Capítulo III — I Tessalonicenses 2:17—3:13

UMA IGREJA PERSEGUIDA
E UM APÓSTOLO ANSIOSO

PAULO PRIVADO DE SEUS AMADOS

"Nós, porém, irmãos, sendo privados de vós, por um momento de tempo, de vista, mas não do coração, tanto mais procuramos com grande desejo, ver o vosso rosto.
Pelo que bem quisemos uma e outra vez ir ter convosco, pelo menos eu, Paulo, mas Satanáz no-lo impediu.
Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória? Porventura não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda?
Na verdade vós sois a nossa glória e gozo."
— I Tessalonicenses 2:17-20

A oposição que o Apóstolo estava passando na hora da escrita desta epístola em Corinto não tinha diminuído a sua ansiedade com relação aos irmãos de Tessalônica. Os últimos meses tinham sido um período de intensa perseguição para ele e para aqueles que deixou para trás em cidade após cidade. Em Filipos ele e Silas tinham sido cruelmente açoitados e encarcerados e depois mandados sair da cidade – deixando para trás uma igreja recém fundada a quem não foi sequer permitido encorajar por sua presença. Em Tessalônica, onde tinham ido em seguida, muitos foram convertidos a Cristo, mas a oposição contra Paulo era tão severa que ele e Silas quase não escaparam vivos, deixando para trás ainda outra igreja perseguida. Chegando em Beréia, novamente muitos foram ganhos para Cristo, mas os judeus incrédulos de Tessalônica tinham seguido Paulo, agitando e tumultuando aquela cidade, de modo que mais uma vez quase não conseguiu escapar com vida. Entretanto, desta vez deixou Silas e Timóteo para trás a fim de encorajar os irmãos nesta igreja perseguida, a terceira.

As palavras "sendo privados" em 2:17, enfatizam o fato de que ele não queria deixá-los. Os irmãos enviaram-no embora apressadamente (At.17:10), reconhecendo que, se ele fosse morto, a causa de Cristo perderia seu líder mais importante.

Mas seu coração ainda estava com eles, e muito, porque "tanto mais procuramos com grande desejo, ver o vosso rosto" (2:17); ele se esforçou muito para estar com eles outra vez, mas toda vez que tentou, Satanás impediu (2:18). Como ele tinha sido "privado" deles, também foi impedido de retornar a eles pela oposição, amarga, severa e implacável de Satanás.

Foi em Atenas que seus mensageiros foram zombados desde o começo, embora evidentemente não perseguidos, de modo que, providencialmente, pôde mandar Timóteo de volta a Tessalônica para ajudar e encorajar os santos ali. (1)

Achamos que esta mudança de eventos foi providencial, porque duas vezes o Apóstolo diz, em relação à sua preocupação com os crentes em Tessalônica, que não podia "esperar (grego: suportar, sofrer) mais" (3:1-5). (2)

O fato de Satanás ter impedido que Paulo retornasse à Tessalônica, entretanto, de jeito algum indica que Satanás tem poder igual ou maior que Deus, porque isso também era providencial. Evidentemente era a vontade de Deus que Paulo não voltasse ali, para que os santos tivessem um maior fortalecimento, porque a perseguição intensa deles de fato fortaleceu a sua fé (II Ts.1:3-4). Deus sabia melhor que Paulo o que fortaleceria os tessalonicenses espiritualmente. Devemos lembrar isto quando Deus permite que Satanás nos esbofeteie. (Veja Rm.5:3-5).

A COROA DE REGOZIJO DO APÓSTOLO

I Ts.2:19-20 parece ser a única passagem que indica claramente que na vinda de Cristo nós crentes regozijaremos por causa de outros crentes que, pela graça de Deus, temos levados a Cristo, (3) ou temos ajudado espiritualmente, mesmo de uma forma indireta.

Em Fp.4:1, o Apóstolo escreve dos santos de Filipos como sendo "minha alegria e coroa", mas aqui ele diz:

"Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória? Porventura não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda?
Na verdade vós sois a nossa glória e gozo."

Isto é verdade porque qual crente fiel não regozija aqui e agora ao pensar sobre os crentes que levou a Cristo, ou que ajudou espiritualmente? Quanto mais isto será "diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda"!

Um dia nosso Senhor, tendo "trazido muitos filhos à glória", poderá dizer com regozijo: "Eis me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu" (Hb.2:10, 13). Ele, logicamente, era "o príncipe da salvação deles". Ele derramou o Seu sangue para remi-los. Deste modo é apropriado que em reconhecimento Ele deve ser "coroado de glória e de honra" (Hb.2:9). Mas àqueles que, pela graça de Deus, temos trazido iluminação e bênçãos, "naquele dia" estes certamente serão nossa "coroa de glória". Ele morreu para salvá-los e para abençoá-los com "toda bênção espiritual", e pela graça temos sido privilegiados em transmitir esta maravilhosa mensagem de salvação pela graça e "toda bênção espiritual" que nela existe.

O Apóstolo declara que um dia nosso Senhor virá "para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem", então ele adiciona entre parênteses: "(porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós)" (II Ts.1:10). Que o nosso testemunho possa contribuir deste modo para a glória eterna de nosso Senhor.

Aqueles que têm um ponto de vista unilateral sobre a eleição devem pausar para ler toda a passagem acima atenciosamente e em oração.

A palavra "vinda" (grego: parousia) em I Ts.2:19, é usada em relação à vinda de nosso Senhor e também à Sua volta para a terra. É traduzida "vinda" e "presença" na Bíblia King James (no inglês), e aqui certamente refere-se, não tanto à Sua viagem, mas à Sua chegada. Aqui o Apóstolo evidentemente está se referindo à chegada do Senhor para nos receber a Ele, um encontro que Satanás não pode impedir (I Ts.4:16-18)!

AJUDA FOI ENVIADA

“Pelo que, não podendo esperar mais, de boa mente quisemos deixar-nos ficar em Atenas.
E enviamos Timóteo, nosso irmão e ministro de Deus, e nosso cooperador no evangelho de Cristo, para vos confortar e vos exortar acerca da vossa fé.
Para que ninguém se comova por estas tribulações; porque vós mesmos sabeis que para isto fomos ordenados.
Pois, estando ainda convosco, vos predizíamos que havíamos de ser afligidos, como sucedeu, e vós o sabeis.
Portanto, não podendo eu também esperar mais, mandei-o saber da vossa fé, temendo que o tentador vos tentasse, e o nosso trabalho viesse a ser inútil.
— I Tessalonicenses 3:1-5


A decisão de Paulo em mandar Timóteo à Tessalônica e ele mesmo permanecer sozinho em Atenas é um grande tributo para seu caráter.

Atenas era uma cidade que tinha uma profusão de ídolos e deste modo era cheia de superstições e medos que vem do paganismo. O verdadeiro Deus não era excluído, porque havia uma sinagoga, mas Atos 17:16-17 explica que quando Paulo viu "a cidade tão entregue à idolatria" ele "disputava na sinagoga com os judeus...".

Como sabemos, era costume do Apóstolo ir primeiro à sinagoga judaica de cidade em cidade, mas neste caso havia uma razão maior para ele fazer isto. Os judeus, obviamente, estavam fazendo muito pouco para trazer os pagãos em sua volta ao conhecimento do Deus verdadeiro. Em vez disto, evidentemente o oposto era a verdade. Parece que eles eram os exemplos principais da verdade de Rm.2:24 – "O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós".

Mas o Apóstolo não meramente disputava com os judeus na sinagoga. Em vez disto, ele foi fazer para os pagãos o que os judeus não podiam fazer, pregar Cristo a eles. O registro em Atos 17:16-17 afirma que ele "disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça", onde os atenienses se juntavam, não para apenas comprar e vender, mas para discutir as suas várias filosofias. Pense nisso! Atenas, o maior lugar de intelectualidade do mundo, também era o centro de idolatria com toda a sua superstição e medo, e nem falamos nos excessos de imoralidade e vícios que degradaram os devotos de tantas religiões pagãs. Que testemunho da tolice e futilidade da "sabedoria deste mundo". Tiago diz corretamente que "essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica" (Tg.3:15).

Embora se vangloriassem da sua sabedoria, os atenienses não podiam sequer entrar num acordo sobre um deus! Um adorava esta "deidade" e um outro, aquela. A maioria adorava deuses diferentes em ocasiões diferentes. Tão grande era a confusão que Plínio escreve que na época de Nero, Atenas continha mais do que 3.000 ídolos públicos, além de incontáveis ídolos que as pessoas possuíam. Petrônio diz (talvez humoristicamente) que era mais fácil encontrar um deus em Atenas do que um homem, e como já vimos nas Escrituras, a cidade era literalmente repleta de ídolos e altares a deuses falsos, muitos sendo evidências do baixo nível de moralidade a que chegou a sabedoria dos atenienses.

E aqui Paulo, um servo de Deus e um apóstolo de Jesus Cristo, que amava a Palavra de Deus, era totalmente contra a idolatria e vivia "com toda boa consciência", de Deus, era totalmente contra a idolatria e vivia "com toda boa consciência", tinha decidido permanecer ali sozinho (4) para que pudesse enviar Timóteo para ajudar e encorajar os santos em Tessalônica. (5)

É significante que os homens "cultos" de Atenas, que sequer podiam concordar quanto a seus deuses, ouviriam as palavras "de verdade e de um são juízo" de Paulo, mas o ridicularizaram, enquanto alguém na plataforma puxava seu casaco, por assim dizer, e disse: "O que você falou foi bom; fale mais da outra vez." Desta maneira "Paulo saiu do meio deles" (At.17:33). Os "intelectuais" geralmente sabem demais para estarem interessados naquilo que é vital e urgentemente importante.

Mas a situação em Tessalônica era totalmente diferente. Lá havia crentes no Senhor Jesus Cristo com seus pés firmemente plantados na Palavra de Deus. Como resultado de sua fidelidade eram odiados e perseguidos, mas agora Paulo tinha enviado Timóteo, um homem bem testado nas coisas de Deus, um "bom soldado de Jesus Cristo", e alguém que conheciam, para encorajá-los. Paulo chama-o de "nosso irmão, e ministro de Deus, e nosso cooperador no evangelho de Cristo", enviado "para vos confortar (grego: estabelecer) e vos exortar acerca da vossa fé" (I Ts.3:2).

Foi bom que um soldado tão experimentado fosse enviado, porque ele deveria dizer-lhes que "ninguém se comova por estas tribulações", uma vez que "vós mesmos sabeis que para isto fomos ordenados" (3:3). Como um comandante sábio e fiel de um exército Paulo tinha lhes avisado que soldados precisam estar prontos para agüentar as aflições (3:4), não, neste caso, lutar de volta com armas físicas, mas com a "espada do Espírito", a Palavra de Deus. Assim como o próprio Timóteo, eles precisavam ser fortes "na graça que há em Cristo Jesus", prontos para sofrerem "as aflições como bom soldado de Jesus Cristo" (II Tm.2:1,3).

Porém, os crentes de Tessalônica ainda eram jovens em Cristo e o Apóstolo sabia muito bem que Satanás procuraria desencorajá-los. Portanto, ele enviou Timóteo de volta a eles – a um custo muito alto para ele mesmo – para que Satanás, o velho Tentador, não os tentasse a desistir da batalha e todo o trabalho do Apóstolo "viesse a ser inútil" (3:5). Não que as almas preciosas salvas ali pudessem ser perdidas novamente. De maneira alguma! Em vez disso, o seu pensamento era que uma grande obra para Deus tinha sido estabelecida ali. Uma "grande multidão" tinha chegado a regozijar em Cristo. Agora ele não queria que este "movimento da graça" viesse a se anular por causa do medo da perseguição.

Antes de deixar esta passagem precisamos aprender a lição que Deus tem para nós aqui. Paulo tinha avisado os tessalonicenses da perseguição porque ele sabia que "todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições" (II Tm.3:12).

Pode ser que nem todos sofrem a perseguição física, porque Satanás emprega vários meios para nos desencorajar. Às vezes a perseguição é de fato física, mas freqüentemente também é um olhar gelado, um dar de ombros, o boicote silencioso, o escárnio, a fofoca, etc. Sem dúvida era difícil para Paulo agüentar o escárnio e a indiferença que encontrou em Atenas – mais difícil talvez, que o sofrimento físico tinha sido.

O ponto que deve ser enfatizado é que "todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus PADECERÃO perseguições", e aqueles que não são participantes "das aflições do evangelho segundo o poder de Deus" devem se perguntar o que está errado e pedir a Deus graça para testemunhar fielmente por Cristo sem temor (I Tm.1:7-8). O sofrimento encontrado será apenas um pequeno preço a ser pago quando comparado com aquela "coroa de gozo": vendo outros vindo a regozijar em Cristo, e finalmente vendo-os lá com Cristo porque nós demos o nosso testemunho de Sua graça salvadora.

BOAS NOVAS

"Vindo, porém, agora Timóteo de vós para nós, e trazendo boas novas da vossa fé e caridade, e de como sempre tendes boa lembrança de nós, desejando muito ver-vos, como nós também a vós;
Por esta razão, irmãos, ficamos consolados acerca de vós, em toda a nossa aflição e necessidade, pela vossa fé,
Porque agora vivemos, se estais firmes no Senhor.
Porque que ação de graças poderemos dar a Deus por vós, por todo o gozo com que nos regozijamos por vossa causa diante de nosso Deus.
Orando abundantemente dia e noite, para que possamos ver o vosso rosto, e supramos o que falta à vossa fé?
Ora o mesmo nosso Deus e Pai, e nosso Senhor Jesus Cristo, encaminhe a nossa viagem para vós.
E o Senhor vos aumente, e faça abundar em caridade uns para com os outros, e para com todos, como também abundamos para convosco;
Para confortar os vossos corações, para que sejais diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos.
— I Tessalonicenses 3:6-13

Antes de considerarmos os detalhes desta passagem devemos recordar que o Apóstolo agora estava em Corinto, de onde ele escreveu esta epístola. Ali ele também sofreu árduas perseguições. De fato, a perseguição provavelmente ainda estava em sua volta enquanto escrevia (3:7).

Corinto era uma cidade grande com dois portos, um em cada lado de um estreito istmos em que se situava. Por isso, comerciantes, marinheiros e viajantes de todo tipo que passavam de um lado do istmos, paravam em Corinto a negócios ou por prazer, porque Corinto era a capital do mundo do esporte, com os grandes Jogos do Istmos atraindo visitantes de perto e de longe.

Com suas vantagens comerciais extraordinárias e com o movimento constante de pessoas do leste para o oeste e vice versa, Corinto também seria uma localização estratégica para espalhar o evangelho. Deste modo Paulo, evidentemente desde o princípio, planejou ficar ali por algum tempo.

Atos 18:1-3 nos diz como o Apóstolo conseguiu trabalho (6) fazendo tendas com Áqüila e Priscila e passou os sábados na sinagoga, provando aos judeus que Jesus era o Cristo (At.18:4-5). Com isto ele teria que começar, porque, como poderiam aceitar a mensagem da graça se ainda consideravam o Jesus crucificado como um impostor?

O registro afirma, entretanto, que no fim eles resistiram e blasfemaram (At.18:6). Desta forma começou uma obra poderosa entre os gentios – e uma perseguição ferrenha dos judeus incrédulos (18:12). Em retrospecto, o Apóstolo mais tarde escreve aos crentes de Corinto: "E estive entre vós em fraqueza, e em temor, e em grande tremor" (I Co.2:3). Tão intensa era a perseguição que o Senhor apareceu a Paulo numa visão para encorajá-lo, dizendo:

"E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala, e não te cales;
Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade" (At.18:9-10).

Com este encorajamento "ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus" (18:11).

Apesar de todo este trabalho, ansiedade e conflito ele não esqueceu os crentes de Tessalônica, que ainda estavam sofrendo intensa perseguição. Entretanto, a sua ansiedade em relação ao bem estar deles foi grandemente aliviada pelas informações que Timóteo trouxe e, enquanto o próprio Paulo estava cercado por oposição e perseguição, ele deu seqüência nas boas novas de Timóteo mandando uma carta de encorajamento para eles: esta que estamos estudando agora.

Imagine como deve ter alegrado o coração de Paulo ouvir dos lábios de Timóteo as boas novas da fé e amor dos tessalonicenses e o desejo ardente deles de vê-lo novamente. Paulo não só menciona isso mas também adiciona: "como nós também a vós" (I Ts.3:6).

A fé deles também tinha o encorajado, não apenas em relação a eles mesmos; tinha encorajado-o também com relação à sua "aflição e necessidade". Leia o versículo cuidadosamente:

"Por esta razão, irmãos, ficamos consolados acerca de vós, em toda a nossa aflição e necessidade, pela vossa fé" (3:7).

O Apóstolo tem muito o que dizer sobre a nossa firmeza nas suas epístolas, mas o versículo 8 merece atenção especial quando se fala de "firmeza".

"Porque agora vivemos", ele diz, "se estais firmes no Senhor".

Ele tinha passado por muito sofrimento e ansiedade por muitos meses, mas as boas novas de Tessalônica, onde a perseguição também era terrível, tinha lhe dado novo ânimo e coragem. A palavra "vivemos" tem o sentido de "Isto é que é viver!", especialmente quando vêem dos lábios de alguém que subitamente passa dos tempos difíceis para um modo de vida melhor, mais feliz. "Agora vivemos", diz o Apóstolo, "se estais firmes no Senhor". A firmeza deles tinha sido um alívio refrescante para ele.

Também observe as palavras: "no Senhor". Para outras igrejas ele escreveu: "Estai firmes na fé" (I Co.16:13), "Estai pois firmes na liberdade" (Gl.5:1), "Estais num mesmo espírito" (Fp.1:27), etc., mas aqui, como aos filipenses perseguidos, ele encoraja os tessalonicenses para estarem "firmes no Senhor" (3:8). Veja bem, ele não diz: "Estais firmes para o Senhor", mas "no Senhor". Todos nós precisamos aprender esta lição quando se fala de firmeza. Pela graça, a nós crentes foi dada uma posição em Cristo: "agradáveis" em Cristo (Ef.1:6), pronunciado "perfeitos" em Cristo (Cl.2:10), abençoados "com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef.1:3). Tudo o que temos, temos em Cristo, tudo o somos, somos Nele. Agora, diz o Apóstolo, pelo Espírito, estais firmes em Cristo. Quando o mundo se opõe, quando a carne nos tenta, quando Satanás nos oprime, e a dúvida levanta, lembre-se de que Deus nos vê "em Cristo", o Seu amado Filho, e uma vez que nos deu graciosamente esta posição, não vacile, ocupe-a, regozija nela, pela fé. É aqui que precisamos começar a nossa vida cristã, porque para os santos de Filipos, que tinham servido ao Senhor por muitos anos, ele também escreve:

"Portanto, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim firmes no Senhor, amados" (Fp.4:1).

Assim, para bebês em Cristo que possam estar lendo este livro, e para todos do povo de Deus, dizemos: Lembre-se de uma coisa e nunca esqueça-a: Deus nos fez para sermos agradáveis no Amado; Ele nos pronunciou completos Nele. Em Cristo fomos crucificados, sepultados, ressuscitados dos mortos e exaltados à mão direita de Deus nos céus, para lá sermos abençoados com todas as bênção espirituais. Ocupe pela fé a sua posição dada por Deus, seja firme em Cristo e bênçãos e vitórias serão suas. Foi a grande alegria de Paulo ouvir que os crentes de Tessalônica estavam assim firmes no Senhor. Observe como ele regozija:

"Porque que ação de graças poderemos dar a Deus por vós, por todo o gozo com que nos regozijamos por vossa causa diante de nosso Deus" (3:9).

Porém, ainda havia muito para aprender, porque ele continua:

"Orando abundantemente dia e noite, para que possamos ver o vosso rosto, e supramos o que falta à vossa fé" (3:10).

Foi como se ele tivesse falado: "Aleluia! O primeiro passo foi dado. Eles estão firmes em Cristo. Agora oro que possa ser dado a mim a oportunidade de ensiná-los aquelas coisas que ainda precisam aprender."

É NECESSÁRIO MAIS ENSINAMENTO

Mas o que, exatamente estava faltando à fé deles? Qual era a verdade que eles conheciam apenas em parte e o Apóstolo queria aperfeiçoar neles? De fato, ele tem em mente algum assunto em especial.

Acreditamos que, essencialmente, ele queria ensinar mais sobre a vinda pré-tribulação de Cristo para buscar os Seus. II Ts.2:1-5 exorta estes tessalonicenses a "não vos movais facilmente do vosso entendimento" por qualquer rumor que o Dia do Senhor estava à mão, porque isto ainda não podia acontecer, (7) e então ele adiciona: "Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco?" (2:5). Assim sendo, já tinham conversado sobre a volta do Senhor quando Paulo esteve com eles, mas o assunto é muito volumoso e ainda não tinham entendido todas as suas ramificações.

Na hora em que Paulo escreveu I Tessalonicenses eles evidentemente estavam confusos e preocupados sobre aqueles amados que tinham partido desta vida. Eles não teriam a alegria do Arrebatamento? Esta questão precisava ser respondida para eles urgentemente, então ele assim o faz no Capítulo 4, versículos 13-18 desta carta.

Mas havia tantas outras coisas para serem ensinadas e o Apóstolo orava fervorosamente que ele pudesse vê-los em breve novamente para explicar todas estas coisas e fortalecer a fé deles. Como já dissemos, uma grande parte das duas epístolas aos tessalonicenses é devotada à verdade da vinda do Senhor para os Seus, mas Paulo preferiria, e muito, estar com eles para explicar os detalhes desta "esperança" especial para os membros do Corpo de Cristo. Deste modo, a sua oração salienta bem isto: "Ora o mesmo nosso Deus e Pai, e nosso Senhor Jesus Cristo, encaminhe a nossa viagem para vós" (3:11). (8)

Finalmente, ele exorta-os quanto ao amor que todos os crentes devem sentir um para com o outro "e para com todos" (3:12). O Apóstolo Paulo, como nosso Senhor na terra, tinha muito o que dizer sobre o amor. Aqui ele expressa seu desejo de que o amor deles de um para com o outro e para com todos, pudesse aumentar e "abundar", assim como seu amor para com eles tinha aumentado com a intensidade da perseguição que estavam passando.

"Para confortar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos" (3:13).

A palavra "santidade" é importante aqui, porque significa "separação para uso de, como sendo sagrado", e Deus quer que sejamos separados para Ele nos laços mais sagrados, e quer que isto seja manifesto na vinda de nosso Senhor por nós.

Mas como a Sua vinda para nós pode ser "na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos" (3:13)? A resposta novamente é encontrada no simples fato de que a palavra parousia (traduzida como "vinda" e "presença") refere-se aqui à Sua "presença... com todos os seus santos". Deste modo encontramos uma referência adicional ao arrebatamento dos membros do Corpo de Cristo para estarem com Ele.

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1) Evidentemente Timóteo já tinha alcançado Paulo novamente. Veja At.17:14-15, cf. I Ts.3:1,5. (Observe que o verbo no v.1 é na primeira pessoa do plural "nós", e no v.5 é na primeira pessoa do singular "eu".)
2) Nota do tradutor: Observe como o Apóstolo se expressa nesta passagem. As palavras esperar (grego: sofrer - v.1), confortar (grego: estabelecer - v.2), comova - v.3, afligidos - v.4 e esperar novamente (grego: sofrer - v.5) transmitem o sentimento de que ele estava ansioso a respeito dos tessalonicenses.
3) Dn.12:3 ensina uma verdade semelhante mas situa-se numa categoria diferente.
4) Isto é, estava sozinho quanto à presença de seus associados ou cooperadores, porque houve certos homens que tinham crido quando pregou no Areópago e tinham permanecidos com ele (At.17:34).
5) At.17:15 não é uma contradição porque v.16 explica. Foi depois do discurso de Paulo no Areópago que Timóteo evidentemente o reencontrou e então foi enviado de volta para os tessalonicenses.
6) Aqui a palavra "achando" pode ser significante. Sabemos que em Tessalônica o Apóstolo tinha trabalhado noite e dia para que não fosse pesado a nenhum deles (I Ts.2:9) e sabemos também que a sua profissão era a de fazer tendas, portanto, é possível que alguém do ramo em Tessalônica tinha-lhe informado a respeito de Áqüila e Priscila. De qualquer forma, parece, de At.18:2, que ele estava procurando emprego para não ser dependente financeiramente daqueles a quem estava ministrando. Esta auto-suficiência da parte de Paulo, deve ser um exemplo para todo homem de Deus.
7) II Ts.2:1-5 é um dos argumentos mais fortes para o arrebatamento pré-tribulação da Igreja, mas não discutiremos este assunto até chegarmos a esta passagem no curso normal de nosso comentário.
8) Como Paulo tinha um coração grande! Para os romanos ele escreveu: "Porque desejo ver-vos" (Rm. 1:11) e expressa seu "grande desejo de ir ter convosco" (15:23). Aos gálatas: "Eu bem quisera agora estar presente convosco" (Gl.4:20). Aos filipenses: "Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho" (Fp.1:8), chamando-os de "meus amados e mui queridos irmãos" (4:1). E aos tessalonicenses: "Orando abundantemente dia e noite, para que possamos ver o vosso rosto" (I Ts.3:10).

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