Capítulo VI — I Tessalonicenses 5:1-11

O DIA DO SENHOR

PROFECIA vs. O MISTÉRIO

"Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva.
Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como ladrão de noite;
Pois que, quando disserem: Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão."
— I Tessalonicenses 5:1-3

I Tessalonicenses 5 inicia apropriadamente com a palavra "mas", separando o assunto do capítulo 4:15-18 com o do 5:1-3. Observe:

1) O primeiro tem a ver com o Corpo de Cristo, enquanto que o último está relacionado com o Reino de Cristo.

2) Os últimos versículos do Capítulo 4 lidam com um "mistério", um segredo, primeiro revelado através de Paulo (4:15; cf. I Co.15:51), enquanto que os primeiros versículos do Capítulo 5 lidam com as verdades proféticas que tinham sido proclamadas por muitos séculos. De fato, os dois primeiros versículos contêm três frases proféticas bem conhecidas: "dos tempos e das estações", "o dia do Senhor" e "o ladrão de noite".

3) A primeira passagem lida com o arrebatamento dos membros do Corpo de Cristo, enquanto que a última está relacionada com a volta subseqüente de Cristo para reinar na terra.

4) Os crentes de Tessalônica precisavam de mais esclarecimento sobre as verdades do Arrebatamento (3:10, 4:13-18), embora entendessem "muito bem", ou com precisão, a verdade sobre "o dia do Senhor", por esta razão Paulo pode dizer-lhes a este respeito: "não necessitais de que se vos escreva" (5:1-2).

5) I Ts.4:13-18 é dirigida a nós crentes, enquanto que I Ts.5:1-3 é dirigida a eles, os incrédulos que Cristo julgará antes do Seu reino. Na primeira passagem encontramos os verbos na primeira pessoa do plural (nós) quatro vezes e "eles" que "já dormem" serão ressuscitados para se ajuntar àqueles que estão "vivos", quando todos "seremos arrebatados juntamente com eles... a encontrar o Senhor nos ares" (4:17). Mas na última passagem "eles" são o assunto. "Quando disserem: Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição... e de modo nenhum escaparão" (5:3).

6) Finalmente, enquanto a primeira passagem termina com uma exortação de "consolai-vos uns aos outros com estas palavras" a última passagem claramente deve fazer os incrédulos temerem.

O contraste entre as duas passagens, então, é de fato marcante, e é uma grande pena que alguns homens de Deus, embora bem intencionados, confundam o dia glorioso do Arrebatamento com a calamidade do "dia do Senhor", colocando o Arrebatamento depois da Grande Tribulação, e deste modo amedrontando aqueles que deveriam estar consolando.

Antes de lidarmos com esta teoria sem base bíblica, queremos afirmar claramente que a primeira passagem diz respeito aos santos crentes de Deus e um segredo santo primeiramente revelado a Paulo, proclamando sua "esperança anterior" de redenção gloriosa da hora da ira de Deus, e dando-lhes o conforto mais abençoado. Mas a última passagem lida com um mundo que rejeita a Cristo e a "repentina destruição" que tomará conta dele, vingança de que não se pode fugir, vindo como "as dores de parto àquela que está grávida", quando finalmente os numerosos avisos proféticos sobre o assunto, por tanto tempo ignorados, serão cumpridos.

Mas alguns já perguntaram porque o Apóstolo escreveu a estes crentes sobre "o dia do Senhor" se entenderam esta verdade tão bem. A resposta é encontrada na primeira palavra do Capitulo 5: "Mas". Ao contrastar o Arrebatamento com "o dia do Senhor", Paulo enfatiza a falta de relação entre um e o outro.

O PROBLEMA EM TESSALÔNICA

I Ts.5:1-3, com "o dia do Senhor", vindo como "ladrão de noite", trazendo "repentina destruição" é notavelmente semelhante às predições de nosso Senhor em Mateus 24 relacionadas à "grande tribulação" e à Sua volta à terra para reinar.

Mas este não era o problema que estava preocupando os crentes de Tessalônica. À esta altura, certamente não estavam preocupados com o Anticristo e a Grande Tribulação. A preocupação era com os seus entes queridos que tinham morrido em Cristo. Estes agora perderiam o Arrebatamento? E a resposta de Paulo é que estes entes queridos que tinham morrido em Cristo. Estes agora perderiam o Arrebatamento? E a resresposta de Paulo é que estes ressuscitarão primeiro para encontrarem "os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor" por Seus santos. Portanto, em relação a este evento abençoado ele diz: "Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras" (4:18).

O DIA DO HOMEM
E
O DIA DO SENHOR

Para ter um claro entendimento da frase bíblica, "o dia do Senhor", precisamos compará-la com o dia do homem.

Em Deuteronômio 28 Deus prometeu ao povo de Israel que se obedecessem Suas leis Ele os colocaria "por cabeça, e não por cauda" entre as nações da terra (28:13), mas Ele também os preveniu: "Porém... se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus... ele [os gentios] será por cabeça, e tu serás por cauda" (28:15, 44).

Como sabemos, Israel apostatou, afastando-se cada vez mais de Jeová, o verdadeiro Deus, caindo na idolatria pagã, até que os impérios assírios e babilônicos levou-os embora como cativos, espalhando-os em muitas terras. Foi então, cerca de seis séculos antes de Cristo, que a dominação política passou totalmente de Israel para os gentios (Jr.15:4, 24:9 e 29:18) e Israel constatou que era "a cauda e não a cabeça" entre as nações.

Deste modo, quando nosso Senhor esteve na terra, Israel estava sob o domínio do Império Romano (Lc.2:1). Este período de dominação gentia é chamado de "os tempos dos gentios" em Lc.21:24. Deve ser observado entretanto, que tudo isto é relacionado apenas com a dominação política. Israel ainda não tinha sido afastada espiritualmente.

Quando nosso Senhor esteve na terra, Ele ensinou Seus discípulos a pagar tributo a César (Mt.22:17-21) e obedecer os escribas e fariseus quando se tratava da sua religião dada por Deus, embora os escribas e fariseus fossem hipócritas em seus motivos (Mt. 23:2-3). Desta maneira o governo político era "dos romanos" mas "a salvação vem dos judeus" (Jo.4:22).

Mas biblicamente "os tempos dos gentios" também podem ser chamados de o dia do homem. Enquanto Israel, mesmo debaixo de seus reis, foi constituída como um teocracia, com Jeová sendo a sua autoridade final, encontramos mais tarde o profeta Daniel interpretando para Nabucodonozor, o imperador da Babilônia, o sentido de uma imagem enorme de um homem que tinha visto num sonho. A cabeça era de ouro, o peito e braços de prata, o tronco de bronze, as pernas de ferro e os pés de ferro misturados com barro. Estes, como descritos em ordem, evidentemente significam os impérios da Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma – e ainda o Império Romano reanimado (Dn.2:37-43). Os metais desde a cabeça passando aos pés, descendo do ouro a prata, do bronze ao ferro e do ferro misturado com barro, significa a deterioração no governo gentio de Nabucodonozor até a "besta", a cabeça do Império Romano reanimado (Dn. 2:38-3; cf. Ap.13:1).

Daniel então predisse ainda que seria nos últimos dias destes impérios, com seus dez dedos do pé, ou reis (2:44, 7:24; Ap.13:1), que "foi cortada uma pedra, sem mãos" que desferiria um golpe nos pés e toda a estrutura desequilibrada cairia: o dia do homem chegando ao fim com a "pedra", o Senhor Jesus Cristo, golpeando "estes reinos" e estabelecendo Seu próprio reino na terra:

"Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino que não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre" (Dn.2:44).

Portanto, o dia do homem dará lugar ao "dia do Senhor", este dia sendo, logicamente, o dia quando Ele reinará sobre o mundo. Então,

"Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a altivez dos varões será humilhada, E SÓ O SENHOR SERÁ EXALTADO NAQUELE DIA" (Is.2:11).

Entretanto, um fato importante sobre a imagem de Daniel 2 passa despercebido pela maioria dos professores bíblicos, isto é, a grande lacuna entre o Império Romano da época de nosso Senhor e a reanimação futura dele. Roma, de fato, regeu como o império de ferro com Nero sendo seu último César, mas os séculos subseqüentes nos contam a história de sua queda. Tampouco, depois de 1500 anos, o império ainda não foi reanimado. (1)

Tampouco a profecia de Daniel toca nos impérios que estão entre a queda do Império Romano e a sua ainda futura reanimação, tal como o Império Britânico, cuja regência era tão vasta que por um tempo podia-se dizer: "O sol nunca se põe sobre a Inglaterra."

Porque existe esta lacuna na profecia? Porque nada é dito sobre este período de intervalo? A resposta é aquela que a maioria dos professores bíblicos, hoje, falham em enxergar, e em alguns casos até se opõem contra como se fosse uma doutrina falsa. É o fato do programa profético ter sido divinamente interrompido pela revelação do "mistério", um segredo sagrado: a entrada da "dispensação da graça de Deus" através do Apóstolo Paulo, o principal dos pecadores, salvo pela graça (Ef.3:1-4; Cl.1:24-27). Deste modo a profecia deu lugar ao "mistério" e seus mistérios relacionados, primeiro revelado a Paulo (I Co.4:1-2).

Quando o último destes "mistérios relacionados" tiver acontecido, a vinda de Cristo para levar os Seus (I Ts.4:14-17; I Co.15:51-52), Roma será reanimada, em seguida castigada por aquele que "foi cortada uma pedra, sem mãos" (2) e destruída. Depois disto acontecerá a manifestação total do "dia do Senhor".

Aqueles que falham em enxergar esta "lacuna" na profecia têm problemas reais com o que está acontecendo, ou não acontecendo, hoje. Uma dessas pessoas nos afirmou: "Vemos os dez reinos formando diante de nossos olhos!" O autor vem ouvindo isto por cinqüenta anos e está cansando um pouco. Como estes dez reinos, referidos acima, podem estar formando agora quando o Império Romano nem sequer foi reanimado? Como é verdade este ditado: "Entenda o 'mistério' e terá menos problemas entendendo as profecias."


O DIA DO SENHOR – SUA DURAÇÃO

As Escrituras têm muito a dizer sobre "o dia do Senhor", mas que período de tempo este "dia" compreende mais precisamente?

Falando em termos gerais, logicamente, o termo refere-se à época em que o dia do homem, ou "os tempos dos gentios", será completada e "só o Senhor será exaltado" (Is. 2:11,17). Mas incluirá mais do que a volta e reino em si de Cristo? Incluirá o período profetizado da tribulação, durante o qual Deus finalizará a dominação gentia? Acreditamos que sim.
Um escritor "pós-tribulação" adverte-nos para não confundir o dia da ira do diabo (Ap.12:12) com o dia da ira de Deus, e declara: "O dia do Senhor segue a tribulação e é o dia da ira do Senhor sobre aqueles que 'não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo' (II Ts.1:8)".

Mas esta interpretação não leva em conta tudo o que as Escrituras dizem sobre o dia do Senhor – e até contradiz um pouco.

Quando nosso Senhor retornar à terra em pessoa, "em labareda de fogo, tomando vingança" e "castigando" com "perdição eterna", Ele evidentemente despachará Seus inimigos imediatamente. Não há evidência que isto compreenda um período prolongado de tempo. Porém Paulo, descrevendo a chegada do dia do Senhor em I Ts.5:1-3 não diz nada sobre a volta pessoal de Cristo, mas descreve um período prolongado de sofrimentos e problemas. Leia a sua declaração atenciosamente:

"...o dia do Senhor virá como ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição, COMO AS DORES DE PARTO ÀQUELA QUE ESTÁ GRÁVIDA; E DE MODO NENHUM ESCAPARÃO" (I Ts.5:2-3).

Portanto a frase, "ladrão de noite", não é usada para descrever o repentino, mas o inesperado. O ladrão planeja sua visita para a hora quando será menos esperado (Mt. 24:43-44). Mas "as dores de parto àquela que está grávida", ilustra um tempo prolongado de sofrimento aumentando em intensidade.

Quando o Anticristo quebrar sua aliança com Israel "na metade da semana" (Dn. 9:27), "destruição" repentina começará, mas isto não quer dizer que acabará num momento. Em vez disso, "lhes sobrevirá" repentinamente, e será "como as dores àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão".

Sugerimos que isto é uma ilustração da "grande tribulação" com muito mais precisão do que a volta de Cristo em si, porque durante a Grande Tribulação os problemas do mundo, sem dúvida, aumentarão em freqüência e intensidade, "e de modo nenhum escaparão".

Veja bem, esta "destruição", que acontecerá durante "o dia do Senhor", tomará conta deste mundo ímpio inesperadamente, justamente quando todos estarão se felicitando de terem alcançado a "paz e segurança" (I Ts.5:3).

Agora, pense com cuidado. Haverá alguém dizendo: "Paz e segurança" no fim da grande tribulação? Haverá alguém regozijando na "paz e segurança" enquanto a batalha de Armagedom está sendo travada? Como então, esta passagem sobre "o dia do Senhor" pode referir-se apenas à volta de Cristo no fim da Tribulação? Mas quando vemos que "o dia do Senhor" começa com a Tribulação, em vez de depois dela, tudo está em ordem.

Como sabemos, os sete anos da Tribulação começarão com o cavaleiro do cavalo branco (Ap.6:1-2), evidentemente o Anticristo (cf.Ap.19:1) que "saiu vitorioso, e para vencer". Como Antiochus Epiphanes, ele "virá caladamente, e tomará o reino com engano" (Dn.11:21). Ele gozará a vida e trará ao mundo um tipo de paz que lhe dará fidelidade universal. "Paz e segurança!" o mundo exclamará. (3)

Mas sobre o cavaleiro do próximo cavalo lemos: "foi dado que tirasse a paz da terra" (Ap.6:4). Então segue a guerra, fome e morte (6:3-8).

Aí está! Os nossos irmãos pós-tribulação dizem que "o dia do Senhor segue a tribulação". Paulo em I Ts.5:1-3 torna claro que o dia do Senhor inclui a Tribulação. Eles colocaram os homens nas horas mais terríveis do fechamento da Tribulação, dizendo: "Paz e segurança!" Eles tem o julgamento rápido do Senhor sobre os incrédulos descritos como "as dores àquela que está grávida!" Nada encaixa.

Mas existe mais evidência das Escrituras contra o ponto de vista "pós-tribulação". Dois parágrafos de um artigo escrito pelo Pastor Art Sims resume bem o que queremos dizer:

"Acreditamos daquilo que está escrito em Ap.1:10 que o Apóstolo João foi transportado para o futuro 'Dia do Senhor' e foi instruído a escrever aquilo que ele viu. O que ele escreveu? Escreveu apenas sobre aquilo que acontecerá depois da Tribulação, ou escreveu sobre os eventos que acontecerão durante a Tribulação também? Lembre-se, ele escreveu sobre aquilo que viu no 'Dia do Senhor'.

Em Apocalipse 15 e 16 está escrito sobre as sete taças 'da ira de Deus' sendo derramadas sobre a terra. Mas não está escrito sobre a vinda de Cristo na batalha de Armagedom até as taças de número 6 e 7. Isto significa que pelo menos 5 taças da ira de Deus são derramadas antes que a tribulação chegue ao fim. Além disso, está escrito que nestas taças 'é consumada a ira de Deus' (15:1), o que claramente demonstra que dão início a conclusão de alguma coisa que já estava acontecendo. Então, como é possível alegar que a ira de Deus virá somente depois que a tribulação terminou?" (Berean Searchlight, fevereiro de 1979, p. 342).

Não, o arrebatamento do Corpo de Cristo para estar com Ele não seguirá a Tribulação; mas, sim, precederá a Tribulação. "Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras" (I Ts.4:18) e continuem alegremente a "servir o Deus vivo e verdadeiro...e esperar dos céus a seu Filho... que nos livra da ira futura" (I Ts.1:9-10).

Mas acreditamos que pode ser demonstrado ainda das Escrituras que não somente "o dia do Senhor" nos leva de volta para antes das "dores" do período da tribulação, mas nos leva até antes de seu começo, porque os primeiros três anos e meio da Tribulação são a introdução para o resto.

Aqui precisamos perguntar: o que causará os homens a dizerem "Paz e segurança" na primeira parte deste período de 7 anos? Sem dúvida será o sucesso do Anticristo como líder mundial. Mas então, depois de três anos e meio, ele será completamente revelado enquanto senta no templo de Deus, apresentando-se como Deus (II Ts.2:4), e então virão os horrores da "grande tribulação".

Deve ser observado que nem todas as guerras começam com batalhas, e aqui Deus começa a guerrear contra este mundo que rejeita a Ele simplesmente permitindo que eles acreditem na grande mentira que sempre quiseram acreditar. Como isto pode ser afirmado mais claramente do que em II Ts.2:7-12, que em parte diz o seguinte:

"...porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não crêem a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade".

Deste modo, tirando a influência restringente do Espírito Santo na Igreja, Deus entregará os homens ao Anticristo (II Ts.2:7-8). Isto concorda com as palavras de nosso Senhor em Jo.5:43,

"Eu vim em nome de meu pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis."

E, como dissemos, isto nos leva de volta para o começo do período de 7 anos da tribulação, o qual dá entrada para os julgamentos de Deus pela graça rejeitada.

Tudo isto, então, é incluído no "dia do Senhor" no seu sentido mais amplo, porque é assim que Deus começará a trazer o dia do homem, ou "os tempos dos gentios" para um fim, e porá no trono Seu Filho amado como "Rei do reis e Senhor dos senhores".

TENDO CERTEZA

"Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão;
Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas.
Não durmamos pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios.
Porque os que dormem dormem de noite, e os que se embebedam embebedam-se de noite.
Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e da caridade, e tendo por capacete a esperança da salvação.
Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo,
Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele.
Pelo que exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis."
— I Tessalonicenses 5:4-11

Como se o Apóstolo não tivesse mostrado o suficiente a distinção entre a vinda de nosso Senhor para levar os Seus e o retorno subseqüente à terra para reinar, ele ainda insiste em enfatizar esta diferença. Isto sem dúvida é uma indicação da importância do assunto e justifica o autor desta obra em lidar com ele da forma compreensível com que procurou escrever.

A palavra "mas", repetida no v.4, enfatiza outra vez esta distinção. "O dia do Senhor" surpreenderá a eles, o mundo que rejeita a Cristo, "como ladrão de noite", mas os membros do Corpo de Cristo pertencem a uma categoria totalmente diferente – não apenas porque são salvos e o mundo ao seu redor não o é, mas porque não estarão aqui durante a "noite" da Tribulação.

DIA E NOITE

Alguns já compararam os vs.4-5 aqui com o caso dos israelitas no Egito durante as "trevas espessas" da nona "praga". Para os egípcios houve "trevas espessas" por "três dias", mas por todo este tempo "os filhos de Israel tinham luz em suas habitações" (Êx.10:21-23).

Porém, estes dois casos não são exatamente paralelos, porque as trevas e a luz no caso de Israel e Egito eram simultâneas, os israelitas desfrutando da luz enquanto que os egípcios sofreram nas trevas. Mas aqui, em I Ts.5:4-5, o dia e noite são consecutivos; a noite seguindo o dia. O Apóstolo, ao nos exortar para "confortar uns aos outros" com a verdade do Arrebatamento, não diz uma palavra sequer sobre Deus nos ajudando, ou nos protegendo através da Tribulação. E ele não teria feito isto se o Arrebatamento seguisse a Tribulação?

Acreditamos que o leitor comum de I Ts.4:15-18 e I Ts.5:1-3 reconheceria naturalmente que estes dois casos são eventos consecutivos, não simultâneos, nosso Senhor primeiro vem para levar os Seus deste mundo e então o julga. Isto concorda com o que o Apóstolo diz aqui sobre a noite e o dia, porque é depois deste dia abençoado da graça, depois que este "dia da salvação" (II Co.6:1-2) for encerrado pelo arrebatamento da Igreja, que este mundo será lançado na noite escura da Tribulação.

Portanto, Paulo não está meramente dizendo que "nós" somos da luz enquanto que "eles" são das trevas, mas como somos "os filhos do dia" e não "da noite" (5:5), pertencemos à uma categoria inteiramente diferente. Já teremos sidos "arrebatados" e o "dia da salvação" já terá sido encerrado quando o ladrão vier "na noite" para saquear este mudo que rejeita a Cristo.

E é nessa base que somos exortados a não dormir, mas vigiar e ser sóbrios (5:6). Não somos instruídos a estarmos acordados e prontos para espantar o ladrão, porque o dia do Senhor não pode surpreender-nos como um ladrão, pela simples razão que o dia do Senhor virá (como um ladrão na noite) depois que já fomos arrebatados (I Ts. 5:4-5). Portanto, o Apóstolo exorta-nos a vigiarmos e sermos sóbrios pela melhor razão: porque as trevas da Tribulação ainda não vieram e para nós ainda é dia.

"...nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios" ( ITs.5:5-6).

De acordo com o v.7, à noite é quando as pessoas dormem ou entregam-se à festança, mas para nós não é à noite, portanto

"...nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, (4) vestindo-nos da couraça da fé e da caridade, e tendo por capacete a esperança da salvação" (I Ts.5:8).

Como é tranqüilizador: fé e amor são a couraça para o coração, e a esperança da salvação um capacete para a cabeça, e portanto,

"E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (Fp.4:7).

Mas o que é esta "esperança da salvação" da qual ele fala no v.8? É a nossa salvação da penalidade do pecado? Não exatamente; é a nossa salvação da "ira futura" e, de fato, nossa salvação completa (Cf. Rm.8:23, 13:11), porque mais uma vez ele refere-se à vinda do Senhor por nós:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo,
Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, (5) vivamos juntamente com ele" (I Ts.5:9-10).

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1) Bem que recordamos a vanglória de Benedito Mussolini: "Levantem seus corações, suas bandeiras, suas espadas, para saudarem, depois de 1500 anos, o reaparecimento de um império nas colinas fatídicas de Roma!" Mas logo depois Mussolini estava dependurado pelos pés numa praça de Roma enquanto os transeuntes cuspiam em seu rosto.
2) Isto será totalmente a obra de Deus.
3) Lembramos muito bem o dia quando Edward R. Stettinius, Jr., o Secretário de Estado dos EUA e representante dos EUA para a conferência de abertura das Nações Unidas no dia 25 de abril de 1945, abriu a conferência com uma declaração que as nações agora precisavam mais do que paz: precisavam de paz e segurança. Ele então pediu que todos "fizessem um minuto de silêncio – para meditar!"
4) Sob controle mental e emocionalmente. O oposto de bêbado.
5) Cf. 4:15-17, os vivos e os mortos.

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