GRAÇA E PAZ — JULGAMENTO E GUERRA
GRAÇA E PAZ
"Paulo, e Silvano, e Timóteo,
à igreja dos tessalonicenses, em Deus nosso Pai e no Senhor Jesus Cristo.
Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus
Cristo.
Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como
é de razão, porque a vossa fé cresce muitíssimo
e a caridade de cada um de vós abunda nuns para com os outros.
De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de
Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições
e aflições que suportais."
— II Tessalonicenses 1:1-4
Os dois primeiros capítulos de II Tessalonicenses novamente dão aos membros do Corpo de Cristo uma forte segurança de que não serão tragados na Tribulação vindoura e nem no derramamento da ira de Deus.
Em primeiro lugar, esta epístola, como a anterior, começa com a bênção:
"Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo" (1) (1:2).
Observe: Paulo escreve esta bênção sem qualquer palavra de aviso, conforto ou encorajamento em relação ao "dia da ira [de Deus]", evidentemente porque eles não têm uma ligação com isto. Certamente, se tivessem que atravessar a Tribulação profetizada, a omissão de conforto e encorajamento não teria perdão.
Em segundo lugar, estes versículos falam de um ministério crescente da graça, não uma última tentativa de defesa contra as forças do mal como será feito pelos remanescentes na Tribulação.
Se o Apóstolo regozijava na fé, amor e esperança deles quando escreveu-lhes a sua primeira epístola (I Ts.1:2-3), agora ele tinha muito mais razão, porque, no meio da perseguição ferrenha, a fé deles tinha crescido "muitíssimo", o amor deles uns para os outros abundava e eles suportavam as perseguições e tribulações com "paciência e fé".
Deus tinha usado essas perseguições e aflições para fortalecê-los espiritualmente, para aumentar a sua fé, para estimular-lhes o zelo e aprofundar-lhes o gozo.
E nunca foi diferente. O mundo não vê o esforço, o sofrimento e o sacrifício como sendo ingredientes para a felicidade. O homem procura a prosperidade, o prazer e a segurança. Mas "a vida qualquer não consiste na abundância do que possui" (Lc.12:15) e o conforto e prazer deste mundo são apenas "por pouco tempo". Dar a nós mesmos em sacrifício a Ele, que se deu por nós – este é o segredo da bênção espiritual. É verdade, a perseguição e as aflições que a acompanham, não são fáceis de suportar, mas podem ser abençoadamente santificadas pela graça de Deus quando as suportamos pacientemente. Isto é retratado belamente em Rm.5:2-5:
"...nos gloriamos na esperança
da glória de Deus.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações;
sabendo que a tribulação produz a paciência,
E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus
está derramado em nossos corações pelo Espírito
Santo que nos foi dado."
E isto é apenas o começo:
"Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente" (II Co.4:17).
Assim o Apóstolo pôde gloriar (2) dos crentes de Tessalônica nas outras igrejas, enquanto que eles pacientemente suportavam suas tribulações.
JULGAMENTO E GUERRA
"Prova clara do justo juízo
de Deus, para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, (3) pelo qual
também padeceis;
Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação
aos que vos atribulam,
E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar
o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder.
Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a
Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;
Os quais por castigo padecerão eterna perdição, ante a
face do Senhor e a glória do seu poder.
Quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável
naquele dia em todos os que crêem (porquanto o nosso testemunho foi crido
entre vós).
— II Tessalonicenses 1:5-10
A agressividade e ódio dos perseguidores, enquanto ressaltava a paz e alegria daqueles que estavam sendo perseguidos, era "prova clara do justo juízo de Deus" (1:4-5), porque os crentes perseguidos já estavam melhores do que seus perseguidores! Observe: isto era apenas uma "prova", embora fosse uma prova "clara", do julgamento real por vir, quando os versículos 6-10 serão realizados.
Uma comparação com Fp.1:28 faz com que esta situação pareça ainda mais uma "prova clara" para eles, os perseguidores, do julgamento por vir. Veja bem:
"E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas para vós de salvação, e isto de Deus."
"Os corações e mentes deles estão preocupados com pensamentos apreensivos porque vêem a vossa constância," diz o Apóstolo "enquanto que vós sois encorajados com a segurança de que Aquele que vos sustenta agora vos fará vitoriosos no fim."
A situação atual deles, dizemos, era "uma prova... do justo juízo de Deus", porque o julgamento em si ainda estava por vir. Observe:
"Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder" (I:6-7).
Ah, outra vez a verdade é enfatizada. Quando o Senhor Jesus vier do céu com os anjos de Seu poder (isto é, em julgamento), eles, os incrédulos, sofrerão "tribulação", enquanto que os odiados crentes estarão desfrutando de "descanso – conosco". Paulo não tinha dúvida alguma qual seria a sua circunstância naquela hora!
Observe ainda: a situação atual deles também era uma "prova clara" para eles, os crentes, que é justo de Deus retribuir tribulação àqueles que incomodaram o Seu povo e a eles mesmos "descanso", (4) o descanso glorioso com Cristo e Seus redimidos.
Portanto, a passagem em Filipenses 1 continua para nos mostrar que a perseguição não deve ser considerada uma calamidade, mas uma honra e um privilégio:
"Porque a vós foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele" (Fp.1:29).
Antes de prosseguir até o julgamento que será conferido durante a Tribulação, devemos observar que tudo isto novamente indica que o Arrebatamento dos membros do Corpo de Cristo marcará o término do dia da graça e dará entrada ao dia de julgamento.
Deus não permitirá que a rejeição de Seu Filho continue para sempre. A atual dispensação da graça não continuará por tempo indeterminado. Ela já dura por mais de 2000 anos mas Ele a fechará e falará a este mundo que rejeita a Cristo na Sua ira (Sl. 2:5; I Ts.5:3; II Ts.1:6-9). Quase vinte séculos atrás o mundo declarou guerra contra Deus (Sl.2:1-3) e se tiver alguma coisa clara nas Escrituras é o fato que Ele fará uma contra declaração de guerra. Assim como Ele tem proclamado "graça e paz" por todo este tempo, Ele então julgará e pelejará (Gl.1:3-4, cf. Ap.19:11). Pense com atenção, incrédulo: a guerra é o oposto extremo da paz e o julgamento o oposto da graça e agora estamos vivendo nos momentos de tensão entre a declaração de guerra por uma potência e a contra declaração por outra, momentos em que Deus, que não quer julgar, graciosamente nos envia como embaixadores a um território inimigo, para oferecer a reconciliação para todos que confiarão no Cristo rejeitado. Deste modo, não podemos oferecer-lhes a graça amanhã: "Ouvi-te em tempo aceitável... eis aqui AGORA o dia da salvação" (II Co.6:2).
Não é interessante nesta ligação que o Senhor não apenas tenha se revelado a Paulo dos céus, mas que também Ele tenha se revelado ao mundo através de Paulo? Em Gl.1:12 o Apóstolo diz que recebeu sua mensagem: "pela revelação de Jesus Cristo", mas nos versículos 15-16 ele diz: "aprovou a Deus... revelar seu Filho em mim". Que revelação ao mundo foi a salvação de Saulo, o inimigo blasfemador de Deus, Seu inimigo principal na terra! Certamente demonstrou Sua graça desta maneira para mostrar a todos os homens que deseja que eles estejam em paz com Ele; que deseja que eles sejam reconciliados com Ele (II Co.5:20-21).
Mas, como já indicamos, o Senhor Jesus Cristo não será revelado para sempre a este mundo em graça. Algum dia – quem sabe não será hoje? – Ele será revelado ao mundo na Sua glória, julgará e pelejará. Ou, como diz em II Ts.1:7-8:
"...quando manifestar o Senhor
Jesus desde o céu com os anjos do seu poder.
Como labareda de fogo, tomando vingança dos
que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de
nosso Senhor Jesus Cristo".
A OBEDIÊNCIA DA FÉ
E
A DESOBEDIÊNCIA DA INCREDULIDADE
Certamente os versículo 8 e 9 de II Ts.1 devem impedir o leitor sério de supor que Deus é algum tipo de ser benevolente que vai ser amoroso e perdoador para sempre. Lemos aqui que Ele e Seus anjos poderosos virão...
"Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;
Os quais por castigo padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder."
Não é a infelicidade do incrédulo que faz com que ele não conhece a Deus; mas sim, o seu pecado.
Através de toda a história tem sido a "obediência da fé" (Rm.16:26) que salva o homem. Quando Deus diz: "ofereça um sacrifício animal e te aceitarei", o que a fé fará? A fé trará o sacrifício exigido e será aceito (Veja Gn.4:4 e Hb.11:4). Quando Deus diz: "se diligentemente ouvirdes a minha voz... então sereis a minha propriedade" (Êx.19:5), o que a fé fará? Certamente procurará obedecer Sua voz (Sl.1:1-3) e será contada entre o povo de Deus. Quando Deus diz: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados" (At.2:38), o que a fé fará? Se arrependerá e será batizado e receberá a remissão dos pecados.
E quando Deus diz: "MAS AGORA se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas" (Rm.3:21) e "Mas aquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça" (Rm.4:5), "Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rm.3:24) – quando Deus diz isto, o que a fé fará? A fé aceitará a oferta graçaciosa e confiará apenas em Cristo para a salvação – e deste modo será salvo. (5) Isto é toda a "obediência da fé".
Tanto no começo como no fim da grande epístola de Paulo aos romanos ele declara que o evangelho para o qual tinha sido separado, era para ser declarado entre todas as nações para a "obediência da fé" (Rm.1:1,5; 16:25-26). Este evangelho, pela graça infinita de Deus, tem sido extensamente declarado por mais de dezenove séculos e todos que têm exercido a "obediência da fé", (6) chegaram a conhecer a Deus. Mas qual será o julgamento daqueles – pecadores culpados, todos eles – que rejeitam a graça comprada tão custosamente para eles! Estes, ele diz:
"padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder" (1:9).
Observe a repetição da palavra "do" nesta referência. "Eterna perdição, ante a face do Senhor". Isto será um destino horrível. Quando Caim foi expulso de diante do Senhor, ele disse: "É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada [suportar]" (Gn.4:13-14). Novamente, "perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder". O Seu poder então não os ajudará em nada, como o é para tantos santos crentes. A chance deles de crer em Cristo e conhecer "a glória do seu poder" já terá se acabado há muito tempo.
CRISTO GLORIFICADO EM SEUS SANTOS
E
ADMIRADO POR TODOS AQUELES QUE CRÊEM
Mais uma vez o Apóstolo põe em contraste a perspectiva gloriosa dos crentes de Tessalônica com o destino infame de seus perseguidores incrédulos, porque, lembre-se, Paulo esperava estar vivo na volta do Senhor pelos Seus. Mas suas palavras para eles também é a Palavra de Deus para nós.
Toda a vingança e punição que lemos em 1:6-9 referem-se ao que acontecerá na terra:
"Para ser glorificado nos seus santos [do Senhor Jesus Cristo], e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem (porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós)" (1:10).
Pense com atenção. Enquanto os incrédulos são banidos de Sua presença e glória, nosso Senhor será glorificado e admirado em nós – porque cremos na Sua Palavra. (7) Da mesma forma que o artista ou escultor é honrado e admirado pela obra feita com suas mãos; enquanto os homens admiram sua obra e elogiam abundantemente a ele; enquanto o filantropo é honrado e admirado por todas as coisas boas que já realizou pelos outros; enquanto os homens vêem seus projetos filantrópicos e elogiam abundantemente a ele, da mesma forma um dia, os anjos e homens olharão para a obra prima (8) de nosso Senhor, "a Igreja, que é Seu Corpo" e admirarão e glorificarão a Ele.
Como poderíamos terminar esta porção de nossos estudos sem antes considerar "o aspecto da graça"?
"Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus" (Ef.2:7).
PODEMOS COMEÇAR
A GLORIFICÁ-LO AGORA
"Pelo que também rogamos
sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça [encontre] dignos
da sua vocação, e cumpra todo desejo da sua bondade, e a obra
da fé com poder;
Para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado
e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo."
— II Tessalonicenses 1:11-12
Como devemos ser profundamente gratos a Deus.
"Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (II Tm.1:9).
Esta gratidão deve ser expressa no nosso andar diário. Assim como o Apóstolo exorta os crentes em Ef.4:1-3 a andarem dignos do seu chamamento, assim também ele assegura aos crentes de Tessalônica de suas orações incessantes para que Deus possa contá-los dignos desta "vocação", isto é, que o seu andar possa ser de tal modo que Ele possa aprová-lo.
E como ele assegura aos crentes de Colossos de suas orações que eles possam estar "cheios do conhecimento da sua vontade", e deste modo "andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra" (Cl.1:9-10), então aqui, já tendo ensinado os crentes de Tessalônica como se deve "manejar bem a Palavra da verdade", da revelação do Velho Testamento acerca do reino vindouro, ao "mistério", ou segredo, recentemente concedido a ele, ele ora que eles possam "cumprir todo desejo da sua (de Deus) bondade, e a obra da fé com poder" (II Ts.1:11, cf. II Tm.2:15).
E tudo isto, ele diz: "para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado e vós nele" (1:12).
Pense com atenção: Um dia nosso amado Senhor de fato será "glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem" (1:10), mas Seu nome deve ser glorificado em nós agora, o tanto quanto possível, "segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo" (1:12).
Que desafio para a fé! Pela graça Ele pode ser glorificado e admirado em nós agora! Que esta seja a nossa meta.
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1) Para comentários adicionais sobre os versículos
1 e 2, veja as observações do autor em I Ts.1:1.
2) Este termo não entra em conflito com o termo "Corpo de Cristo".
Não é verdade que o reino de Deus sempre existiu? Paulo, tanto
quanto os outros escritores bíblicos, fala de crentes entrando neste
reino e incrédulos sendo excluídos dele (Rm.14:17; Ef.5:5; Cl.1:13;
II Ts.1:5).
3) Este termo não entra em conflito com o termo "Corpor de Cristo".
Não é verdade que o reino de Deus sempre existiu? Paulo, tanto
quanto os outros escritores bíblicos, fala de crentes neste reino e incrédulos
sendo excluídos dele (Rm.14:17; Ef.5:5; Cl. 1:13; II Ts.1:5).
4) Este descanso não seria
do trabalho, mas descanso do tormento e perseguição.
5) O Capítulo 1 do livro Coisas Que Diferem, do autor, entra em mais
detalhes sobre este assunto.
6) Não deve ser tomado levemente aquilo que "Deus falou" (At.3:21)
e ignorar isso é das desobediências mais grossas, demonstrando
uma atitude de rebelião
7) Aqui muitos "calvinistas" deveriam considerar e comparar esta afirmação
com II Ts.2:10-12.
8) Este é o sentido de Ef.2:10.
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