O DESVIO DA MENSAGEM DE PAULOOS RESULTADOS DA DESOBEDIÊNCIA
A Igreja – mesmo a verdadeira Igreja de crentes em Cristo, é, sem dúvida, maior hoje do que jamais foi. No entanto, está fraca e doente, confusa e dividida.
Muitos pensam que as causas do baixo estado espiritual da Igreja são: o fracasso em ter uma vida separada, falta de oração, indiferença para com os perdidos, etc. Todavia, estes são os efeitos, não as causas. A causa é o desvio da Igreja da mensagem e programa de Deus para os nossos dias, como está revelado através dos escritos do Apóstolo Paulo. É aí que se situa a raiz do problema, embora tão poucos ainda o reconheçam ou admitam.
Com Israel foi o desvio da lei de Moisés que constantemente criou problemas para ela; conosco tem sido o desvio da verdade Paulina. Pois, lembremo-nos, do mesmíssimo modo que a dispensação da Lei foi confiada a Moisés, a dispensação da graça foi confiada a Paulo (Ef.3:1-3) e os que desviaram ou voltaram atrás desde os seus dias até aos nossos, têm-no feito, não tanto pelo desvio da Palavra de Deus em geral, mas pelo desvio da Palavra de Deus através de Paulo em particular.
Perto do fim da sua vida, Moisés exortou o povo de Israel para não considerar como dado as riquezas de Canaã. De fato, ele avisou-os que se eles fizessem isso "logo" pereceriam "da terra" que eles iriam possuir e seriam espalhados entre as nações.
Semelhantemente Paulo, também, avisou os crentes que perderiam as bênçãos pretendidas para eles se desviassem da verdade e do programa que lhes foi dado conhecer. Alguns, na verdade, já tinham começado a desviar-se e a perda da bênção tinha-se tornado evidente. Os gálatas são um impressionante exemplo disto – e uma lição para nós.
Como eles tinham regozijado quando Paulo veio a eles no princípio com "a pregação da cruz" e "o evangelho da graça de Deus"! Quando eles o ouviam pregar, e reparavam na dificuldade, e talvez dor, que ele experimentava com os olhos, diziam uns aos outros: "Eu queria poder dar-lhe os meus olhos! Ficaria alegremente sem eles. Ele tem enorme necessidade da vista e penso na alegria e bênção que nos tem proporcionado!"
Contudo, logo após a sua partida, eles foram dominados pelos judaizadores que com zelo cortejaram-nos para os desviar de Paulo e da sua mensagem (Gl.4:17). E agora Paulo tinha que escrever-lhes:
"Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho" (1:6)
"Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós?" (3:1).
"QUAL É, LOGO, A VOSSA BEM-AVENTURANÇA? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis" (Gl.4:15).
A bênção tinha-se ido! Os que se tinham regozijado tão grandemente com as riquezas da graça de Deus proclamadas por Paulo, tinham agora voltado para Moisés e a Lei.
Nas epístolas de Paulo nós encontramos tanto a tendência dos crentes para se desviarem do caminho da bênção como o diagnóstico de Deus relativo à causa particular do problema. Em todos os casos a causa é a rebelião contra a autoridade dada por Deus a Paulo e um desvio da mensagem e programa que Deus lhe deu.
NÓS DEVÍAMOS TER OUVIDO
Foi numa situação de sombrio desespero que Paulo foi usado por Deus para oferecer esperança e segurança a homens em grande perigo, através duma declaração que ao mesmo tempo nos ensina uma valiosa lição espiritual e dispensacional. Ocorreu durante o terrível temporal no mar que o apóstolo experimentou na sua viagem para Roma (Atos 27).
"Havendo já muito que não se comia" tanto da parte dos passageiros como da tripulação, o apóstolo "Paulo, pondo-se em pé no meio deles" falou a todos que estavam a bordo. Apesar de, sem dúvida, eles (com a exceção de Paulo e dos seus companheiros) terem clamado aos seus deuses pagãos para serem libertados, (1) Paulo tinha estado em comunhão com Deus e tinha recebido a certeza adicional da chegada em segurança a Roma – e isto também para os que viajavam com ele.
"Fora, na verdade, razoável, ó senhores," exclamou ele por cima do ruído do temporal "ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta perda" (At.27:21).
Não era intenção de Paulo embaraçar o mestre e a sua tripulação, o dono do navio e Júlio, o centurião, diante de todos, mas as circunstâncias exigiam tais medidas, para eles agora poderem dar ouvidos às suas palavras.
Quão semelhante é a situação na Igreja hoje! É porque os crentes, e especialmente os seus líderes espirituais, têm ignorado as instruções de Paulo dadas por Deus e os homens de Deus que se têm esforçado por as tornar conhecidas, que a Igreja está agora "à toa" e sofre tanto dano e perda. E uma vez mais, quando a dispensação da graça parece estar aproximando-se do fim, é Paulo que exclama: "Fora, na verdade razoável... ter-me ouvido a mim". (2)
E agora o apóstolo exorta os seus ouvintes a estarem de bom ânimo, ao assegurar-lhes que não haveria nenhuma perda de vidas entre eles, mas apenas a do navio. Com certeza isto pode ser dito da verdadeira Igreja hoje. Não haverá perda de vidas, nenhum dos seus membros se perderá, apesar da Igreja professa, "o navio", a organização, se afundar num triste fracasso.
Mas como é que Paulo tinha recebido esta certeza? Escutemos o que ele diz no meio do temporal furioso:
"Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo,
"Dizendo: Paulo, não temas; importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo" (v. 23-24).Uma vez mais há uma impressionante analogia espiritual e dispensacional. Na presente dispensação todos os que navegam com Paulo, e somente estes, estão salvos e seguros. Os pregadores mal instruídos podem misturar lei e graça, profecia e o mistério, o reino e o Corpo, porém, os seus ouvintes estão salvos apenas enquanto ouvem e recebem a revelação paulina a respeito da obra consumada de Cristo e da salvação apenas pela graça por meio da fé. De fato, os ouvintes, por associação errônea, podem ler estas verdades em passagens que não as ensinam exatamente, mas o fato permanece que eles são salvos através dessas verdades da gloriosa revelação confiada a Paulo. Certo é que não são salvos por trazerem sacrifícios, como fez Abel (Gn.4:4-5), ou por se esforçarem por guardar a Lei (Êx.19:5), ou pelo arrependimento e o batismo na água (Mc.1:4; At.2:38), mas tão somente pela "pregação da cruz" e pelo "evangelho da graça de Deus".
Esta cena em Atos termina com uma notável demonstração de fé: um homem de pé num convés fustigado por um violento temporal, exclamando acima do rugido do mar enfurecido a mais de duzentos e setenta homens esfomeados e exaustos:
"...tende bom ânimo; porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito" (At.27:25).
ESCUTEMOS E OBEDEÇAMOS
As palavras de Paulo em Fp.1:27 falam à Igreja dos nossos dias como falaram à Igreja dos seus dias:
"Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho".
Mas o que o apóstolo quer dizer com "fé do evangelho"? Por o que eles deviam manter-se firmes e combater unidos? Seria pela mensagem que Cristo na terra e os Seus doze apóstolos tinham pregado? Não, era pela "fé que se havia de manifestar" (Gl.3:23). A "uma só fé" de Ef.4:5, a mensagem distinta confiada a Paulo, "o evangelho da graça de Deus" (At.20:24), "a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério" (Rm.16:25).
As verdades pelas quais os filipenses deveriam ficar firmes juntos e combater juntos eram as mesmas verdades que Paulo mandou Timóteo conservar e confiar a outros; as verdades particulares reveladas a Paulo e por seu intermédio:
"Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus" (II Tm.1:13).
"E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros" (II Tm.2:2).
Que Deus nos ajude a conservar estas verdades preciosas e a estarmos "num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo" para torná-las conhecidas, de modo a que o mundo possa ouvir de novo a gloriosa mensagem revelada por meio de Paulo, "a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério" (Rm.16:25).
Se este livro provou ser uma bênção para você,
porque não nos ajuda a fazê-lo
chegar a outros?
________________________________________________________________________