O ENCONTRO NOS CÉUS
E
A NATUREZA DESTE ENCONTRO
Em primeiro lugar, deve ser visto que este encontro será marcado, não um encontro por acaso. Nós "seremos arrebatados... a encontrar o Senhor nos ares". Este encontro, logicamente, será aquele que está mencionado em outro lugar como "o tribunal de Cristo" (Rm.14:10; II Co.5:10).
Este autor tem sentido por muito tempo que este encontro com o Senhor será a ocasião mais apropriada de toda a nossa experiência cristã. De tudo que já fizemos, ou ainda faremos; de tudo que já experimentamos ou ainda experimentaremos, nada jamais foi ou será tão apropriado, tão adequado, quanto este encontro com o Senhor Jesus Cristo.
A frase, "o tribunal de Cristo", é encontrada duas vezes nas Escrituras de Paulo:
"Pois todos havemos de compadecer ante o tribunal de Cristo" (Rm.14:10).
"Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo" (II Co.5:10).
Isto já perturbou muitos estudantes da Bíblia, uma vez que sabemos que: 1) Cristo morreu para nos salvar da penalidade do pecado, e 2) Jo.5:24; Rm.8:1 e outras passagens, especialmente nas epístolas de Paulo, claramente afirmam que crentes em Cristo já foram justificados e não serão julgados.
Entretanto, a palavra bema, a palavra grega usada aqui traduzida como "tribunal", não é a mesma que geralmente se usa para referir-se à justiça penal, a palavra grega krino. É verdade que bema às vezes é usada em ligação com julgamentos em que homens são condenados por crimes ou absolvidos, mas também é usada em ligação com competições esportivas, nas quais os ganhadores recebem, ou fracassam em receber, prêmios por um desempenho superior. E a palavra grega krino não é usada desta forma.
É claro, então, que "o tribunal de Cristo" não é um julgamento para o pecado (isto já é passado para o crente), mas um julgamento do "desempenho" do salvo como crente.
Quando o Apóstolo declara em Rm.14:10 que "todos havemos de compadecer ante o tribunal de Cristo", ele escreve a crentes que já foram justificados no tribunal da justiça de Deus (Rm.4:25—5:1), portanto ele não pode estar se referindo a um julgamento penal.
Isto é confirmado ainda por aquelas passagens que lidam com "o tribunal de Cristo". Vamos examinar algumas delas.
A QUESTÃO DE SERVIÇO
Não encontramos a frase "o tribunal de Cristo" em I Co.3:10-17, mas como veremos, é isto que o Apóstolo está discutindo. Ele abre esta passagem dizendo:
"Segundo a graça de Deus que me foi dada, PUS EU, COMO SÁBIO ARQUITETO, O FUNDAMENTO, E OUTRO EDIFICA SOBRE ELE; MAS VEJA CADA UM COMO EDIFICA SOBRE ELE" (3:10).
Observe bem, Paulo não diz que ele tinha construído sobre um fundamento já posto (Cf. Mt.16:16-18). Ele diz distintamente: "pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele". Uma nova dispensação foi introduzida com o surgimento de Paulo: "a dispensação da graça de Deus" com seu "evangelho da graça de Deus" e sua posição e bênçãos celestiais (Ef.3:1-3; At.20:24; Ef.1:3, 22-23), verdades sobre as quais a Igreja desta dispensação deveria ser construída. Portanto ele adverte: "pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento... mas veja cada um como edifica sobre ele" (3:10).
Quem sabe quando o grande Inspetor de Construções pode aparecer para examinar "a obra de cada um... e... qual seja a obra de cada um" (I Co.3:13)? Porque a passagem continua a explicar que aqueles que construíram sobre a fundação paulina de acordo com os planos e especificações dados a ele para a construção da Igreja hoje, receberão um "galardão" (3:14). Eles construíram com o "ouro, prata, pedras preciosas" do versículo 12. Mas aqueles que construíram com material mosaico (de Moisés), messiânico (do Messias, isto é, Jesus Cristo) ou petrônico (de Pedro) sobre a fundação paulina sofrerão o "detrimento" (perda) do versículo 15. As suas obras ou esforços serão queimados (eles mesmos não, e também não aqueles que podem ter levado a Cristo) como se fossem "madeira, feno, palha" (3:12,15), porque confundiram a Lei com a graça e o programa para o reino de Cristo com o programa do Corpo de Cristo.
Não é o suficiente "ganhar almas para Cristo" e ensiná-las a viver "vidas boas". O evangelismo e ensinamento popular produziram uma confusão e divisão crescente em vez de uma Igreja cujos ensinamentos são consistentes e harmoniosos. Mas isto parece nem ter passado pelas mentes daqueles líderes cristãos que ignoram, e às vezes até são contrários, à poderosa mensagem comissionada a Paulo para nós hoje.
Mas algum dia o Inspetor de Construções chamará a nós todos, e então será visto se fomos obreiros que Deus pode aprovar ou não, "que maneja bem a palavra da verdade" [que divide corretamente]" (II Tm.2:15).
A QUESTÃO DE CONDUTA
II Co.5:10-11 também lida com o "tribunal de Cristo", mas aqui a conduta do crente, em vez de seu serviço, está em vista.
"Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal".
Nesta ligação o Apóstolo continua a dizer:
"Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens..." (5:11).
O leitor pode estar perguntando: "Haverá temor no nosso encontro com Cristo, um encontro que todo crente deve estar esperando com grande antecipação? O chamado para um encontro deste tipo pode ser uma 'bem-aventurada esperança'?"
Em primeiro lugar, vamos dizer que de fato haverá temor ali – e isto é muito apropriado. Se um de nós fosse chamado para comparecer diante do Presidente do País, seria uma grande honra, mas não é verdade que a maioria de nós também estaria temerosa? Não que tivéssemos feito algo de errado, mas simplesmente por causa da dignidade da posição dele. Este temor é sadio, do tipo que devemos experimentar quando contemplamos aquele encontro solene com o Filho de Deus, o Criador de tudo – e Aquele que nos amou e derramou Seu sangue para nos salvar do pecado. Alguns crentes ainda não podem enxergar isto. Pensam apenas na alegria de ver Aquele que os amou e morreu por eles, não dando a devida consideração para Sua grandeza infinita, ou ao fato que foram os nossos pecados pelos quais Ele sofreu e morreu.
Mas o "temor que se deve ao Senhor", em ligação com o nosso encontro com Ele "naquele dia", é ainda mais apropriado quando consideramos que Ele sabe tudo sobre nós, nossos atos, nossos pensamentos, nossos motivos, etc. E é justamente por esta razão que Ele, o Onisciente, um dia lidará com a nossa conduta como crentes e o Apóstolo diz:
"Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo... Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens" (II Co.5:10-11).
Acreditamos que este "temor" é apropriado nos pecadores remidos. De fato, Paulo exorta-nos em formas diferentes, por exemplo: "então não te ensoberbeças, mas teme" (Rm.11:20), enquanto que declara ser uma ofensa a Deus entre os não regenerado que "não há temor de Deus diante de seus olhos" (Rm.3:18).
É apropriado, então, que a "bem-aventurada esperança" deve ter um elemento de temor. Não o temor que seremos punidos por nossos pecados, mas que o Juiz Divino, enquanto revisa o nosso serviço e conduta, nos dará galardões por aquilo que realmente é "bom" mas terá que pronunciar muito de nossos registros como não tendo "bem algum", isto é, sem valor.
Será que algum leitor está desaprovando: "Mas acabei de ler que Cristo morreu por todos os meus pecados e os perdoou." Isto é verdade, mas como crente, que valor você teve para Ele enquanto estava cometendo estes pecados, pelos quais Ele morreu? Que testemunho você teve? É assim que você agradece? Algum dia todos nós teremos que encontrar nosso Senhor amado e explicar o que fizemos. E você, amado leitor, não gostaria de arrumar e corrigir tudo isto? Não gostaria de ter tudo descoberto e reconhecido antes de entrar totalmente na glória dos céus? Não gostaria que todo o entulho fosse queimado? Portanto, aquelas passagens que lidam com o tribunal de Cristo não dizem nada sobre qualquer penalidade; apenas sobre galardões e perda de galardões (I Co.3:14-15).
Freqüentemente pergunta-se: "Haverá lágrimas no céu?" No céu? Duvidamos. Mas acreditamos que no tribunal de Cristo haverá algo parecido com lágrimas. Certamente não será uma experiência alegre – especialmente para Ele – para sofrer "detrimento" (I Co.3:15) pelas muitas vezes que falhamos por Ele.
Parece para o autor, entretanto, que cada crente verdadeiro que tem alguma concepção do amor de Cristo e do preço infinito pago por Ele para aliviar-nos do peso de nossos pecados, desejaria que estas coisas escondidas fossem trazidas à luz e liquidadas pelo próprio Senhor. É por isso que dizemos que, embora talvez seja uma experiência apavorante para se pensar, o tribunal de Cristo sem dúvida será a ocasião mais apropriada – e abençoada – da nossa experiência cristã inteira, e uma razão pela qual a vinda de nosso Senhor para nós é verdadeiramente uma "bem-aventurada esperança".
Ao encerrar esta seção, vamos lembrar que "se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados" (I Co.11:31), tampouco pela disciplina de Deus agora ou pela perda de galardões no tribunal de Cristo. Como é sábio, então, tirar estes pecados e fracassos do caminho confessando a Deus na hora certa (no tribunal de Cristo), para que não percamos nosso poder espiritual e de fato provamos não ter "bem algum" para o Seu uso!
Quantas coisas ainda podiam ser ditas sobre este assunto, mas não podemos desviar de nosso assunto principal. Vamos deixar que nossos leitores procurem e considerem sinceramente tais passagens como I Co.9:24-27; II Co.4:17 e II Tm.2:12-13.
ONDE O ENCONTRO SERÁ REALIZADO
Não se sabe ao certo o local onde será realizado este encontro, o tribunal de Cristo, e muitos entenderam o assunto de um modo totalmente errado. Existe um hino chamado de O Encontro no Ar que afirma que este encontro será realizado "naquele lar além do céu", e de fato, a maioria das pessoas parece que tem a idéia de que no Arrebatamento nosso Senhor nos levará para o céu Consigo. Mas não é nesta hora.
I Ts.4:17 claramente afirma que na vinda de nosso Senhor para nós, seremos arrebatados para "encontrar o Senhor nos ares", e se ainda há alguma dúvida aonde isto se situa, deve ser observado que a palavra "ares" é derivada diretamente da mesma palavra no grego: aer. Qualquer dicionário ou léxico do grego especificará que a palavra refere-se à atmosfera em volta de nós e ao nosso redor. Temos esta palavra em At. 22:23, onde o povo lançou "pó para o ar", e este é o uso geral da palavra. Portanto, é um erro supor que quando nosso Senhor voltar para nós Ele imediatamente nos levará para "aquele lar além do céu", o epouraneous, ou céu superior, onde Ele habita.
Graças a Deus que Ele nos deu uma posição atual "nos lugares celestiais (7) em Cristo Jesus" (Ef.2:6), onde somos abençoados "com todas as bênçãos espirituais... em Cristo" (Ef.1:3). É para lá que um dia seremos levados corporalmente, porque estaremos para sempre com o Senhor (I Ts.4:17). Mas primeiro o "encontro nos ares", realizado ali, como o auge da nossa longa batalha com "o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência" (Ef.2:2), que também é muito ativo em confundir, dividir e tentar os santos com a maldade.
QUANDO O ENCONTRO SERÁ REALIZADO
Ao estudarmos esta passagem em I Tessalonicenses 4, parece claro que o tribunal de Cristo será convocado imediatamente depois que fomos arrebatados para estarmos com Cristo, mas existem outras Escrituras claras que referem-se a este mesmo evento e também indicam exatamente quando será realizado. Em I Co.4:5 o Apóstolo diz:
"Portanto nada julgueis antes do tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor." (8)
Quando serão reveladas
"as coisas ocultas"? Quando receberemos "de Deus o louvor"?
Quando o Senhor vier. Existirão coisas que fizemos para Ele que demos
pouca ou nenhuma importância, mas Ele percebeu e apreciou o que fizemos
e certamente nos dará o louvor. Tudo isto, logicamente, é inteiramente
à parte da salvação. A salvação não
é uma recompensa para as boas obras, mas os crentes fiéis serão
ricamente recompensados além de terem sido salvos.
Outra passagem que nos diz quando o tribunal de Cristo será convocado
é II Tm. 4:7-8:
"Combati o bom combate, acabei
a carreira, guardei a fé.
Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor,
justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também
a todos os que amarem a sua vinda."
Quando Paulo e outros crentes receberão suas coroas? "Naquele
dia", o dia da "sua vinda".
Portanto existe muita evidência de que o tribunal de Cristo acontecerá no arrebatamento da Igreja, o qual é Seu corpo:
Observe cuidadosamente as palavras: "arrebatados... a encontrar o Senhor nos ares"... "até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas"... "a coroa da justiça ... a qual o Senhor... me dará naquele dia... a todos os que amarem a sua vinda."
PARA SEMPRE COM O SENHOR
"...e assim estaremos sempre com o Senhor" (I Ts.4:17).
O que poderia indicar mais claramente que a razão que o próprio Senhor voltará para nós é porque Ele nos ama e nos quer para Si? Sim, "Cristo... amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela", para que algum dia Ele pudesse "apresentar a si a igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef.5:25-27). Que prospecto!
A menos que o mero pensamento de aparecer diante do tribunal de Cristo amedronte e desencoraje alguns crentes sinceros nos apressamos em dizer que enquanto Paulo usava "o temor que se deve ao Senhor" (II Co.5:11) para persuadir os coríntios carnais, ele usou a graça de Deus para encorajar os crentes sinceros a viver para Ele, porque nosso Senhor recompensará ricamente o serviço mais humilde ou ato de devoção – e ainda mais: Ele deseja que tenhamos abençoada comunhão com Ele eternamente.
"PORQUE A GRAÇA DE
DEUS SE HÁ MANIFESTADO, TRAZENDO SALVAÇÃO A TODOS OS HOMENS.
ENSINANDO-NOS QUE, RENUNCIANDO À IMPIEDADE E ÀS CONCUPISCÊNCIAS
MUNDANAS, VIVAMOS NESTE PRESENTE SÉCULO SÓBRIA, E JUSTA, E PIAMENTE.
AGUARDANDO A BEM-AVENTURADA ESPERANÇA E O APARECIMENTO DA GLÓRIA
DO GRANDE DEUS E NOSSO SENHOR JESUS CRISTO;
O QUAL SE DEU A SI MESMO POR NÓS PARA NOS REMIR DE TODA A INIQÜIDADE
E PURIFICAR PARA SI UM POVO SEU ESPECIAL, ZELOSO DE BOAS OBRAS" (Tt.2:11-14).
CONFORTAI-VOS UNS AOS OUTROS
Os fatos acima nos dão muita razão para confortar uns aos outros com "a bem-aventurada esperança" do Arrebatamento, mas existe mais.
Onde as Escrituras falam da volta do Senhor para a terra o contexto inevitavelmente é sobre problemas, tristeza, guerra, derramamento de sangue – e a ira de Deus. Mas não se pode dizer isto sobre aquelas Escrituras que proclamam o arrebatamento da Igreja. Nestas referências não encontramos uma palavra sequer sobre a Tribulação ou a ira de Deus, mas em vez disto, em I Ts.4:15-18, a descrição mais detalhada do Arrebatamento, o Apóstolo fecha com a exortação: "Portanto, consolai-vos uns com aos outros com estas palavras." Mais do que isto, no Capítulo 5, onde ele de fato lida com a Tribulação, ele assegura aos membros do Corpo de Cristo com as palavras:
"Porque Deus não nos
destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação,
por nosso Senhor Jesus Cristo,
Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, (9) vivamos
juntamente com ele.
PELO QUE EXORTAI-VOS UNS AOS OUTROS, E EDIFICAI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO TAMBÉM
O FAZEIS" (I Ts.5:9-11).
O ARREBATAMENTO É IMINENTE?
A palavra "iminente" refere-se simplesmente àquilo que pode acontecer sem demora.
Consistentemente, quando se diz respeito aos membros do Corpo de Cristo, o evento é apresentado como sendo iminente. Em I Ts.1:9-10, o Apóstolo lembra os crentes de Tessalônica de como "vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro. E esperar dos céus a seu Filho...". Semelhantemente, ele afirma que os crentes de Corinto estavam "esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo" (I Co. 1:7). Aos filipenses ele escreveu:
"Mas a nossa cidade [cidadania] está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp.3:20).
Isto concorda com I Co.15:51, onde o Apóstolo escreveu aos coríntios:
"Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados" (I Co.15:51).
De fato, na maior parte de suas referências ao Arrebatamento o Apóstolo claramente mostra que ele, quando escreveu sobre estas coisas, esperou estar entre aqueles vivos na hora da volta de Cristo para pegar os Seus. Paulo usa os verbos na primeira pessoa do plural (nós) e isto indica a ligação. Evidentemente, ele não tinha idéia alguma de que Deus, em misericórdia, estenderia o dia da graça por mais de 1900 anos – fazendo a dispensação da graça durar pelo menos 400 anos a mais que dispensação da Lei. Mas assim é a misericórdia e longanimidade de Deus (veja II Pe.3:9).
UM PROBLEMA
Aqueles que ensinam que o Arrebatamento não acontecerá senão depois da Tribulação argumentam, logicamente, que a vinda de Cristo para Sua Igreja não pode ser iminente; que não devemos estar vigiando e esperando para Ele nos levar a qualquer momento. Seguindo este raciocínio, Tito e os crentes em Corinto, Tessalônica e Filipos, não deveriam estar esperando o Senhor também, porque de acordo com o argumento "pós-tribulação" o Senhor não podia – e não pode – vir para levar a Igreja até que a Tribulação termine.
Mas os da "pós-tribulação" argumentam ainda que "eventos de muito tempo" na vida de Paulo indicam que os crentes naquela época não podiam estar legitimamente esperando pela volta do Senhor por eles. Talvez as passagens mais notáveis nesta linha de pensamento sejam aquelas em que o Senhor disse a Paulo:
"Paulo, tem ânimo; porque, de mim testificastes em Jerusalém, assim importa que testifiques em Roma" (At. 23:11).
"Paulo, não temas; importa que sejas apresentado a César..." (At.27:24).
Como, perguntamos, Paulo podia estar esperando pelo Arrebatamento a qualquer hora quando o Senhor o tinha explicitamente informado que chegaria a Roma e seria apresentado a César?
UMA RESPOSTA
Primeiramente, é um princípio da lógica que "o inteiro é maior que qualquer de suas partes". Isto é verdade também da Palavra de Deus, e o estudante cuidadoso nunca permitirá que uma situação local negue o ensinamento geral das Escrituras.
No caso em questão, é o ensinamento geral das epístolas de Paulo que o Senhor Jesus Cristo viria – e virá – para tirar os Seus deste mundo, e que eles deveriam estar sempre esperando e vigiando para este evento, uma vez que pode acontecer a qualquer momento.
Podemos permitir que uma situação local em Atos 23 entre em contradição com todos os ensinamentos de Paulo neste assunto? Podemos dizer que os tessalonicenses, os coríntios, os filipenses, Tito e os outros crentes não deveriam ter esperado pelo Senhor porque Paulo precisava primeiro ir a Roma antes que este evento pudesse acontecer? Não, em vez disto vamos olhar cuidadosamente a situação local.
Quando o Senhor permitiu que Paulo pudesse testemunhar para Ele em Roma, Paulo já tinha escrito aos tessalonicenses e aos coríntios sobre o Arrebatamento da Igreja, e os tinha ensinado a esperar e vigiar por aquele evento. Além disso, Paulo tinha proclamado esta verdade "pela palavra do Senhor", isto é, por inspiração divina (I Ts. 4:15). Foi um segredo divino primeiro revelado a e através dele pelo Senhor glorificado (I Co.15:51). Naquela época o próprio Paulo obviamente estava esperando a vinda do Senhor a qualquer momento, como já salientamos.
Foi muito depois disto que o Senhor
revelou a Paulo que ele chegaria a Roma e seria apresentado a César.
Portanto, por enquanto Paulo, e talvez alguns de seus assessores, sabiam que
ele precisava apresentar-se a César antes que o Senhor pudesse vir para
levar Sua Igreja, mas não há indício que esta notícia
chegou à todas as igrejas ou mesmo a alguma daquelas que ele tinha fundado.
Ainda estariam vigiando pela vinda do Senhor a qualquer momento.
Quanto aos filipenses e Tito, as cartas de Paulo a eles foram escritas, evidentemente,
depois que ele já tinha estado perante César, de modo que ele
pudesse escrever-lhes legitimamente para estarem esperando pela vinda do Senhor
dos céus.
Além disso, a palavra "iminente" pode ser usada de maneira absoluta ou relativa. Na absoluta, sabemos que existe uma hora certa no plano do Senhor para "seu corpo, que é a igreja" (Cl.1:24), quando Ele virá novamente para receber os Seus a Si. Neste sentido a Sua vinda para os Seus não será "iminente", ou pendente, até um pouco antes de acontecer. Mas nós, que não sabemos quanto tempo o Senhor ainda demorará em graça, precisamos usar a palavra no sentido relativo. Para os tessalonicenses, os coríntios, os filipenses e Tito – e nós também, a vinda do Senhor para nós é iminente. Ele pode vir a qualquer hora, não sabemos quando será. Não existe tempo na dispensação da graça e ela também é sem sinais, quando se refere à Palavra revelada de Deus. Não há nada que precise acontecer, ou que precisou acontecer para cumprir uma profecia antes que a dispensação da graça seja encerrada pela vinda de nosso Senhor para os Seus. Deste modo, aos crentes da época de Paulo foi falado, como a nós também é falado hoje, que deve-se estar esperando e vigiando pela vinda de nosso abençoado Senhor para nós.
Os ensinamentos inspirados de Paulo sobre a vinda iminente de Cristo pelos Seus são tão válidos hoje quanto eram quando ele primeiro os escreveu – e são ainda mais, porque cada dia que nosso Senhor demora em vir para chamar os Seus embaixadores é mais um dia de Sua maravilhosa graça (II Co.6:2; Ef.5:15-16). Porém, enquanto devemos agradecer a Deus por Seu amor e misericórdia por esperar ainda por alguns que serão salvos – como Ele esperou por nós – nossos corações sempre devem regozijar naquela "bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo" para nos receber a Si antes que a Tribulação profetizada desabe sobre este mundo que tanto rejeita a Cristo.
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7) O epouraneous.
8) Se houver algum louvor, é lógico.
9) Refere-se a ambos em I Co.15:51-52 e I Ts.4:15-18.
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