PAULO E O BATISMO NA ÁGUAPAULO FOI ENVIADO A BATIZAR?
"Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio
"Para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome.
"E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro."Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã.
"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus".
— I Co.1:14-18PAULO FOI ENVIADO A BATIZAR?
Muitos crentes sinceros experimentam graves problemas com esta passagem das Escrituras. Particularmente difícil de aceitar para eles, é o v.17, onde o Apóstolo declara: "Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar...".
Ele realmente queria dizer que o batismo não era parte da sua comissão divina? Ou ele queria dizer que não tinha sido enviado principalmente a batizar, mas a pregar o evangelho?
A questão do batismo na água, no passado, gerou mais calor do que luz, resultando isso no obscurecer da questão real e no fato das igrejas sofrerem divisões profundas sobre quem e como se deve ser batizado, quando deveriam encarar primeiro a questão primária: Devemos, em primeiro lugar, praticar o batismo na água? Ele é incluído no programa de Deus para a dispensação da graça?
Vejamos então na Palavra de Deus a resposta a esta questão primária e básica, pois a Bíblia dá-nos luz, luz clara, sobre este assunto.
Primeiro, é evidente que João Batista foi enviado a batizar, pois em Jo.1:33 temos as suas palavras:
"...O que me MANDOU A BATIZAR com água..."
Também sabemos que os onze (o número deles foi mais tarde restaurado para doze) foram enviados a batizar, pois em Mt.28:19 temos o registro da comissão que o Senhor lhes deu:
"Portanto IDE, fazei discípulos de todas as nações, BATIZANDO-OS em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo"
Estas palavras foram proferidas pelo nosso Senhor após a Sua ressurreição. Assim, os doze apóstolos não somente batizaram quando trabalharam com Cristo na terra (Jo.4:2), como mais tarde foram enviados, sob a sua "grande comissão", a ensinar e batizar depois do Senhor deixar a terra. Eles começaram a realizar esta comissão em Pentecostes, batizando cerca de três mil dos seus ouvintes somente naquele dia.
Mas aqui entra Paulo; convertido a Cristo depois de Pentecostes, longe de Jerusalém e totalmente aparte dos doze. E onde lemos que este outro apóstolo foi alguma vez enviado a batizar? Em parte alguma.
Assim, temos de concluir que ele pretendia dizer exatamente o que disse em I Co.1:17:
"...Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar...".
Temos, então, evidências, tanto negativas como positivas, de que o Senhor ressuscitado e glorificado não enviou Paulo para batizar; que o batismo não fazia parte da sua comissão especial.
A IMPORTÂNCIA DO BATISMO NA ÁGUA
SOB JOÃO E OS DOZEComo vimos em I Co.1:14-16, Paulo deu graças a Deus por ter batizado muito poucos crentes coríntios.
Estamos cientes do argumento que diz que o Apóstolo tinha batizado pessoalmente muito poucos apenas porque não quis tomar parte nas divisões entre eles, ou para que alguns não dissessem que ele tinha batizado no seu próprio nome, isto é, por sua própria autoridade. Contudo, este argumento não é válido, porque essas divisões levantaram-se depois dele ter saído do meio deles. E se for argumentado, em vez disso, que ele se regozijou por ter batizado apenas poucos deles, respondemos que nem João Batista nem os doze podiam ter dito, com legitimidade, que estavam contentes por terem batizado apenas uns poucos em qualquer momento do ministério deles, pois o batismo na água fazia parte da comissão deles.
Façamos, então, mais um exame adicional às Escrituras, quanto à razão de Paulo, ao contrário de João e dos doze, ter-se alegrado de ter batizado tão poucos crentes de Corinto.
Primeiro, a importância do batismo na água sob João é clara. Ele foi chamado "o Batista" e Mc.1:4 declara enfaticamente:
"Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados".
Notemos bem que João pregava o batismo. Foi por isso que Pedro se referiu mais tarde ao "batismo que João pregou" (At.10:37) e que Paulo disse à sua platéia em Pisídia, mais tarde ainda, que,
"Tendo primeiramente João, antes da vinda Dele [de Cristo], pregado a todo o povo de Israel o batismo do arrependimento" (At.13:24).
Alguns pastores e mestres da Bíblia têm dito ao autor, "Eu não prego o batismo; eu prego a Cristo". Ótimo, mas não percamos de vista o fato de que "João Batista", que apresentou nosso Senhor como o Messias de Israel, pregava o batismo. Ele exigia-o como demonstração de verdadeiro arrependimento e um requisito divino para "o perdão de pecados".
Alguns que defendem a prática do batismo na água hoje, reconhecem que sob João Batista este ritual era requerido para a remissão dos pecados, mas pensam que isso foi alterado depois da morte e ressurreição de Cristo, de modo que sob a "grande comissão" temos o "batismo cristão".
Alterado? Em Pentecostes Pedro não estava trabalhando sob a "grande comissão", e, como João, não proclamou "o batismo do arrependimento, para o perdão dos pecados"?
Em Pentecostes Pedro não disse aos seus ouvintes que Cristo morrera pelos seus pecados. Ele acusou-os do homicídio de Cristo, e quando, convictos, eles perguntaram, "Que faremos?", ele respondeu:
"Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados...".
De fato, o registro de Marcos da "grande comissão" declara com clareza: "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer (1) será condenado" (Mc.16:16). Este mandamento foi dado por Cristo depois da Sua morte e ressurreição.
Esta passagem é suficientemente clara: "Quem crer e for batizado será salvo". Se um pastor ou mestre da Bíblia alterar esta declaração clara fazendo com que signifique: "Quem crer e for salvo deve então ser batizado", não será razoável suspeitar que ele também altera outras passagens importantes das Escrituras adaptando-as a seu modo de ensino? Que segurança teremos em confiarmos na Palavra de Deus se cada teólogo pode fazer com que ela diga o que ele pensa que ela deveria dizer?
Neste caso diz, "Quem crer e for batizado será salvo", e Pedro, trabalhando sob esta comissão e cheio do Espírito Santo, disse, "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados".
Pensemos agora cuidadosamente: João Batista e Pedro teriam obedecido às comissões que Deus lhes deu se eles tivessem batizado apenas alguns e depois dissessem que estavam agradecidos por isso? Decerto que não, pois com os seus ouvintes o batismo na água era uma questão de vida ou morte eterna; daí eles terem recebido ordens para pregar e batizar. Em Lc.7:29-30 lemos:
"E todo o povo que o ouviu [João] e os publicanos, tendo sido batizados com o batismo de João, justificaram a Deus.(2)
"Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele".O ritual do batismo na água foi demasiado importante durante todo o período decorrido desde João Batista a Pentecostes.
PAULO E O BATISMO NA ÁGUA
Mas aqui, Paulo, o outro apóstolo, declara aos crentes de corinto que ele agradece a Deus por ter batizado apenas alguns (I Co.1:14-16). Teria ele sido, então, negligente no cumprimento da sua comissão divina? Não, pois ele não tinha sido comissionado a batizar (v.17). João Batista e os doze foram fiéis às suas comissões, mas agora Deus tinha levantado um outro apóstolo, para introduzir uma outra dispensação na qual o batismo na água não teria lugar (Ef.3:1-4).
Alguns podem protestar: "Mas ele batizou alguns, não batizou?" É verdade, mas pare um momento e reflita: ele também falou em línguas, curou enfermos, expulsou demônios e circuncidou Timóteo. Porém, tudo isto pertencia à dispensação sob a qual ele foi salvo e emergiu gradualmente enquanto o Senhor lhe apareceu em revelações sucessivas (At.26:16; II Co.12:1).
UMA QUESTÃO DE INSPIRAÇÃO
É interessante notar que primeiro o Apóstolo diz (em I Co.1:14-15), "Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome". Notemos bem: Nenhum, senão estes dois.
Depois, no v.16 ele acrescenta, "E batizei também a família de Estéfanas". Ora isto é diferente! Primeiro ele diz dois e mais nenhum, e depois acrescenta uma família inteira! E isto não é tudo, pois agora, sendo mais cauteloso, continua a dizer "além destes, não sei se batizei algum outro" (v.16). Vejamos o quadro completo com clareza:
1) Batizou apenas a Crispo e a Gaio, mais nenhum além destes.
2) Batizou também a família de Estéfanas.
3) Além destes não se recorda de mais nenhum.À primeira vista a sua declaração parece estranhamente contrária à inspiração divina, não parece? O Apóstolo não parece estar seguro de si. Ah, mas aqui encontramos a maravilha da Palavra inspirada, pois a Bíblia, a Palavra de Deus escrita, como Cristo, a Palavra viva, é totalmente humana e totalmente divina. Paulo escreveu naturalmente, como um ser humano aos seus amigos, não tendo a certeza precisa de quantos deles ele tinha batizado, mas isto é também Deus falando e dizendo-nos que o batismo na água estava, até mesmo naquela hora, perdendo a sua importância.
Paulo estava muito grato por ter batizado tão poucos crentes de Corinto; nem sequer tinha certeza do número, embora sabendo que tinham sido poucos.
Mas porque ele se alegrava por ter batizado apenas alguns, e porque nem sequer sabia ao certo o seu número? Encontramos a resposta clara no versículo seguinte. Leiamo-lo em oração:
"PORQUE CRISTO ENVIOU-ME, NÃO PARA BATIZAR, MAS PARA EVANGELIZAR..." (v.17).
E acrescenta:
"Não em sabedoria de palavras, (3) para que a cruz de Cristo se não faça vã.
"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus" (v.17-18).É por isso que o batismo na água desapareceu de cena e do programa de Deus. O "evangelho do reino", com a sua chamada ao arrependimento e ao batismo, foi substituído pela "pregação da cruz", isto é, como boas novas. Enquanto Israel rejeitava o Rei e o Seu reino, e tudo estava pronto para o derramamento da ira de Deus na "grande tribulação", Deus, em amor e misericórdia incomparáveis, interrompeu o programa profético salvando o Seu principal inimigo na terra, Saulo de Tarso, enviando-o como arauto e demonstração viva do Seu amor ilimitado. Foi assim que foi introduzida a dispensação do "mistério", "a dispensação da graça de Deus" (Ef.3:2-3).
A PREGAÇÃO DA CRUZ
O PODER DE DEUSO leitor já notou quantos crentes podem citar prontamente I Co.1:18, mas quão poucos citam os versículos 17 e 18 em conjunto? Estes versículos estão unidos, pois do mesmo modo que o conectivo "porque" no v.17 nos levam de volta para os versículos precedentes, do mesmo modo o conectivo "porque" do v.18 leva-nos para o v.17.
"Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, PARA QUE A CRUZ DE CRISTO SE NÃO FAÇA VÃ.
"PORQUE A PALAVRA DA CRUZ... É O PODER DE DEUS".Isto não indica que "o evangelho da graça de Deus" de Paulo se baseia no poderoso ato consumado de Cristo no Calvário? O Apóstolo não queria que nada – nem um ritual religioso, nem a "sabedoria de palavras", ensombrasse esta mensagem, pois é na proclamação da cruz que reside o poder da salvação. Porquê? Porque a cruz demonstra a justiça de Deus (como igualmente o Seu amor) ao pagar a penalidade justa dos nossos pecados. Isto torna-se claro de forma encantadora em Rm.1:16-17, onde ele declara:
"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê...
"Porque nele se descobre a justiça de Deus..."O amor de Deus também foi revelado no evangelho e o Apóstolo estava profundamente grato por isso, mas o que o deixou tão orgulhoso ("Não me envergonho") do evangelho era o fato da justiça de Deus ser revelada no próprio evangelho. Ele não ia aos perdidos e dizia, "Arrependei-vos e Deus vos perdoará". Ele dizia efetivamente, "tenho para vocês notícias maravilhosas! Os vossos pecados foram todos pagos!" São estas as boas novas da graça de Deus para os pecadores.
Não é de se admirar que Paulo escreveu aos crentes de gálatas:
"Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo..." (Gl.6:14).
Ele podia gloriar-se nos feitos do Calvário. Ele podia gloriar-se – e nós também podemos – no fato de Deus ter tratado justamente os nossos pecados; no fato da salvação se basear no fundamento sólido duma condenação cumprida, de tal forma que no céu ninguém nos poderá dizer, "O quê? Você aqui? Como você consegui?" Todos sabemos como chegamos lá e regozijar-nos-emos para sempre no bendito Salvador que levou com Ele toda a culpa e respectiva punição que nos era devida afim de podermos ser justificados pela Sua graça.
Muito mais poderia ser dito aqui acerca do poder da cruz, pois Paulo tem mais a dizer acerca do sangue, da morte e da cruz de Cristo, do que qualquer outro escritor da Bíblia, de fato, mais do que todos os demais escritores juntos.
Assim se abriu amplamente a porta e a oferta de graça indiscriminada a todos os homens (I Tm.2:4-7; Hb.2:9; I Jo.2:2).
Que mensagem maravilhosa temos para proclamar a este pobre mundo! Depois da mensagem do reino, com os seus requisitos legais e rituais, ter sido recusada pela raça favorita (Israel), Deus salvou o principal dos pecadores e enviou-o, não para requerer arrependimento e batismo para a remissão dos pecados, mas para proclamar a graça que transborda do Calvário. Não é de se admirar que ele enfatizasse isto, "para que a cruz de Cristo se não faça vã", mesmo com "sabedoria de palavras", e declarou: "Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar (4)... porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus" (I Co.1:17-18).
PAULO, A CIRCUNCISÃO, O BATISMO
E A CRUZ DE CRISTOCIRCUNCISÃO
"Eu, porém, irmãos, se prego ainda a circuncisão, por que sou, pois, perseguido? Logo o escândalo da cruz está aniquilado".
"Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gl.5:11; 6:14).BATISMO NA ÁGUA
"Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã.
"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus"
(I Co.1:17-18).O apóstolo Paulo declara claramente, especialmente na sua Epístola aos Gálatas, no que é relacionado com a salvação, que não é a circuncisão que importa, mas Cristo, e que em vista da Sua obra consumada a circuncisão foi abolida. E agora, eis que os teólogos (aqueles que ainda pensam que estamos sob os concertos – a Lei) ensinam que o batismo na água substituiu a circuncisão! Deus diz, "Não circuncisão, mas Cristo" (Gl.5:1-3); eles dizem, "Não circuncisão, mas batismo – e Cristo".
É difícil de imaginar onde uma teoria deste tipo pode ter tido a sua origem, pois não é apoiada por uma única linha das Escrituras, muito menos encontramos qualquer apoio para a prática que eles têm do batismo infantil. No entanto, isto tem-se tornado a crença tradicional de multidões, incluindo muitos crentes bíblicos fundamentalistas e evangélicos.
O BATISMO E O SEU PESO DE 1900 ANOS
Não é de se admirar que Paulo tivesse tido uma batalha espiritual a respeito da questão da circuncisão.
Durante 1900 anos este ritual foi praticado – biblicamente – pelo povo de Deus e os costumes há muito estabelecidos não são facilmente removidos.
Contudo, Paulo introduziu uma nova dispensação. Ele tinha proclamado a obra consumada de Cristo e com ela a abolição da circuncisão física. No entanto, crentes em Cristo insistiam em reverter da Substância para as sombras, da realidade para os rituais. Até procuravam persuadir um ao outro dizendo que a circuncisão era "necessária", ainda que não fosse claro o que pensavam exatamente sobre para que era necessária, exceto que, duma forma geral, era exigida para a salvação.
Assim, "alguns... da Judéia ensinavam" os crentes em Antioquia: "Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos", e como resultado "Paulo e Barnabé" tiveram "não pequena discussão e contenda contra eles" (At.15:1-2).
Uma vez mais, no conselho de Jerusalém, certos "fariseus, que tinham crido" levantaram-se para declarar que "era mister circuncidá-los [os gentios]", e a questão não foi resolvida antes de haver "grande contenda" (At.15:5-7).
Os judaizadores também tinham persuadido alguns crentes de gálatas a sujeitarem-se à circuncisão, mesmo apesar de já terem sido salvos. Como resultado temos a dura carta de repreensão, em que ele lhes salienta quanto está envolvido quando se adiciona o ritual da circuncisão à obra consumada de Cristo; o que, logicamente, tornaria sem valor a obra de Cristo (Gl.5:2), e obrigá-los-ia "a guardar toda a lei" (Gl.5:3).
Hoje temos uma batalha espiritual semelhante no que diz respeito ao ritual do batismo na água. Muitos crentes sinceros agarram-se a este ritual, e é difícil de fazê-los ver quanto, logicamente, isto afeta a verdade da obra consumada de Cristo. Podemos mostrar-lhes como o batismo na água, quando em vigor, era requerido para a salvação (Mc.1:4; 16:16; At.2:38) e que adicionando-o agora só pode trazer reflexos sobre a obra consumada de Cristo e envolver-nos logicamente no legalismo na mesma medida em que uma vez o fazia a circuncisão. Mas, como aconteceu nos dias de Paulo com a circuncisão, é muitas vezes difícil de fazer-lhes ver isto. Isto deve-se em grande medida ao fato do batismo na água hoje, como a circuncisão nos dias de Paulo, ter um peso de 1900 anos que é difícil de vencer.
Todavia, não queremos dizer que o batismo na água tenha estado biblicamente em vigor durante 1900 anos, pois estamos convencidos de que Paulo, sabendo que o batismo na água estava associado com a qualidade de Messias de nosso Senhor (Jo.1:31) esperava que passasse logo de cena. É claro que Paulo não foi enviado para batizar (I Co.1:17); de fato ele insiste que hoje há "um só batismo" (Ef.4:5), pelo qual somos batizados em Cristo (Rm.6:3) e no Seu Corpo (I Co.12:13).
No entanto, durante o seu próprio tempo de vida já tinha havido um retrocesso, em grande escala, de crentes ao legalismo e ritualismo que culminou na Idade Média (também conhecido como a Era das Trevas) e da qual a Igreja nunca mais recuperou-se completamente.
ÚLTIMA QUESTÃO
Uma última questão deve ser colocada:
Se o batismo na água fosse um mandamento bíblico para a presente "dispensação da graça de Deus", onde é que o leitor esperaria encontrá-lo na Bíblia? No Velho Testamento? Nos quatro "Evangelhos" ou em Atos? Nas epístolas judaico-cristãs ou no livro de Apocalipse? A sua resposta será, sem dúvida, negativa, pois se estivéssemos obrigados a essa prática hoje, encontraríamos o mandamento para ela nas Epístolas de Paulo.
Bem, será que, então, podemos encontrar alguma passagem nas epístolas de Paulo onde ele nos mande ou mesmo nos exorte a ser batizados na água?
Com esta questão damos por encerrado este capítulo, lembrando apenas aos nossos leitores que é impossível adicionar à obra consumada de Cristo, sem subtrair da Sua glória.
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