A Reunião na Igreja – Parte I"Mas faça-se tudo decentemente e com ordem." – (I Co.14:40)
A IGREJA LOCAL E O PRÉDIO DA IGREJA
Quantos boletins de igrejas contém exortações como a seguinte: "Quando você entrar na casa de Deus, entre reverentemente", etc., ou "O Senhor está no seu santo templo: cale-se diante dele toda a terra", seguido com o pedido de manter o silêncio e reverência na "casa de Deus".
Tais sentimentos vêm das mentes de pessoas religiosas que não percebem que Deus não tem casa ou templo na terra hoje, exceto Seu povo. Da mesma forma, a igreja local não é um templo, mas aqueles que ajuntam-se nela. A palavra "igreja" (Gr. ekklesia) simplesmente significa uma assembléia "chamada".
Porém, se dedicarmos as nossas casas, nossos automóveis, nosso dinheiro e nós mesmos a Deus, quanto mais apropriado é dedicar-Lhe o prédio onde nos reunimos para adorá-Lo, orar para Ele, estudar Sua Palavra e cantar os Seus louvores! Tal prédio deve ser conhecido preeminente e consistentemente como um local onde crentes reunem-se para adorar a Deus e onde as almas perdidas e necessitadas possam ir para ouvir a Palavra de Deus ensinada e o evangelho proclamado.
Portanto, a necessidade das palavras inspiradas pelo Espírito à igreja em Corinto: "Mas faça-se tudo decentemente e com ordem."
A DESORDEM NA IGREJA
Hoje em dia, a passagem acima talvez aplique-se mais diretamente aos carismáticos, entre os quais encontra-se muita desordem. Esta desordem vem principalmente de uma má interpretação das Escrituras e da ignorância da verdade dispensacional. Mas é para a desordem em si que nós nos dirigimos neste artigo. Em I Co. 14:26 o apóstolo afirma:
"...quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação". Isto ele condena, adicionando: "Faça-se tudo para edificação." (1)
"Todos podereis profetizar" ele diz no versículo 31, mas é para fazer "uns depois dos outros para que todos aprendam, e todos sejam consolados."
Se estas passagens da Escritura aplicaram-se à igreja dos corintos na época de Paulo, aplicam-se muito mais à igreja carismática de hoje em dia!
Este escritor já visitou várias reuniões pentecostais e às vezes presenciou uma confusão quase que indescritível. Em uma reunião o pregador saltava no ar e gritava, "Isto é demais para mim!" e mais tarde, quando ele pediu que todos se ajoelhassem, um grande dilúvio de emoção humana foi solto. Uns oravam, outros cantavam, outros gemiam, outros salmodiavam, outros erguiam as mãos, outros batiam em seus joelhos com os punhos, e muitos falavam em "línguas". Tudo era confusão.
Muitos estavam de joelhos, mas tínhamos decidido permanecer em nossos lugares suspeitando que algo assim aconteceria. Assim, na nossa frente e agora voltado a nós, estava um homem de aparência comum que dava claras evidências que não era o Espírito de Deus que o controlava. Evidentemente sob o controle de algum poder vindo de fora dele, ele proferia alternadamente algum tipo de linguagem, e repetia as palavras, "Salve almas, salve almas, salve almas...", talvez umas doze vezes, numa seqüência tão rápida que fiquei pensando em como ele conseguia articular as palavras com tanta rapidez. (2) Que paródia de Pentecostes! Que violação grossa da Palavra de Deus em I Coríntios 14!
FORMAS VARIADAS DE DESORDEM
Mas outras formas de desordem freqüentemente prevalecem em igrejas fundamentalistas, que crêem na Bíblia, que estão centralizadas em Cristo, e sempre devemos tomar precauções contra o Adversário, que de bom grado fará uso da desordem para atrapalhar os crentes de pensar claramente e de privar almas perdidas do ponto e poder do evangelho da Sua graça. A irresponsabilidade pura da parte dos filhos de Deus freqüentemente ajuda Satanás neste objetivo.
O escritor passou vários anos da sua vida ensinando a Palavra por toda parte da nação – anos nos quais ele tornou-se cada vez mais convicto da importância de ordem na igreja local.
Em uma igreja ele testemunhou crianças brincando de "pega-pega" nos corredores durante os quinze minutos entre a escola dominical e a reunião principal da manhã, sem qualquer objeção. Freqüentemente ele tem observado bastante barulho e confusão ocorrendo até a hora quando a organista procurou abafar tudo tocando um hino. Certamente isto não serviria para preparar o povo de Deus para um tempo de bênção, nem para os incrédulos receberem Cristo como Salvador.
Em tais casos, talvez o pastor, o conselho da igreja, e os pais devam todos repartir a culpa. Devem gentil, mas firmemente, procurar que o trabalho do Espírito Santo não seja impedido por este motivo. Sem dúvida é normal para aqueles que não se vêem por, talvez uma semana, querer se cumprimentar e gostar da comunhão juntos, mas sempre devemos lembrar que a razão principal de ter a reunião é a comunhão na Palavra e nas coisas de Deus – e os incrédulos que estão presentes precisam sentir que isto é verdade.
Mesmo quando os membros da congregação estão apenas conversando, é uma boa idéia para o conselho da igreja começar a aquietar as coisas uns cinco minutos antes do começo da reunião. Tudo que é preciso fazer é para dois ou três andarem no meio das pessoas com as mãos ligeiramente
levantadas, dando a observação: "Vamos começar em alguns minutos." Geralmente isto fará com que as pessoas comecem a locomover-se em direção a seus lugares, especialmente se o pastor fizer um anúncio com o propósito de afirmar que o procedimento será assim no futuro.Outro problema que igrejas pequenas e grandes encontram é o distúrbio que resulta quando alguns jovens sentam juntos e que deveriam estar com os pais. O pastor nunca deve permitir que tais distúrbios continuem por muito tempo, porque certamente tenderá a impedir os outros de manter a sua atenção completa na pregação da Palavra. Talvez ele possa pedir a um ou dois dos rapazes que se sente em outro lugar, ou pedir a algum adulto: "Você faria a gentileza de sentar com aqueles rapazes?"
Bebês que choram é outro problema, porque a mãe naturalmente recebe a nossa compaixão, por também querer ouvir a mensagem. Porém, não é razoável ter a atenção da congregação focalizada num bebê chorão, quando deve estar centralizada no ensinamento da Palavra. A maioria das igrejas
tem uma sala especial onde as mães com crianças podem ir e ainda ouvir a mensagem através do sistema de auto-falantes. Algumas até podem deixar os seus bebês com voluntários que cuidam da criança. Em uma igreja, quando uma visita chega com um bebê no colo, uma das mães da igreja imediatamente tomará o lugar a seu lado e informará: "No caso de você ter qualquer problema com o bebê chorando, temos uma sala agradável no fundo da igreja onde você pode ir e ainda ouvir a mensagem. Você até pode deixar seu bebê com as mulheres lá e voltar para a reunião se desejar." Então, se o bebê chorar e a mãe, talvez petrificada, não se mover, alguém pode sussurrar-lhe isto novamente e assim tornará as coisas mais fáceis para ela.O escritor uma vez ouviu um pastor falando para um colega: "O que é uma igreja sem uma 'sala de choro'?" O amigo dele respondeu: "Ou é pequena demais, ou falta preocupação." Pastor J. C. O'Hair costumava dizer: "Bebês chorões, como boas intenções, devem ser efetuadas." (3) Se a sua igreja não tem uma sala especial para bebês chorões equipada com um sistema de auto-falantes providenciando a oportunidade para os adultos ouvirem a mensagem, seria certamente sábio considerar a instalação deste equipamento.
A NECESSIDADE DE LIDERANÇA ADEQUADA
Um tipo de "conduta desordeira" que ainda precisa ser considerada é aquela que às vezes é promovida pelos líderes em si. Só porque o prédio da igreja não é "a casa de Deus", alguns concluem que quase não importa como é usada.
Alguns anos atrás fomos convidados a pregar no sábado e domingo numa igreja à alguma distância da nossa cidade. Foi solicitado que chegássemos sexta à noite. Quando chegamos, ficamos horrorizados com o que vimos. Por acaso era o Dia das Bruxas, (4) e esticado pela entrada inteira da igreja estava uma grande faixa com as palavras: ENTRE SE VOCÊ TIVER CORAGEM!, e as crianças, vestidas como de costume no Dia das Bruxas, estavam entrando e saindo pelas janelas laterais da igreja. Como isto poderia estar honrando Deus? Como isto poderia impressionar a vizinhança do bairro que o evangelho estava sendo seriamente pregado ali nos domingos ou nas reuniões no meio da semana?
Muito mais poderia ser dito sobre a importância de ordem na igreja, e este assunto é muito mais significante do que as pessoas parecem pensar. Se a este escritor fosse ser permitido dar uma palavra de conselho sobre o assunto, ele sugeriria: O objetivo primordial da igreja deve ser o de dedicar o prédio a Deus, para que possa ser conhecido por todos como um lugar onde a adoração a Deus, o estudo da Sua Palavra e a pregação do evangelho estão em primeiro plano. Então rogue a Ele em oração fervorosa para Ele lhe dar o poder do Espírito enquanto você prega.
UM TESTEMUNHO PESSOAL
Durante todos os anos da juventude do escritor como crente, era um costume chegar cedo às reuniões da igreja, tomar os nossos lugares, e abaixar as nossas cabeças em oração para a bênção de Deus sobre a reunião. Apenas uns sussurros baixinhos eram tolerados quando os amigos se cumprimentavam. Esta era uma preparação apropriada para a reunião e teve uma grande impressão sobre os incrédulos que freqüentavam.
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1) De onde se tem a origem da nossa palavra edifício, prédio. Ele refere-se à edificação da igreja, espiritualmente.
2) Para um relato mais completo desta experiência, escreva para receber o artigo, O Movimento Carismático, Um Testemunho Pessoal.
3) Nota do tradutor: "Bebês chorões, como boas intenções, devem ser efetuadas." No inglês, a expressão "carry out" pode ter dois significados: efetuar ou carregar para fora. O Pastor O'Hair fez um trocadilho com os bebês e com as boas intenções, insinuando que os chorões deveriam ser levados para fora da reunião e, logicamente, as boas intenções devem ser efetuadas.
4) Nota do tradutor: O Dia das Bruxas, ou Halloween no inglês, tornou-se uma tradição americana somente nos últimos 100 anos. Antigamente na Europa, era ligado com a bruxaria, como o nome indica, e é sem dúvida, a raiz de grande parte da oposição do autor. Antecede o Dia de Todos os Mortos.
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