UMA RECAPITULAÇÃO

AS PRÓPRIAS PALAVRAS DE PAULO SOBRE O ASSUNTO

As Escrituras ensinam como fato, sem a menor sombra de dúvida, que o apostolado e a mensagem de Paulo foram absolutamente únicos e separados da mensagem e apostolado dos doze ou de quem quer que fosse que o tivesse antecedido. A cristandade, como um todo, recusa a aceitar isto, confundindo assim o programa divino profetizado do reino com o que foi entregue a Paulo para nós nesta presente dispensação.

Neste capítulo apresentamos uma recapitulação das próprias palavras de Paulo sobre o assunto e como ele escreve por inspiração do Espírito Santo, elas também são a Palavra de Deus sobre o assunto, não devendo por isso ser levadas ou tratadas com leviandade.

As seguintes passagens das Escrituras não enfatizam apenas o uso repetido que o apóstolo faz do pronome pessoal na primeira pessoa, "eu", "me", "mim" – e muitos outros poderiam ser citados – mas o caráter único do seu apostolado e mensagem. Ignoremos este fato e o resultado será a confusão inevitável; aceitemo-lo e uma centena de contradições aparentes nas Escrituras dissipar-se-ão.

"PAULO, APÓSTOLO (NÃO DA PARTE DOS HOMENS, NEM POR HOMEM ALGUM, MAS POR JESUS CRISTO, E POR DEUS PAI, QUE O RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS)" (Gl.1:1)

Matias também podia ter dito que o seu apostolado não era "da parte dos homens", mas ao contrário do de Paulo, foi "por homem" (isto é, por intermédio humana), pois Deus usou homens para o designarem apóstolo (At.1:15-26). Porém, o apostolado de Paulo foi totalmente único. Não teve origem nos homens e ele não foi escolhido por intermédio humana.

"...FAÇO-VOS SABER, IRMÃOS, QUE O EVANGELHO QUE POR MIM FOI ANUNCIADO NO É SEGUNDO OS HOMENS.

"PORQUE NÃO O RECEBI, NEM APRENDI DE HOMEM ALGUM, MAS PELA REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO" (Gl.1:11-12).

Note cuidadosamente: Paulo não aprendeu dos outros as verdades que pregou. Ele recebeu-as por revelação direta do Senhor Jesus Cristo.

"E subi por uma revelação, e lhes expus O EVANGELHO, QUE PREGO ENTRE OS gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão" (Gl.2:2).

Paulo não foi a Jerusalém para se certificar que pregava a mesma mensagem que os doze. Pelo contrário, foi enviado "por revelação" para fazer conhecer aos líderes ali "o evangelho" que ele pregava "entre os gentios". Qual a razão desta fraseologia se a sua mensagem era a mesma da deles e porque houve a necessidade de primeiro tratar particularmente com os líderes?

"E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa... nada me comunicaram;

"Antes, pelo contrário... VIRAM QUE O EVANGELHO DA INCIRCUNCISÃO ME ESTAVA CONFIADO, COMO A PEDRO O DA CIRCUNCISÃO" (Gl.2:6-7).

Os líderes em Jerusalém nada comunicaram a Paulo. Ele compreendia o programa profético tão perfeitamente quanto eles. "Antes, pelo contrário", ele comunicou-lhes algo: "o evangelho" que ele pregava "entre os gentios", um passo adicional no programa de Deus. E mais ainda: pelo menos nós podemos compreender como alguns podem confundir "o evangelho do reino" com "o evangelho da graça de Deus", mas certamente "o evangelho da circuncisão" e "o evangelho da INcircuncisão" não podem ser a mesma coisa.

"E CONHECENDO TIAGO, CEFAS E JOÃO, QUE ERAM CONSIDERADOS COMO AS COLUNAS, A GRAÇA QUE ME HAVIA SIDO DADA, DERAM-NOS AS DESTRAS, EM COMUNHÃO COMIGO E COM BARNABÉ, PARA QUE NÓS FÔSSEMOS AOS GENTIOS, E ELES À CIRCUNCISÃO" (Gl.2:9).

Quando Paulo comunicou o seu evangelho aos líderes em Jerusalém, eles "viram" (Gl.2:7), e conheceram (v.9), a validade das suas declarações e reconheceram publica e oficialmente Paulo (com os seus cooperadores) como o apóstolo designado por Deus para com os gentios, concordando, dali em diante, na limitação do seu próprio ministério a Israel. Assim, os doze, que tinham inicialmente sido comissionados para irem a "todas as nações" (Mt.28:19), reconheciam agora Paulo como o apóstolo para os gentios e concordaram em retomar o seu ministério a Israel.

"...Em parte vos escrevi mais ousadamente, como para vos trazer outra vez isto à memória, PELA GRAÇA QUE POR DEUS ME FOI DADA;

"QUE SEJA MINISTRO DE JESUS CRISTO PARA OS gentios..." (Rm.15:15-16).

Como ele podia declarar mais claramente que pela graça de Deus ele era agora o "ministro de Jesus Cristo para os gentios"?

"PORQUE CONVOSCO FALO, gentios, QUE, ENQUANTO FOR APÓSTOLO DOS gentios, EXALTO O MEU MINISTÉRIO" (Rm.11:13).

Não foi por orgulho, mas por inspiração divina, que Paulo exaltou – não a sua pessoa, mas – o seu ministério. Não é, então, um pecado minimizar o que Deus exaltou?

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.

"O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, PARA SERVIR DE TESTEMUNHO A SEU TEMPO.

"PARA O QUE (DIGO A VERDADE EM CRISTO, NÃO MINTO) FUI CONSTITUÍDO PREGADOR, E APÓSTOLO, E DOUTOR DOS gentios NA FÉ E NA VERDADE" (I Tm.2:5-7).

Note bem: esta mensagem de graça para todos, através do Calvário, não foi tornada conhecida imediatamente após a morte e ressurreição de Cristo, mas "a seu tempo", e por intermédio de Paulo.

"Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios;

"Se é que tendes OUVIDO A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS, QUE PARA CONVOSCO ME FOI DADA;

"COMO ME FOI ESTE MISTÉRIO MANIFESTADO PELA REVELAÇÃO ...

"O QUAL NOUTROS SÉCULOS NÃO FOI MANIFESTADO AOS FILHOS DOS HOMENS, COMO AGORA TEM SIDO REVELADO PELO ESPÍRITO AOS SEUS SANTOS APÓSTOLOS E PROFETAS" (Ef.3:1-5).

Note: "por revelação" o Senhor manifestou a Paulo "o mistério ... o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens". Assim, quando Paulo o comunicou aos "santos apóstolos e profetas" de Deus, eles viram-no "pelo Espírito", da mesma forma que acontece conosco hoje. Assim, "o mistério" foi revelado a Paulo "pela revelação de Jesus Cristo" e depois aos outros "pelo Espírito".

"...pelo seu corpo, que é a igreja;

"DA QUAL EU ESTOU FEITO MINISTRO SEGUNDO A DISPENSAÇÃO DE DEUS, QUE ME FOI CONCEDIDA PARA CONVOSCO, PARA CUMPRIR [COMPLETAR] A PALAVRA DE DEUS;

"O MISTÉRIO QUE ESTEVE OCULTO DESDE TODOS OS SÉCULOS, E EM TODAS AS GERAÇÕES, E QUE AGORA FOI MANIFESTO AOS SEUS SANTOS" (Cl.1:24-26).

Como ele poderia declarar mais claramente que esta "dispensação" foi primeiro confiada a ele, para nós, ou que esteve oculta "desde todos os séculos, e em todas as gerações, E QUE AGORA foi manifesta aos Seus santos"?

"Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo O MEU EVANGELHO" (II Tm.2:8).

A ressurreição de Cristo segundo o evangelho de Paulo é um elemento básico da mensagem de Deus para o mundo hoje. Os doze tinham proclamado a ressurreição de Cristo para Ele se assentar no trono de Davi (At.2:29-31), a qual tinha sido profetizada e não era, de forma alguma, um segredo. Porém, Paulo proclamou uma nova verdade acerca da ressurreição, a saber, que ela tinha sido "para nossa justificação" e nossa ressurreição com Ele (Rm.4:25; 6:3-4; Ef.2:4-6).

"No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo O MEU EVANGELHO" (Rm.2:16).

Pondere este versículo reflexivamente. Contém claramente uma verdade importante – e note particularmente as palavras "o meu evangelho".

"Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo O MEU EVANGELHO E A PREGAÇÃO DE JESUS CRISTO, CONFORME A REVELAÇÃO DO MISTÉRIO QUE DESDE TEMPOS ETERNOS ESTEVE OCULTO,

"MAS QUE SE MANIFESTOU AGORA..." (Rm.16:25-26).

Os santos desta dispensação são confirmados, não pelo "evangelho" em geral, mas especificamente pelo evangelho de Paulo ("o meu evangelho": cf. At.20:24): Não meramente pela "pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério". Note: no contexto a expressão "o evangelho" refere-se muitas vezes ao evangelho de Paulo.

"Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã" (I Co.1:17).

A mensagem de Paulo centrava-se no que ele chama "a pregação da cruz", as boas novas da obra redentora toda suficiente de Cristo. Foi por isso que ele não foi enviado a batizar. A obra consumada de Cristo a nosso favor é suficiente. É tudo o que precisamos para sermos aceites por Ele.

"Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que CRISTO JESUS VEIO AO MUNDO, PARA SALVAR OS PECADORES, DOS QUAIS EU SOU O PRINCIPAL.

"MAS POR ISSO ALCANCEI MISERICÓRDIA, PARA QUE EM MIM, QUE SOU O PRINCIPAL, JESUS CRISTO MOSTRASSE TODA A SUA LONGANIMIDADE, PARA EXEMPLO DOS QUE HAVIAM DE CRER NELE PARA A VIDA ETERNA" (I Tm.1:15-16).

Poderia o apóstolo ter declarado com maior clareza que Deus teve um propósito especial em salvá-lo, o principal dos pecadores?

"Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos;

"Mas a seu tempo manifestou a sua palavra PELA PREGAÇÃO QUE ME FOI CONFIADA segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador" (Tt.1:2-3).

Observe: Manifestado "a seu tempo" por meio da pregação confiada a Paulo! O que podia ser mais claro?

"...O EVANGELHO DA GLÓRIA DE DEUS BEM-AVENTURADO, QUE ME FOI CONFIADO" (I Tm.1:11).

Porque o pronome na primeira pessoa aparece aqui se este "evangelho da glória" tinha sido confiado a outros antes dele?

"Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e O MINISTÉRIO QUE RECEBI DO SENHOR JESUS, PARA DAR TESTEMUNHO DO EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS" (At.20:24).

Algum outro apóstolo, além de Paulo, alegou que lhe foi confiado "o evangelho da graça de Deus"?

"DO QUAL FUI FEITO MINISTRO, PELO DOM DA GRAÇA DE DEUS, QUE ME FOI DADO SEGUNDO A OPERAÇÃO DO SEU PODER.

"A MIM, O MÍNIMO DE TODOS OS SANTOS, ME FOI DADA ESTA GRAÇA DE ANUNCIAR ENTRE OS gentios, POR MEIO DO EVANGELHO, AS RIQUEZAS INCOMPREENSÍVEIS DE CRISTO,

"E DEMONSTRAR A TODOS QUAL SEJA A DISPENSAÇÃO DO MISTÉRIO, QUE DESDE OS SÉCULOS ESTEVE OCULTO EM DEUS, QUE TUDO CRIOU POR MEIO DE JESUS CRISTO" (Ef.3:7-9).

Como ele podia dizer mais claramente que ele tinha sido divinamente escolhido, de toda a humanidade, para tornar conhecido o que até então tinha estado "oculto em Deus"?

"PORQUE EU RECEBI DO SENHOR O QUE TAMBÉM VOS ENSINEI..." (I Co.11:23).

Diretamente do Senhor e diretamente para eles. Será que isto pode ser interpretado doutro modo?

"PORQUE PRIMEIRAMENTE VOS ENTREGUEI O QUE TAMBÉM RECEBI ..." (I Co.15:3).

Ele insiste de novo que a sua mensagem para eles tinha sido recebida do Senhor.

"Eis aqui VOS DIGO UM MISTÉRIO: NA VERDADE, NEM TODOS DORMIREMOS, MAS TODOS SEREMOS TRANSFORMADOS;

"NUM MOMENTO, NUM ABRIR E FECHAR DE OLHOS, ANTE A ÚLTIMA TROMBETA; PORQUE A TROMBETA SOARÁ, E OS MORTOS RESSUSCITARÃO INCORRUPTÍVEIS, E NÓS SEREMOS TRANSFORMADOS" (I Co.15:51-52).

Note: "vos digo um mistério". Esta afirmação permite que alguém antes dele já tivesse proclamado estas verdades?

"SEGUNDO A GRAÇA DE DEUS QUE ME FOI DADA, PUS EU, COMO SÁBIO ARQUITECTO, O FUNDAMENTO, E OUTRO EDIFICA SOBRE ELE; MAS VEJA CADA UM COMO EDIFICA SOBRE ELE" (I Co.3:10).

A colocação de um fundamento não indica um novo começo?

"MAS, AINDA QUE NÓS MESMOS OU UM ANJO DO CÉU VOS ANUNCIE OUTRO EVANGELHO ALÉM DO QUE JÁ VOS TENHO ANUNCIADO, SEJA ANÁTEMA.

"ASSIM, COMO JÁ VO-LO DISSEMOS, AGORA DE NOVO TAMBÉM VO-LO DIGO. SE ALGUÉM VOS ANUNCIAR OUTRO EVANGELHO ALÉM DO QUE JÁ RECEBESTES, SEJA ANÁTEMA" (Gl.1:8-9).

Como isto nos deveria conduzir ao temor, para nós não pregarmos "outro evangelho" além daquele que Paulo pregou, ou confundirmos o seu evangelho com outras boas novas proclamadas por aqueles que o antecederam. Esta passagem não explica porque a maldição da confusão e da divisão tem assolado a Igreja dos nossos dias?

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