O PRINCÍPIO DO MINISTÉRIO DE PAULO

UM PROBLEMA DISPENSACIONAL

Alguns aspectos do princípio do ministério de Paulo têm confundido muitos estudiosos aplicados e diligentes da Bíblia.

Eles vêem com clareza a que conduziu o ministério dele. Regozijam-se com a sua mensagem de graça pura. Compreendem bem que o batismo na água e os sinais Pentecostais não têm mais lugar no Corpo de Cristo, como a circuncisão e a Lei, mas ficam perplexos, para não dizer desapontados, ao verem que a circuncisão, o batismo e os sinais milagrosos foram todos praticados por Paulo durante a fase inicial do seu ministério, como registra o livro de Atos.

UMA EXPLICAÇÃO ERRADA

Este problema tem levado alguns a suporem que o mistério não foi revelado a Paulo antes do seu aprisionamento em Roma e que o Corpo de Cristo, a Igreja da presente dispensação, não começou, historicamente, antes de At.28:28, quando Paulo declarou aos líderes judaicos em Roma:

"Seja-vos, pois, notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão".

Porém, uma conclusão deste tipo só torna o problema mais difícil, pois lemos acerca do mistério e do Corpo de Cristo nas primeiras epístolas de Paulo, escritas antes de Atos 28, do mesmo modo que nos escritos posteriores. Na verdade, este fato tem levado, os que datam o início da formação do Corpo em Atos 28, à conclusão de que deve ter havido dois corpos – que "o corpo de Cristo" de que Paulo fala em Romanos e I Coríntios é um corpo diferente do "corpo de Cristo" a que se referem as suas epístolas posteriores.

Eles foram levados a esta conclusão, dizemos nós, pois tal explicação é, no mínimo, forçada e desnaturada. Não podemos deixar de pensar que tais teorias sejam frágeis mesmo para os que as propõem, o que os deveria levar a reexaminar o fundamento da sua estrutura, pois certamente uma suposição errada conduzirá inevitavelmente a conclusões erradas. É claro que a teoria dos "dois corpos" tem levado a muitas conclusões anti-bíblicas.

Um líder desta escola de pensamento declarou que "uma vez que o ministério de Paulo foi, durante o período dos Atos, dirigido principalmente aos judeus, as epístolas dele, escritas durante esse mesmo período de tempo, não poderiam ser diferentes".

Esta declaração extravagante está completamente destituída de qualquer apoio bíblico; de fato, as Escrituras pronunciam-na claramente errônea.

O MINISTÉRIO DE PAULO EM ATOS

Em At.22:18,21 Paulo relata como, no seu primeiro regresso a Jerusalém após a sua conversão, o Senhor lhe revelou que o seu testemunho ali não seria aceito e que ele deveria ir para os gentios:

"E [eu] vi Aquele [Jesus] que me dizia: Dá-te pressa e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de Mim".
"E disse-me: Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe".

E a história do seu ministério desde então está em perfeita harmonia com isto.

At.13:46-47: "Eis que nos voltamos para os gentios; porque o Senhor assim no-lo mandou...".
At.15:3: "E eles, sendo acompanhados pela igreja, passavam pela Fenícia e por Samaria, contando a conversão dos gentios...".
At.18:6: "Desde agora parto para os gentios".
At.21:18-19: " E no dia seguinte, Paulo entrou conosco em casa de Tiago, e todos os anciãos vieram ali. E, havendo-os saudado, contou-lhes por miúdo o que por seu ministério Deus fizera entre os gentios".

AS PRIMEIRAS EPÍSTOLAS DE PAULO

Quando comparamos as primeiras epístolas de Paulo com a última parte do livro de Atos (o período durante o qual elas foram escritas) o panorama permanece inalterado.

Aos romanos ele escreveu:

"Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios" (Rm.11:13).

Aos coríntios:

"Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos" (I Co.12:2).

Aos gálatas:

"...aprouve a Deus... revelar seu Filho em mim, para que O pregasse entre os gentios" (Gl.1:15-16).
"Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses" (Gl.4:8).

Aos tessalonicenses:

"Porque vós, irmãos, haveis sido feitos imitadores das igrejas de Deus que na Judéia estão em Jesus Cristo; porquanto também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles" (I Ts.2:14).

Certamente todas estas citações de Atos e das primeiras epístolas de Paulo provam definitivamente que o seu ministério inicial foi principalmente para os gentios e não "principalmente para os judeus". É verdade que durante este tempo ele ia primeiro aos judeus, cidade após cidade, mas isso é um assunto completamente diferente. E nisso reside a solução para o problema do princípio do ministério de Paulo.

A SOLUÇÃO

Quando Paulo ia primeiro aos judeus, não era porque parecia que Israel ainda poderia aceitar Cristo e o Seu reino, mas simplesmente porque Deus não queria que Israel ficasse com alguma desculpa por ter rejeitado o Messias.

Paulo confirmou a mensagem de Pedro e defendeu vigorosamente diante dos judeus por toda parte que "Jesus é o Cristo". E os milagres acompanharam este testemunho de confirmação – de fato, milagres maiores do que o próprio Pedro tinha realizado. Mas, ao contrário de Pedro, Paulo nunca ofereceu o reino a Israel. O seu ministério entre eles não visava voltar a nação para Cristo, mas salvar alguns dentre os que cressem, recebendo a salvação pela graça e deixando os demais sem desculpa. Deus estava encerrando assim Israel em incredulidade e mesmo naquela data bem precoce, usando poderosamente Paulo na proclamação da graça aos gentios.

É verdade que Paulo tendo sido, pouco tempo antes, o líder da perseguição a Cristo, pensou inicialmente que o seu testemunho pudesse inverter a corrente de incredulidade em Israel, mas Deus sabia melhor. Ele sabia que tinha-se alcançado o auge da crise na história de Israel com o apedrejamento de Estêvão. A persuasão seria inútil. A salvação seria agora enviada aos gentios, não através de Israel, mas apesar dela e o próprio Paulo foi escolhido para este propósito.

Este incidente no princípio da experiência cristã de Paulo já deve ser visto à luz de três importantes versículos das Escrituras:

Rm.11:15: "Porque, se a sua [de Israel] rejeição é a reconciliação do mundo ...".
Rm.11:32: "Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia".
Ef.2:16: "E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades".

Certamente o propósito gracioso de Deus na rejeição de Israel (e, de fato, a rejeição em si) encontrava-se somente no processo de ser revelada. A sua plenitude é manifestada apenas nas epístolas posteriores, onde Paulo ora para que os crentes possam receber sabedoria e entendimento espiritual para a compreender. Porém, a reconciliação de crentes judeus e gentios com Deus num só corpo e a bênção dos gentios através da queda de Israel, com toda certeza começou bem antes do fim do livro de Atos.

PEDRO, PAULO E ISRAEL

Há um fato que deve ser claro mesmo para o observador casual. O ministério de Pedro tinha em vista, muito nitidamente, a aceitação do Messias por parte de Israel (At.1:6; 2:30,38-39; 3:17-26), mas o de Paulo, igualmente de forma clara, tinha em vista a rejeição do Messias por parte de Israel. De fato, Paulo foi levantado por Deus em vista da rejeição de Cristo por parte de Israel. A resposta graciosa de Deus ao apedrejamento de Estêvão e à perseguição feroz de At.8:1-3 foi a salvação de Saulo, o principal perseguidor e líder da rebelião. Que graça incomparável, especialmente quando nos percebemos que a resposta profetizada foi – e será – a ira de Deus e a subjugação dos inimigos de nosso Senhor (Sl.2:5; 110:1)!

De acordo com a profecia os gentios deviam ter sido – e serão um dia – abençoados por meio do levantamento de Israel (Is.60:1-3) mas agora, mesmo apesar de Israel ter rejeitado o Messias e a glória do Seu reino, Paulo podia escrever aos gentios:

"Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo".

"Mas, irmãos, em parte vos escrevi mais ousadamente, como para vos trazer outra vez isto à memória, pela graça que por Deus me foi dada;

"Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo" (Rm.15:13,15-16).

Agora a bênção tinha chegado aos gentios, não por meio do levantamento de Israel, mas pela sua queda:

"...pela sua queda veio a salvação aos gentios..." (Rm.11:11).

Rm.11:17 e 25 ("Israel... não o alcançou" e "o endurecimento veio... sobre Israel") deveriam convencer o estudioso atento da Palavra de Deus que Paulo compreendia que Deus tinha posto de lado a nação e que uma cegueira judicial já estava se estabelecendo sobre ela.

Portanto, quando ele abre a sua epístola aos romanos ele argumenta sobre a sua responsabilidade de ter de ir aos gentios. Repare na ênfase dada nesta passagem:

"Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios.

"Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.

"E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.

"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego" (Rm.1:13-16).

O seu argumento aqui é claramente que ele não se envergonhava de ir aos gentios em Roma com o evangelho, visto que este é o poder de Deus para a salvação DE TODO AQUELE QUE CRÊ.

O evangelho tinha sido enviado primeiro aos judeus, mas agora, por intermédio de Paulo, iria ser enviado aos gentios e Paulo estava pronto, com todas as suas forças, para também pregar aos que estavam em Roma.

Considerado assim, à luz do seu contexto, Rm.1:16 não discorda, de modo algum, com o resto de Romanos. Mas os que usam esta passagem para ensinar hoje a precedência judaica não vêem uma das lições básicas da epístola aos Romanos.

"Porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm.3:22-23).

"Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam.

"Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm.10:12-13).

O grande motivo para a obra missionária judaica nos nossos dias não nos é apresentado em Rm.1:16, mas em Rm.11:30-33:

"Porque assim como vós [gentios] também antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles,

"Assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada.

"Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis os Seus caminhos!"

PAULO E O MISTÉRIO

A questão do ministério inicial de Paulo é importante para a compreensão do mistério. Há muitos que vêem as partes componentes do mistério mas não conseguem encaixar as peças. O resultado? Ainda têm um quebra cabeça e não um quadro. Não vêem a extensão, o progresso, o desenvolvimento da revelação do maravilhoso plano de Deus. Não vêem como, quando parecia que o propósito profético falhara, ficando os gentios privados da bênção devido à incredulidade de Israel, Deus prevaleceu e revelou o Seu propósito de graça eterno e secreto, que explicava, ao mesmo tempo, como o propósito profético podia e seria depois realizado; e, de que modo qualquer pecador poderia ser salvo. E isto leva-nos a exclamar com o salmista, "Certamente a cólera do homem redundará em teu louvor; o restante da cólera Tu o restringirás".

Todavia este propósito eterno e secreto não foi revelado a Paulo numa única revelação, mas em muitas, de forma gradual (At.22:17-18; 26:16; II Co:12.1,7).

Não há dúvida alguma de que o Apóstolo não apenas recebeu como também comunicou um grande corpo de verdade de modo gradual, senão a expressão dele, "o meu evangelho" (singular), e a nossa expressão, "o ministério distinto de Paulo" seriam expressões impróprias.

O velho programa foi desativado gradualmente à medida que o novo tomava o seu lugar. Na revelação dada a Paulo houve desenvolvimentos do mesmo modo que na revelação histórica do propósito de Deus. Deus levantou Paulo para um grande propósito, afim de proclamar uma grande mensagem (Ef.3:1-13; At.20:24), ainda que a mensagem dele confirmasse e não contradissesse de modo algum a mensagem de Pedro e dos onze a respeito de Cristo.

Houve um tempo em que o autor via o mistério como um ponto específico na pregação de Paulo, porém agora, graças a Deus, vê-o como uma grande, maravilhosa mensagem, cuja compreensão é indescritivelmente preciosa.

Aos irmãos que defendem a idéia dos "dois corpos", gostaríamos de colocar para sua consideração a seguinte proposição:

Concordamos que antes de Paulo Deus tenha tido um propósito profético revelado. Também concordamos que ele tenha tornado conhecido o seu propósito eterno e secreto por meio de Paulo. Deus terá tido ainda um outro propósito, uma espécie de amortecedor entre os dois? Qual foi a mensagem de Paulo durante o princípio do seu ministério, ou seja, durante o período dos Atos? Terá sido o evangelho do reino? Com toda a certeza que não. Terá sido o evangelho da circuncisão? Gl.2:7 prova que não. Qual foi, então? Foi "o evangelho da incircuncisão", "o evangelho da graça de Deus", e estes não podem ser dissociados do mistério.

Certamente é desnecessário argumentar que Paulo tinha "um ministério especial temporário" durante o período de Atos, pois foi no fim do período de Atos que ele disse:

"Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (At.20:24).

O que temos de reconhecer é simplesmente que a velha economia era aquela sob a qual ele foi salvo e da qual ele emergiu gradualmente; também que Deus, historicamente, introduziu gradualmente a nova economia. Portanto, para ele estava correto e era coerente fazer certas coisas antes de Atos 28 que teriam sido contrárias à vontade de Deus depois desse período.

Também será desnecessário insistir que Paulo recebeu a revelação do mistério quando foi preso em Roma. Não temos qualquer registro de uma revelação desse tipo. E argumentar que uma suposta revelação substituiu as outras revelações dele não é apenas desnecessário – é uma contradição clara das Escrituras, pois em Ef.6:20 e Cl.4:3 ele afirma claramente que está na prisão POR CAUSA DO mistério, isto é, por proclamá-lo.

Tinha sido profetizado que Deus abençoaria as nações por intermédio do levantamento de Israel. Era um mistério (até ser revelado a Paulo e por seu intermédio) que Deus abençoaria as nações através da queda de Israel, e que, pondo a nação de lado, Ele reconciliaria crentes judeus e gentios Consigo mesmo num corpo, pela cruz. Este é o âmago (centro) do mistério, e encontra-se nas primeiras epístolas de Paulo.

NADA MAIS

Nós não devemos desviar do propósito deste livro para tratar com mais detalhes incidentes do livro de Atos e passagens das primeiras epístolas de Paulo que provam que o princípio do ministério de Paulo era principalmente para os gentios, mas há uma passagem que ainda deve ser examinada, visto que, provavelmente, tem sido usada mais do qualquer outra pelos nossos irmãos que crêem na idéia dos "dois corpos". Trata-se de At.26:22, onde o apóstolo encontra-se diante de Agripa, declara:

"Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer".

Esta passagem, na opinião deles, é prova suficiente de que até ao fim de Atos Paulo não disse nada que os profetas não tivessem já predito, limitando o seu ministério à proclamação exclusiva do propósito profético de Deus. Assim, com efeito, eles têm Paulo pregando "o evangelho da circuncisão", que ele diz claramente que não lhe foi confiado.

Mas isto é apenas o começo das inconsistências deles, pois ensinar de At.26:22 que Paulo não tinha ensinado nada que os profetas não tivessem já predito é manifestamente contrário ao registro bíblico.

Os profetas tinham predito a salvação dos gentios por meio da queda de Israel? Predisseram "o evangelho da graça de Deus", no qual nem a circuncisão nem a lei têm qualquer lugar? Alguma vez deram, ao menos, a entender que judeus e gentios seriam batizados num só corpo, pelo Espírito? Alguma vez disseram, ou mesmo sabiam algo, sobre o arrebatamento da Igreja? No entanto, tudo isto, e mais, é encontrado em Atos e nas primeiras epístolas de Paulo escritas durante esse período.

O problema é que os nossos irmãos separaram At.26:22 do seu contexto, pois o resto da citação especifica claramente o que significa o "nada mais" a que o apóstolo se refere:

"Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios" (v.23).

Os judeus tinham-se voltado contra Paulo por este ir aos gentios e ele aqui protesta que isto não é nada que os profetas e Moisés não tenham dito que aconteceria. Os judeus não tinham razão para se queixarem, pois tinha sido claramente profetizado que Cristo deveria experimentar a morte e ressuscitar para revelar iluminação não apenas a Israel, mas também aos gentios.

Assim, entre a profecia e o mistério proclamado por Paulo há ligações, mas também há distinções, pois a razão de Deus estar agora abençoando os gentios não era a mesma que tinha sido predita na profecia. Isto é salientado, por exemplo, em At.13:46, onde o apóstolo declara:

"Era mister [segundo o programa profético] que a vós [judeus] se vos pregasse primeiro a Palavra de Deus; mas, [Notemos que algo diferente agora está ocorrendo] visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios",

Assim, a bênção estava agora indo para os gentios, como Deus tinha planejado desde o princípio. Contudo, Deus não estava abençoando-os por meio do levantamento de Israel (como nas profecias) mas através da sua queda (como no mistério). Ele estava abençoando os gentios apesar da teimosia de Israel e não por seu intermédio. A rebelião de Israel tinha criado um "congestionamento", por assim dizer, mas, em graça, Deus descongestionou!

Em resumo, como a salvação de Deus chegou aos gentios? Por meio de Israel? Não, mas apesar de Israel (At.13:46). Como resultado do levantamento de Israel? Não, mas como resultado da sua queda (Rm.11:11). Por meio do poder do Cristo entronizado? Não, mas pela graça do Cristo rejeitado (I Tm.1:13-16). Por meio do ministério de Pedro e dos onze? Não, mas através do ministério de Paulo (Rm.11:13; 15:16). Sob a "grande comissão"? Não, mas sob uma comissão muito maior (II Co.5:16-21).

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