INTRODUÇÃO

A CONVERSÃO DE SAULO DE TARSO

Um evento na história que provavelmente segue a morte e ressurreição de Cristo em importância, é a conversão e comissão de Saulo de Tarso, posteriormente conhecido como o Apóstolo Paulo. No entanto, este grande evento é quase ignorado pelos historiadores e não há quaisquer celebrações ou feriados dedicados à sua memória.

Além disso, o significado do lugar de Paulo na história e no programa de Deus tem quase sido perdido de vista pela Igreja. Como resultado ele é considerado, mesmo pelos cristãos crentes, como meramente "um apóstolo" juntamente com os doze. No entanto, ele foi escolhido totalmente à parte dos doze, longe de Jerusalém, em território dos gentios. E ele não foi um seguidor de Cristo como eles tinham sido (Mt.19:28); pelo contrário, precisamente na véspera da sua conversão ele estava "respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor" (At.9:1). E na sua conversão ele foi logo designado apóstolo (At.26:16-17; cf. 20:24).

A conversão de Paulo é mais detalhadamente descrita e mais vezes referida nas Escrituras do que qualquer outra conversão, ou na verdade, do que qualquer outra experiência pessoal, exceto a crucificação e ressurreição de Cristo. A maior parte de três capítulos separados em Atos ocupa-se com este relato e é o tema principal de dois dos cinco discursos registados de Paulo. O próprio apóstolo está tão consciente da importância da sua conversão em relação ao evangelho da graça de Deus que se refere a ela repetidamente nas suas epístolas.

Nas escritas de Paulo aprendemos o que o Senhor Jesus Cristo realizou no Calvário, pois Paulo era, como ele mesmo testifica, o principal dos pecadores, salvo pela infinita graça de Deus (I Tm.1:13-16), graça que apenas podia ser conferida "pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rm.3:24).

O argumento de que a sinceridade de Paulo na sua oposição a Cristo constituía alguma desculpa para os homicídios e blasfêmia dele não tem base, pois dessa forma "o que tu crês sinceramente" toma o lugar daquilo que Deus tem dito na Sua Palavra e assim o homem não é mais responsável pela obediência à vontade revelada de Deus. Nós estamos colhendo os frutos desta filosofia ímpia que nos rodeia nos nossos dias.

Mas o fato estranho é que alguns, que têm aversão a esta filosofia, parecem fazer uma exceção no caso de Saulo de Tarso. Num esforço para provarem que ele não era o principal dos pecadores, apontam para a sua sinceridade e fazem dele, afinal, num bom homem! E isso quando sabem que Deus repudia completamente até as melhores obras dos que rejeitam a Cristo.

O fato é que Paulo podia e devia ter sabido que Jesus era o Cristo, porém, ele não desejou saber isto. Ele enganou a si mesmo em pensar que "contra o nome de Jesus de Nazareno devia praticar muitos atos".

O profundo ódio que Paulo tinha a Cristo elevou-o a uma alta posição em Israel. Quando ele "perseguia a igreja de Deus e a assolava", ele "excedeu em judaísmo a muitos da [sua] idade" (Gl.1:13-14).

À luz de tudo isto, Deus deve ter tido algum propósito muito especial ao salvá-lo. É sobre isto que este volume realmente trata. Foi escrito para demonstrar pelas Escrituras que Deus levantou Paulo para ser, tanto o arauto, como a demonstração viva da Sua graça para um mundo condenado.

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