paulo, além de Cristo, diz repetidamente: "Sede meus imitadores" (ver I Co.4:16, 11:1; Fp.3:17). Isto acontece porque, diferentemente dos doze, ele representava o Senhor glorificado ao proclamar um novo programa e uma nova mensagem, isto é, "a dispensação da graça de Deus" (Ef.3:2) e "o evangelho da graça de Deus" (At.20:24). Estes foram confiados a ele "pela revelação" para proclamar aos outros (Ef.3:1-3).

Os salvos de Tessalônica tinham se tornado seguidores de Paulo, e assim do glori- ficado Senhor, em três aspectos, como demonstrado em vs.6-8:

1) Eles receberam "a Palavra" que Paulo proclamou (veja "nosso evangelho" em v.5).

2) Eles suportaram "muita tribulação, com gozo do Espírito Santo".

3) Eles, então, tornaram-se exemplos da fé e conduta cristã para todos os salvos na Macedônia, Acaia e em lugares mais longe ainda. Dos crentes em Roma, Paulo podia dizer: "Em todo o mundo é anunciada vossa fé" (Rm.1:8), e aqui, aos santos de Tessalônica, ele já podia dizer:

"Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e Acaia, mas também em todos lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma" (I Ts.1:8).

Paulo não precisou dizer aos outros as notícias sobre Tessalônica; onde quer que ele fosse os outros estavam lhe dizendo!

Crer em Cristo e testemunhar por Ele era perigoso em Tessalônica naquela época. Observe: eles tinham recebido "a Palavra em muita tribulação" (v.6). E referindo-se às perseguições na Judéia, o Apóstolo diz: "porquanto também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles" (2:14), e então ele continua a descrever a intensidade do ódio que estava sendo manifestado contra todos os crentes verdadeiros em Cristo.

Mas esta aflição e perseguição não impediram a expansão do evangelho. Freqüentemente é quando tudo está indo bem que os santos se tornam complacentes.

Em Beréia a mensagem de Paulo foi primeiro recebida com cautela, e depois zelosamente, com o resultado que "creram muitos deles". Por causa da atitude deles em relação à pregação de Paulo, foram chamados de "nobres". Eles eram membros da aristocracia de Deus. Mais tarde a perseguição veio de fora, mas parece que receberam pouca ou nenhuma oposição ao receber o evangelho.

Em contraste, a maioria na sinagoga em Tessalônica opôs-se amargamente à mensagem de Paulo e perseguiu violentamente a minoria que a tinha aceita como sendo a verdade de Deus. Mas o Apóstolo escreve que eles tinham recebido "a Palavra em muita tribulação com gozo do Espírito Santo" (v.6). A perseguição não tinha destruído esta alegria; tinha ajudado a produzi-la (At.5:41). E desta maneira foi realizado mais em Tessalônica, evidentemente, do que em Beréia.

O evangelho pode ser bem recebido, mas o fruto adicional pode estar faltando. Os "nobres" bereanos quase não são mencionados outra vez, enquanto que Paulo mandou Timóteo de volta à Tessalônica para encorajar os crentes perseguidos de lá. Também escreveu-lhes duas vezes e demonstrou grande interesse e preocupação sobre o sofrimento e ministério deles como uma igreja local.

Aqui também, os crentes de Tessalônica são um exemplo importante para nós. Quantos crentes saem das reuniões de suas igrejas elogiando o pastor por uma maravilhosa mensagem da Palavra, mas falham em seguir o exemplo dele, falando aos outros da graça salvadora de Cristo. Cristo pôde morrer para trazer-lhes a salvação pela graça e o pastor pode trabalhar arduamente e sacrificar e sofrer para proclamá-la. Eles gostam da pregação dele e dizem: "Não é maravilhoso?" mas continuam a viver para si, fazendo pouco ou nada para alcançar os perdidos para Cristo.

Que cada leitor pergunte a si mesmo: O que eu estou fazendo para alcançar os outros com as riquezas da graça de Deus? A mensagem da graça de Deus está sendo espalhada por mim? Talvez o leitor esteja pensando: "Mas eu não posso pregar." Então certamente você pode pedir a Deus por fidelidade para testemunhar aos outros. Ou será que é muito tímido para ser um testemunho da bondade de Deus? Mesmo assim, ainda pode fazer alguma coisa: entregar ou enviar folhetos de evangelismo e literatura de estudo bíblico. O custo para realizar isto não será grande e a sua vida será enriquecida enquanto você toma parte na proclamação da mensagem da graça.

"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (I Co.15:58).

CRER, SERVIR E ESPERAR

"...dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro.
E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura" (I Ts.1:9-10).

Na passagem acima novamente encontramos as três marcas da verdadeira salvação: fé, esperança e amor. Dos tessalonicenses, Paulo diz: "dos ídolos vos convertestes a Deus" (Isto é fé); "para servir o Deus vivo e verdadeiro" (Isto é amor); "E esperar dos céus a seu Filho" (Isto é esperança). Uma linda combinação: crer, servir e esperar!

Primeiro, os santos da Tessalônica tinham feito o seguinte: "dos ídolos vos convertestes a Deus". Eles não aceitaram Deus como um de seus deuses, nem mesmo como o maior deles. Eles se converteram (viraram) a Deus – "o Deus vivo e verdadeiro" – "dos ídolos". Na mesma hora em que se viraram a Deus, deixaram seus ídolos.

Compare isto com a igreja professante, hoje. Veja que mistura temos de cristanda- de com idolatria pagã e superstição! Esta condição prevalece desde a época primitiva da história da Igreja.

Os primeiros crentes foram perseguidos ferozmente pelo mundo pagão à sua volta – e isto fez-lhes bem, espiritualmente. Fez com que orassem mais e se apoiassem mais em Deus. Deu-lhes uma apreciação mais profunda do que tinham em Cristo. Manteve-os separados do mundo. E as próprias perseguições os fez fortes "no Senhor e na força do seu poder" (Ef.6:10) – uma vantagem enorme quando consideramos que a autocon-fiança é nada quando comparada com a confiança em Deus.

Mas subitamente, no quarto século, sob o Imperador Constantino, a perseguição cessou. Com a conversão professa do Imperador a Cristo, o paganismo era apenas tolerado e a lei ordenou a propagação da religião cristã. Portanto, a cristandade, agora popular, prevaleceu em todo lado. Constantino presenteava os crentes com presentes valiosos. Empregava crentes proeminentes no governo, deu aos crentes magníficas basílicas romanas e enormes templos pagãos com amplos recursos financeiros, para serem usados como locais de reuniões. Removeu todas as estátuas de deidades roma- nas das basílicas e substituiu-as por estátuas de Cristo e Seus apóstolos. De fato, ele favoreceu os crentes em tantas maneiras que tornou-se popular ser um crente.

Mas favorecer meramente a cristandade não acabou com a idolatria pagã e su- perstição. De fato, até hoje o paganismo persiste na "Igreja", especialmente na Igreja Católica Romana. Hoje em dia, o máximo de forma e ritual e o mínimo de realidade espiritual prevalece na Igreja professante; o máximo de superstição cega e o mínimo de fé inteligente, o máximo de opinião humana e o mínimo da verdade de Deus.

Sob Constantino os crentes foram postos, é lógico, em uma posição comprometedora. Eles não podiam falar com a mesma convicção e assim perderam muito da força do Espírito em sua pregação. Eram poucas as exceções que ousavam se impor pela verdade como representantes de Deus.

A Lei de Deus é muito explícita em condenar a idolatria de qualquer forma, porém muitos, especialmente da Igreja de Roma, curvam-se diante de imagens – em nome da cristandade! Milhões, assim, são impedidos de conhecer Cristo, sendo "levados aos ídolos mudos" (I Co.12:1).

Deve ser notado, entretanto, que os tessalonicenses não tinham sido induzidos a se virarem de seus ídolos a Deus. Em vez disso eles se converteram a Deus (v.9). Paulo veio a eles, não pregando contra a idolatria, mas proclamando o maravilhoso "evangelho da graça de Deus", e enquanto eles responderam e se viraram a Deus naturalmente deixaram seus ídolos.

Não peça à uma criança para por de lado um brinquedo qualquer que ela estime. Mas ofereça-lhe uma coisa melhor! Ofereça um brinquedo novinho e brilhante, tal como um caminhão ou uma boneca, e ela colocará de lado o primeiro brinquedo sem pensar duas vezes.

E nós também não estamos, ao pregar aos perdidos, tentando fazer com que eles deixem seu estilo de vida. Em vez disso, proclamamo-lhes "o evangelho da graça de Deus" e a fé em Cristo como Aquele que pagou a penalidade de seus pecados. É assim que os homens são salvos e se viram de seus ídolos a Deus.

Então, conhecendo-O, será natural desejar "servir o Deus vivo e verdadeiro". Paulo freqüentemente ficava cansado e desanimado em seu serviço para Cristo, mas ele não podia parar. O amor infinito de Cristo – por ele e por um mundo perdido – levou-o para frente tão sem resistência quanto a maré do oceano. Veja as suas próprias palavras sobre o assunto:

"Porque, se enlouquecêmos, é para Deus; e, se conservamos o juízo, é para vós.
Porque o amor de Cristo nos constrange (5) ..." (II Co.5:13-14).

Mas não era o amor de Paulo por Cristo que o constrangeu? Ah, amplamente enquanto ele demonstrava seu amor por Cristo, isto era apenas uma mera reflexão do amor de Cristo por ele, e por um mundo perdido. Portanto ele diz que "o amor de Cristo nos constrange...". E assim nós dizemos que tendo virado dos ídolos é uma coisa natural desejar "para servir o Deus vivo e verdadeiro". Como é triste a sina de milhões de pessoas que "fazem boas obras" para ganhar o favor de Deus! Eles entenderam tudo de trás para frente:

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.
NÃO VEM DAS OBRAS, para que ninguém se glorie.
Porque somos feitura sua, criados em Cristo PARA AS BOAS OBRAS, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" (Ef.2:8-10).

Finalmente, o Apóstolo indica que, enquanto os crentes de Tessalônica serviam o "Deus vivo e verdadeiro", eles esperavam, ou estavam esperando Seu Filho vir dos céus (v.10).

Cronologicamente, esta é a primeira afirmação escrita da caneta de Paulo em relação a vinda iminente de Cristo para os seus, e demonstra o fato de que o arrebatamento da Igreja faz parte da mensagem especial dada (I Co.15:51-52) e proclamada por ele mesmo no início de seu ministério.

Os profetas de outrora tinham predito a volta de Cristo para julgar e reinar. A Sua vinda por nós, entretanto, não será associada com julgamento, mas com graça. Não estaremos aqui quando a ira de Deus for derramada sobre a terra, porque antes daquela hora nós já teremos sido arrebatados para estarmos com Cristo que "nos livra da ira futura" (v.10). Esta mesma epístola claramente afirma que "nós, os que ficarmos vivos" (isto é, até a vinda do Senhor para nós), junto com aqueles que foram ressuscitados da morte, "seremos arrebatados juntamente com eles... a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor (I Ts.4:16-18). Esperança abençoada!

É por esta "esperança abençoada" que devemos "esperar" (I Ts.1:10) e aguardar (Fp.3:20; Tt.2:13), enquanto continuamos a "servir o Deus vivo e verdadeiro". Que Deus nos mantenha fiéis, servindo e esperando até que nosso Senhor venha para nós!

A TEORIA DA PÓS-TRIBULAÇÃO

Como I Ts.1:10 representa cronologicamente a primeira afirmação escrita de Paulo sobre o arrebatamento da Igreja para estar com Cristo, uma palavra adicional deve ser dita em relação ao ponto de vista pós-tribulação: Este ensinamento diz que o arrebatamento do Corpo só acontecerá depois da Grande Tribulação da profecia.

Este ensinamento é em grande parte o resultado de interpretar e aplicar erroneamente certos versículos dos registros dos "Evangelhos" e o livro de Atos, particularmente os seguintes:

Mateus 24:40-42 ("será levado um, e deixado o outro").

Mateus 25:1-13 (a parábola das dez virgens).

João 14:3 ("E, se eu for... virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo").

Atos1:11 (Esse Jesus... há de vir assim como para o céu o vistes ir").

Mas, como ainda veremos, estes irmãos tomaram seus argumentos para o Arrebatamento da parte errada das Escrituras, porque Paulo distintamente declara que a verdade do Arrebatamento era um "mistério", ou segredo, até ser revelado através dele.

A IRA FUTURA

Deve ser notado, em primeiro lugar, que é em relação ao Arrebatamento que o Apóstolo refere-se a nosso Senhor como Aquele que "nos livra da ira futura" (I Ts. 1:10).

Como é esta "ira futura" da qual ele fala? É o Grande Trono Branco ou o Lago de Fogo? Não. Leia Ap.20:11-15. A ênfase aqui não é em relação à ira, mas fazer justiça.

Mas a Grande Tribulação da profecia é consistente e repetidamente associada à ira de Deus em tais frases como "o dia da Sua ira", "o ardor da Sua ira", "furor e ira do Deus Todo-poderoso", "da ira futura", etc. (Veja Sl.2:5; Is.9:19, 13:9; Jr.10:10; Sf.1:14-15; Ap.6:15-17, 14:10, 15:1, 16:1, 19, 19:15, etc.).

"E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura" (1:10).

QUATRO PROPOSTAS E UMA CONCLUSÃO

1) Através das Escrituras a esperança e chamamento de Israel são apresentados como sendo terrestres na sua esfera, enquanto que a esperança e chamamento do Corpo de Cristo são celestiais (Veja Gn.12:1-3, 7; Is.11:1-9; Jr.23:5; Mt.5:5, 6:10 e cf. Ef.1:3, 2:5-6; Fp.3:20; Cl.1:5, 3:1-3).

2) Nosso Senhor, enquanto na terra, foi enviado apenas "às ovelhas perdidas da casa de Israel". (Veja Mt.15:24; Rm.15:8).

3) Se nosso Senhor, enquanto na terra, tivesse falado a Seus discípulos sobre o Arrebatamento do Corpo, então as verdades do Corpo e seu arrebatamento para estar com Cristo, NÃO eram segredos primeiro mostrados a Paulo – como ele diz que foram (Veja Ef.3:1-11; Cl.1:24-26; I Co.15:51-52; I Ts.4:15). Observe: a palavra "mistério" (grego: musterion) simplesmente significa segredo.

4) Se nosso Senhor na terra tivesse insistido para que Seus discípulos vigiassem e esperassem pelo Arrebatamento, então o Arrebatamento precisava acontecer depois da Grande Tribulação, porque Ele também os preparou para este período de problemas (Veja Mt.24:3-21).

5) PORTANTO: aqueles que já usaram passagens dos quatro Evangelhos e do começo de Atos para ensinar o Arrebatamento, falharam em dividir corretamente (manejar bem) a Palavra da verdade e sem querer ajudaram a propagar a teoria da pós-tribulação, conseqüentemente assustando crentes sinceros em vez de consolar "uns aos outros" com a verdade abençoada de que o Senhor nos livrará "da ira futura" com a Sua vinda para levar os membros do Seu Corpo para fora deste mundo (Veja I Ts.1:10, 4:16-18, 5:9-11).

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1) Para uma discussão adicional deste assunto, veja o comentário do autor sobre Romanos, pg.28-30.
2) Portanto, quando Lucas diz em At.17:11 que os bereanos "foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica", ele estava se referindo aos judeus em suas sinagogas, não aos santos subseqüentemente convertidos a Cristo.
3) O Apêndice No. II do Comentário Sobre Romanos do autor lida com o assunto de eleição.
4) Quase podemos vê-lo estendendo as suas mãos diante deles.
5) A mesma palavra original é usada em Lucas 8:45 onde lemos: "Mestre, a multidão te aperta".

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