Capítulo VII — I Tessalonicenses 5:12-28

EXORTAÇÕES FINAIS

NOSSA ATITUDE PARA COM
NOSSOS LÍDERES ESPIRITUAIS

"E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam;
E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós."
— I Tessalonicenses 5:12-13

As palavras de fechamento de Paulo na Primeira Epístola aos Tessalonicenses são preenchidas de exortações sãs e práticas que todos nós devemos considerar sinceramente. Existe na maioria de nós, para não dizer em todos, a tendência natural de estarmos interessados nas coisas maravilhosas que o Espírito preparou para nós, mas perdemos o interesse quando Ele começa a aplicar estas verdades abençoadas na prática, conforme a nossa conduta. Entretanto, é o curso da sabedoria e da humildade, que, em oração, demos a estas exortações a nossa completa atenção.

Em 5:12-13, o Apóstolo lida com o relacionamento do crente com seus líderes espirituais e exorta-o a reconhecê-los "e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra".

Vivemos numa época em que há muito desrespeito pela autoridade, então é natural que muitos olhem para a Igreja como um tipo de democracia, na qual todos são iguais. Mas isto vai contra as Escrituras e é errado. Somente perante Deus somos todos iguais, não nos nossos relacionamentos um com o outro. Também não podemos aceitar a posição dos chamados Plymouth Brethren (a Igreja dos Irmãos), embora temos amor e respeito por estes irmãos. Eles dizem: "Deixe que o Espírito tome conta", e permanecem sentados em silêncio nas suas reuniões, esperando que o Espírito conduza alguém a falar. Isto pode parecer bom mas não é bíblico e tampouco é realista, porque deve ser evidente para algumas pessoas que freqüentam regularmente estas reuniões que alguns que falaram não eram conduzidos pelo Espírito Santo. E aqueles que dirigem suas reuniões nesta maneira deixam a porta aberta para a ação da carne, em vez do Espírito de Deus.

Considerando as Escrituras sobre este assunto, podemos começar bem aqui em I Ts.5:12, onde o Apóstolo refere-se àqueles que "que presidem sobre vós no Senhor" e admoesta os crentes a reconhecê-los1 "e que os tenhais em grande estima e amor". De fato, no v.14 ele dá instruções para que "admoesteis os desordeiros". Em Hb.13:7 o escritor entra em mais detalhes ainda quando diz:

"Obedecei a vossos pastores, (2) e sujeitai-vos a eles...".

Em Ef.4:11 é afirmado que nosso Senhor ascendido "deu uns para... pastores e doutores"; não foi um hoje e outro amanhã, conforme o Espírito conduz, mas certos homens Ele chamou para ser "pastores e doutores". Isto tem mais ênfase em I Coríntios, também escrito numa época quando os dons do Espírito ainda estavam operantes. Em I Co.12:28 o Apóstolo diz: "E UNS PÔS DEUS na igreja" e entre eles estão os "doutores", mestres reconhecidos, postos ali por Deus, o que certamente não sugere que uma congregação espere para alguém levantar-se e falar o que ele sente que o Espírito o conduza a falar. E Paulo continua em 12:29, "Porventura... são todos doutores?", claramente indicando que certos indivíduos são chamados por Deus para este ministério. É natural, mesmo entre crentes, desejar a preeminência, mas tanto aqueles em autoridade quanto aqueles que são pedidos para se submeterem a ela, devem ser sinceros ao lembrar o ditado popular: "Quanto poderíamos realizar se não nos importássemos com quem ganha o crédito".

Tudo isto não implica que Deus não pode revelar alguma verdade abençoada para alguém que nunca pregou antes, mas confirma o que I Tm.3:1 diz sobre "o episcopado".

Nada é tão desonroso a Deus quanto à vontade própria e a confusão na Igreja. De fato, devemos ser bereanos e testar o que ouvimos nas Escrituras, permanecendo a ordem entre nós que defendemos as mesmas grandes doutrinas e o respeito amoroso pela autoridade dada por Deus.

Nesta época de rebelião e desrespeito pela autoridade devemos considerar isto seriamente, porque a Palavra de Deus ensina isto sobre posições de autoridade dentro da Igreja. (3) Portanto,

"...E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam;
E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós" (5:12-13).

Não pode haver paz onde não se tem respeito pela ordem e autoridade. Uma conduta indisciplinada só pode criar o caos. Por isso, o Apóstolo exorta não apenas aqueles em posição de autoridade, mas os "irmãos" em geral, que "admoesteis os desordeiros".

NOSSO RELACIONAMENTO
ENTRE NÓS MESMOS E
PARA COM TODOS

"Rogamo-vos também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos.
Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos."
— I Tessalonicenses 5:14-15

A graça nos ensina a reconhecer aqueles que estão acima de nós e para sermos pacientes e gentis para com aqueles que estão abaixo de nós – e demonstrar a união do Corpo.

Deste modo os "desordeiros", aqueles que não reconhecem a autoridade dada por Deus, devem ser avisados das conseqüências de sua conduta, para com eles mesmos, para com a congregação como um inteiro e com a causa de Cristo.

Um pastor amigo deste autor, comentou sabiamente, recentemente, em relação ao ataque ferrenho que um jovem estava promovendo contra o ponto de vista de uns irmãos mais velhos. O pastor disse: "Ele está tão confiante em si mesmo. O mero fato de que alguns de nossos irmãos mais piedosos discordem com ele deveria fazer com que ele parasse para pensar. Pelo menos eu penso assim."

Isto é verdade e uma atitude deste tipo fará com que sejamos um bereano no verdadeiro sentido da palavra, porque existe uma diferença entre uma atitude de teimosia e aquela de um verdadeiro bereano.

Quanto aos "de pouco ânimo", (4) muitas igrejas têm um ou mais desses. E também são membros do Corpo de Cristo, membros menos afortunados, que devem receber palavras gentis de encorajamento daqueles que estão em melhor posição. Quando o autor era mais jovem, várias vezes ficou comovido ao ver um grande homem de Deus ter o trabalho de dar alguma palavra de ânimo para este tipo de pessoa. Pensavam que ele era o amigo deles de verdade – e de fato era, nunca era "grande" demais para não ser um amigo.

Do mesmo caráter é a exortação do Apóstolo Paulo, "sustenteis os fracos". Em Rm.15:1 ele diz:

"Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos."

De fato, em relação àqueles que procurava ganhar para Cristo, ele disse:

"Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns" (I Co.9:22).

Em 5:14, "sejais pacientes para com todos", indica que esta atitude de humildade e graça deve ser estendida não apenas para com aqueles na nossa congregação, mas a todos. De fato, "a caridade é sofredora, é benigna" (I Co.13:4). Portanto, ele termina esta seção com a exortação:

"Vede que ninguém dê a outrem mal por mal...".

Isto mais uma vez é a responsabilidade, não apenas do pastor, mas de toda a congregação. Ao dar o exemplo, eles devem admoestar os desordeiros e certificar-se de que a maldade não seja retribuída, a menos que feridas na assembléia inflamem e a maldade crie mais da mesma.

E outra vez temos aquela palavra dioko, "seguir": (5)

"... mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos."

Seria um grande "ingrediente de segurança" em qualquer congregação se seus membros fugissem destas coisas que causam a rebelião, a maldade e a má vontade, e perseguissem o amor mútuo e o entendimento.

ACONSELHAMENTOS FINAIS

"Regozijai-vos sempre.
Orai sem cessar.
Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
Não extingais o Espírito.
Não desprezeis as profecias;
Examinai tudo. Retende o bem.
Abstende-vos de toda a aparência do mal.
E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.
Irmãos, orai por nós.
Saudai a todos os irmãos em ósculo santo.
Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos.
A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém."
— I Tessalonicenses 5:16-28

REGOZIJAR, ORAR, DAR GRAÇAS

Não é notável que a primeira destas exortações finais seja: "Regozijai-vos sem cessar"!? A adversidade também não precisa impedir o nosso regozijo, porque devemos nos ver como Deus nos vê, em Cristo, "aceito" e "amado". Deste modo o Apóstolo exorta os santos de Filipos:

"Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos" (Fp.4:4).

Quando consideramos tudo o que somos e temos em Cristo, temos muitas razões para regozijar-nos sem cessar, do mesmo modo que o Apóstolo Paulo regozijava quando estava sobrecarregado e oprimido com preocupações e atormentado pelas perseguições, ele se representava "como contristados, mas sempre alegres" (II Co.6:10). Um coração alegre e agradecido ajudará muito a tornar o nosso serviço para Cristo mais recompensador.

A exortação "orai sem cessar" não deve ser entendida como significando que devemos orar continuamente – isto seria impossível – mas nunca devemos cessar de orar, nunca devemos deixar de orar. Como é grande a bênção do convite de Deus para o acesso livre à Sua presença, tão graciosamente estendido a nós! (Veja Rm.5:2; Ef. 2:18; Hb.4:16). Como é um bálsamo para os cansados e atribulados "entrar no santuário, pelo sangue de Jesus" (Hb.10:19) para que as nossas "petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ações de graças" (Fp.4:6)! Falando com Ele do coração desta maneira é a segunda maior bênção que temos depois de deixar que Ele fale conosco de Seu coração pelas Escrituras.

As palavras "em tudo dai graças" no v.18, incluem a idéia de ter prazer. (6) Devemos ter prazer com gratidão para deixar que Ele faça o que quiser conosco "em tudo". Esta é "a vontade de Deus" em relação a nós. E, lembre-se, todo o plano da salvação foi centralizado "em Cristo Jesus". Da mesma maneira que Ele tem prazer em nós – charis é a palavra grega para "graça" – nós devemos ter prazer com gratidão no Seu prazer de nós – prazer mútuo! E deve ser assim, independente das circunstâncias, porque o que temos e somos em Cristo não muda.

NÃO EXTINGAIS – NÃO DESPREZEIS
EXAMINAI TUDO

Alguns irmãos não vêem com bons olhos o ponto de vista que é possível resistir ou impedir a obra do Espírito Santo, de qualquer forma. Talvez estes irmãos tenham esquecido de que Deus criou o homem à Sua própria imagem, com capacidade para pensar, planejar e decidir. E, embora esta imagem tivesse sido desfigurada através da queda, não foi destruída, porque é do homem na sua condição atual que o Apóstolo declara: "Porque é a imagem de Deus" (I Co.11:7).

Deste modo, o crente pode deixar de dar ao Espírito livre acesso na sua vida (I Tm. 4:14; II Tm.1:6), ou pode entristecer o Espírito (Ef.4:30), ou pode extinguir a Sua obra, nele mesmo ou, como pode parecer no v.20, através dos outros.

O dom da profecia ainda estava sendo exercido quando Paulo escreveu suas cartas aos tessalonicenses. De fato, aos coríntios ele escreveu mais tarde:

"Segui a caridade, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar" (I Co.14:1).

"Portanto, irmãos, procurai com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas" ( I Co.14:39). (7)

Isto era porque todas as verdades do "mistério" ainda não tinham sido reveladas e a Palavra escrita de Deus ainda não estava completa. Deste modo Deus ainda comunicava freqüentemente a Sua Palavra através das bocas dos santos, que podiam dizer: "Assim diz o Senhor", enquanto o Espírito se expressava neles. Hoje, em comparação, podemos apenas dizer "Assim diz o Senhor", enquanto apontamos para a Palavra escrita.

Na época dos tessalonicenses, entretanto, podia-se extinguir o Espírito Santo desprezando a profecia de algum irmão em Cristo. Porém, nem sempre tudo que o irmão dissesse era de fato a Palavra do Senhor, por isso o Apóstolo continua a dizer: "Examinai tudo. Retende o bem" (I Ts.5:21, cf. I Co.2:15; Fp.4:8).

DEUS É FIEL – NÓS TAMBÉM DEVEMOS SER

"Abstende-vos de toda a aparência do mal" (I Ts.5:22).

Alguns irmãos traduzem a palavra grega eidos como "forma" em vez de "aparên-cia", como aparece aqui. Mas acreditamos que os tradutores da Bíblia tinham uma percepção melhor do sentido desta exortação.

Se o termo deve significar "toda forma de maldade", uma palavra mais forte que "abster" deveria ter sido usada em relação a ela, porque existem muitas formas de maldade das quais não devemos apenas nos afastar, mas fugir. Além disso, a palavra eidos, aqui traduzida "aparência", basicamente significa aquilo que agrada a nossos olhos. Portanto, o Apóstolo diz, abstenha-se de qualquer coisa que tenha a aparência do mal, porque se você ceder, seu testemunho será fraco para Cristo. Uma boa ilustração poderia ser aquela do diácono que estava tomando um refrigerante em frente de uma boate! Imediatamente todos ficariam sabendo que ele tinha "bebido"! É com isto em mente que o Apóstolo profere a bênção:

"E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plena- mente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é o que vos chama, o qual também o fará" (I Ts.5:23-24).

Foi o grande desejo do Apóstolo que, estando totalmente consagrados a Deus, o espírito, alma e corpo (8) inteiro deles poderia ser preservado irrepreensível até a vinda do Senhor por eles (5:23, cf. I Co.1:8; I Ts.3:13).

E Paulo adiciona a verdade confortante que Aquele que os chamou é fiel; Ele man- terá a Sua palavra (5:24, cf. I Co.1:9; Fp.1:6). Não deve ser esquecido que nesta liga- ção Paulo chama a Deus de "o mesmo Deus de paz" (5:23), porque é somente enquan- to Deus nos santifica inteiramente a Si que podemos gozar da verdadeira paz e felici- dade. É feita a mesma ligação em Hb.13:20-21, onde está escrito:

"Ora o Deus de paz. . . vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre".

E agora o Apóstolo pede aos santos de Tessalônica para orarem por ele. Com quanta freqüência ele faz este pedido em suas epístolas!

Ele era um homem com as mesmas paixões como os outros, sujeito às mesmas tentações, empenhado num ministério dado por Deus que provocou a inimizade mais severa de Satanás, freqüentemente exposto aos perigos mais sérios. Além disso, ele não era a pessoa ousada que muitas pessoas acham que é. Uma dezena de Escrituras provam este fato e ele mesmo admitia isso espontaneamente (I Co.2:3) e freqüentemente pedia aos outros que ajudassem através de suas orações (Ef.6:18-20).

O ÓSCULO SANTO


"Saudai a todos os irmãos em ósculo santo" (I Ts.5:26).

Esta passagem precisa de atenção especial. Muitos já escreveram artigos longos sobre ela e, em geral, chegaram a duas conclusões básicas:

1) Uma vez que o costume na época evidentemente era dar um beijo como forma de se cumprimentar – como ainda o é hoje em algumas partes do mundo – esta passagem não nos obriga a saudar um ao outro exatamente da mesma maneira e nem tampouco obriga-nos a lavar os pés dos santos ou qualificar uma viúva cristã para a "pensão da viúva" (I Tm.5:10).

2) De qualquer forma, a passagem é escrita diretamente para e sobre os "irmãos" e não ensina ou aprova o beijo promíscuo.

Talvez o contexto de uma passagem paralela em I Co.16:20 ilustrará melhor como esta admoestação compreende mais do que apenas uma questão técnica sobre um modo de saudação.

Em I Co.16:19 temos:

"As igrejas da Ásia vos saúdam."

Paulo sem dúvida tinha falado aos santos destas igrejas sobre a grande obra que Deus tinha feito em Corinto e é possível que ele tinha pedido que lembrassem dos irmãos de Corinto em suas orações. E agora, os irmãos de todas estas igrejas da "Ásia" tinham pedido a Paulo que entregasse as saudações deles aos crentes de Corinto. E o Apóstolo continua:

"Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áqüila e Priscila, com a igreja que está em sua casa."

Áqüila e Priscila eram os amados irmãos que faziam tendas e tinham dado serviço a Paulo e um lugar para ficar quando ele primeiro veio a Corinto (At.18:3). Eles tinham testemunhado a fundação desta grande congregação, observando de perto a bênção de Deus sobre o ministério de Paulo ali e devem ter discutido isto com os membros da "igreja que está em sua casa". E agora eles todos juntaram-se a Áqüila e Priscila em mandar suas saudações muito ("afetuosamente") especiais.

Então, no v.20: "Todos os irmãos vos saúdam."

É contra este pano de fundo que o Apóstolo continua:

"Saudai-vos uns aos outros...."

As igrejas da Ásia mandam saudações, Áqüila e Priscila mandam saudações muito especiais, a igreja na casa deles também manda saudações. De fato, todos os irmãos vos saúdam. Agora, saudai-vos uns aos outros! Com ênfase no "vos".

Você já freqüentou uma igreja onde o "clima" era frio e ameaçador? Ninguém disse: "Bom dia! É bom ver você" ou apertaram sua mão calorosamente. Depois da mensagem todos saíram da igreja em fila indiana, quase não se falando e muito menos com você. Você gostaria de voltar para uma igreja deste tipo?

Evidentemente, a igreja de Corinto ficou assim. Primeiro, não tinham crescido na graça ou no conhecimento da Palavra e tinham que ser alimentados com "leite", como bebezinhos incapazes de digerir a comida sólida das Escrituras.

Como resultado, havia contenções entre eles, enquanto as várias "panelinhas" na congregação defendiam seus pastores favoritos e rebaixavam os outros. Eles estavam se "ensoberbecendo a favor de um contra outro" (I Co.4:6), cada um pensando que ele mesmo era o mais qualificado para julgar. Alguns se vangloriavam de seus dons espirituais, outros estavam processando juridicamente um irmão perante incrédulos, enquanto que outros profanavam o que deveria ter sido uma reunião preciosa de comunhão, espalhando festas na igreja para eles mesmos e para seus amigos enquanto que outros tinham pouco ou nada. Além disso, não eram nem um pouco generosos com seu dinheiro (que foi dado por Deus) e freqüentemente eram muito desrespeitosos uns com os outros, enquanto suas mulheres falavam audaciosamente nas reuniões e todos eram, em geral, pobres exemplos do amor e graça de Deus.

Parecia que todos estavam fazendo o que bem entendiam, e não por amor. Este era o tipo de congregação onde os membros individuais não eram propensos a se cumprimentar calorosamente – exceto dentro de cada "panelinha". Em vez disso, havia a tendência para suspeitas, maus sentimentos, fofocas e criticas.

Esperando agora que suas exortações sensibilizassem os seus corações, o Apóstolo praticamente diz: Todos daqui e os da "Ásia" mandam saudações. Agora "Saudai-vos uns aos outros – e fazei-o de todo o coração (isto é, "com ósculo santo").

Como isto deveria falar às assembléias onde o verdadeiro amor fraternal desapareceu! Sem dúvida ele falaria hoje: "Saudai-vos uns aos outros com um aperto de mão caloroso".

Em muitas igrejas os membros se cumprimentam com um aceno de cabeça ou com uma palavra, mas só fazendo isto podem até aumentar a frieza do "clima". Quando o João entra na igreja, vê o José, o qual não "tolera". João cumprimenta o José dizendo apenas "Noite" e o José responde da mesma forma. Os dois continuam andando apenas "Noite" e o José responde da mesma forma. Os dois continuam andando pensando: "Que cumprimento frio!"

Poderia ter sido bem diferente se João tivesse dado um cumprimento caloroso e um forte aperto de mão junto com o seu "Noite". Então talvez o José teria respondido calorosamente e os dois teriam se sentido melhor um com o outro.

É isto, à luz do contexto, que o Apóstolo Paulo queria dizer com sua exortação: "Saudai a todos os irmãos em ósculo santo". Saudai-vos uns aos outros calorosamente e sinceramente, a palavra "santo" enfatizando a sinceridade do cumprimento. É desta maneira que entendemos I Ts.5:26.

Finalmente chegamos na ordem do Apóstolo para que a carta seja lida a todos da congregação. A importância disto será vista enquanto consideramos a segunda epístola de Paulo aos tessalonicenses porque já existia um problema que ameaçava aumentar.

E mais uma vez temos a bênção:

"A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco" (5:28).

O coração do Apóstolo estava transbordante com a graça infinita que Deus de- monstrava para com ele, para com um mundo de pecadores e aos membros indignos da Igreja! Abrindo e fechando suas epístolas com bênçãos de graça e constantemente tratando os vários aspectos da graça de Deus a pecadores e a santos, ele era preeminentemente o Apóstolo da graça, levantado para dar entrada à atual "dispensação da graça de Deus".


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1) No grego: eido – reconhecê-los com sendo "acima de vós".
2) Nota do tradutor: Infelizmente os tradutores da Bíblia na Versão Corrigida deixaram muita margem para especulação quando traduziram esta palavra "pastores". Quando examinamos a Versão Atualizada encontramos a palavra traduzida como "guia". Esta última tradução é mais próxima da palavra original, embora ainda deixe a desejar. A palavra no grego é hegeomai, que significa: ter autoridade sobre. Portanto, é bastante próxima do termo usado em I Ts.5:12 e é esta ligação que o autor deseja fazer.
3) O autor entra em mais detalhes acerca deste assunto em seu comentário sobre As Epístolas Pastorais, Capítulo 1, "Meu Verdadeiro Filho".
4) Alguns gostariam de traduzir a palavra grega oligopsuchos assim: "de pouco ânimo" ou "desanimado", mas "de pouco ânimo" parece concordar melhor com o contexto, pois segue depois "sustenteis os fracos".
5) Literalmente, perseguir, como o caçador persegue sua caça.
6) No grego é eucharisteo: dar graças com prazer. Vem da palavra charis: aquilo que dá prazer.
7) Entretanto, não se deve esquecer que o Apóstolo já estava predizendo que os dons da profecia e línguas iriam ser "aniquiladas" (Veja I Co.13:8).
8) Sempre intrigou o escritor como alguns grandes homens de Deus podem, à luz da Palavra escrita, sustentar que o homem é composto apenas de um homem interior e de um exterior. Aqui o Apóstolo claramente esboça a composição do homem como sendo "espírito, e alma, e corpo", enquanto que Hb.4:12 declara que "a Palavra de Deus"... "penetra até a divisão da alma e do espírito".

 

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