O Pastor em Si

Neste tópico apresentarei um esboço que deve ser preenchido por você.

Ontem à noite refleti sobre livros que tenho em minha biblioteca que estão relacionados com o pastorado, e um desapontamento de longa data ressurgiu em mim. Alguns destes livros lidam com os problemas do pastorado e outros – a maioria – com as técnicas de "como pregar". Deixe-me nomear alguns dos títulos: O Pastor e Sua Pregação, Problemas Pastorais, Como Preparar Sermões, A Preparação e Entrega de Sermões, A Teoria de Pregar, Variedade na Sua Pregação. Eles falam, essencialmente, em como lidar com os problemas do pastorado e como pregar eficazmente, i.e., o que o pastor deve fazer e falar e como ele deve fazer e falar estas coisas, mas lidam muito pouco com o pastor em si. Não me interprete mal, não quero criticar todos estes autores por falta de espiritualidade. Muitas lições valorosas – e verdades espirituais – são encontradas nestes livros, porém, em geral, sempre pensei que mais precisasse ser dito sobre o pastor em si – o que ele deve ser.

Enquanto refletia sobre meu passado, entretanto, um livro se sobressaia em minha mente que eu havia estimado mais do que todos os outros. Era A Teologia Pastoral, pelo velho francês, A. Vinet. Depois da introdução, Vinet usa muito de seu livro lidando com o pastor em si – seu caráter e responsabilidades como um pastor crente. E isto é importante, porque se um pastor é o que ele deve ser, ele certamente fará e falará a coisa certa na hora certa.

Como este assunto é muito vasto, tocaremos apenas brevemente, nas várias fases do caráter de um verdadeiro pastor crente: o que ele deve ser. Daqui em diante, esperamos que você considere cada sugestão à sua conveniência; pense sobre ela, tente pensar objetivamente, olhe para você mesmo à luz da Palavra e vontade de Deus. Continuarei a escrever na segunda pessoa, para que você saiba que eu também preciso destas "sugestões".

Primeiro, será que obedecemos Atos 20:28 e alimentamos o rebanho que Deus nos confiou aos nossos cuidados com alimento nutritivo da Palavra para edificá-lo espiritualmente? E será que temos cuidado em "dividir corretamente" a Palavra? Porque nenhuma boa anfitriã misturaria a sopa, a salada, a carne e a sobremesa todas juntas e serviria tudo assim numa tigela! De acordo com II Tm.2:15 Deus não nos aprovará como Seus obreiros se falharmos em manejar bem (dividir corretamente) a Sua Palavra.

E quanto à nossa atitude? Será que somos servos humildes "por amor de Jesus" (II Co.4:5) da nossa congregação? Será que temos corações de amor – amor cristão – pelos membros de nossas congregações (II Co.2:4; 12:15)? Será que somos "benignos, misericordiosos", como Cristo nos perdoou (Ef.4:32)? Será que somos sensíveis aos sentimentos dos outros – especialmente em face das suas convicções (Rm.14:14-23; I Co.8:9)? Entretanto, devemos "nos estimular" – no sentido de Hb.10:24! Se todos nós fizéssemos apenas mais isto em nossas relações um com o outro, como seriam abençoados os resultados! Será que temos compaixão, choramos com aqueles que choram, e nos alegramos com aqueles que se alegram (Rm.12:15)? É mais fácil, de alguma forma, fazer o primeiro do que o último, porque a compaixão geralmente vem mais facilmente do que a alegria – realmente alegrar-se, quando outros, em vez de nós, são abençoados! O homem é muito egoísta por natureza.

Será que somos pessoas agradecidas, transbordando naturalmente com gratidão, como Paulo o era com Deus e com aqueles que lhe fizeram qualquer gentileza? Deus tem bênçãos especiais para aqueles que reconhecem que não merecem todos os benefícios que recebem, mesmo que seja apenas a bênção de um coração contente, o que inclui dezenas de outras bênçãos! Lembre-se: o mundo pagão, com todos as suas superstições, medos e pecados, ficou assim por ser ingrato (Rm.1:21-24; cf. Fp.4:6; Cl.1:12; 2:7; I Ts.5:18). Será que somos generosos ao invés de ávidos? Como Paulo enfatiza isto em suas cartas a Timóteo e a Tito! O pai deste escritor uma vez disse: "Neill, existem muitos aproveitadores no ministério; não seja um deles. Ao invés disso, seja um doador, um ajudante, um encorajador." (At.20:35; Ef.4:28; Hb.13:16). Por um outro lado, será que somos desperdiçadores ou esbanjadores ao invés de econômicos, para que tenhamos o "que repartir com o que tiver necessidade" (Ef.4:28)?

Será que somos sérios? Pobre pastor é aquele que leva tudo na brincadeira e é conhecido principalmente por seus gracejos (Ef.5:4). Será que somos dignos do respeito dos outros, mesmo dos incrédulos – por nossa integridade e sinceridade (Cl.4:5; I Ts.4:12; I Tm.3:7; 4:12)? É a nossa conduta moral além da censura, ou somos homens "de uma mulher" (I Tm.3:2,12; Tt.1:6)? Será que temos cuidado em não revelar confidências, e para desencorajar tagarelices (Pr.11:13; 17:9)? Será que exercemos o auto controle e a disciplina familiar, especialmente quando às vezes pode ser necessário exercer a disciplina na igreja (I Tm.3:5)? Será que pedimos a Deus diariamente para suprir qualquer coisa que possa estar faltando em nosso caráter e fazer de nós o que devemos ser como pastores evitando assim a autoconfiança? Nunca devemos esquecer que um grama de confiança em Deus vale por "toneladas" de autoconfiança.

Será que somos como um "bom soldado de Jesus Cristo", dispostos a "sofrer aflições" por Ele, "ficar firmes" pela verdade e "estar firmes" contra as "ciladas" e "ardis" de Satanás, e, às vezes à sua hostilidade aberta à verdade (Ef.6:10-17; II Tm.2:3; 4:5)? Será preciso muita oração, às vezes, para superar o que só pode ser chamado de covardia. E as nossas vidas de oração? Será que realmente chegamos perto de Deus em oração – ou oramos biblicamente e inteligentemente? Mas isto terá que esperar por um artigo separado: o assunto é muito grande.

Apenas comecei e existe muito mais para ser considerado! Mas o Espírito Santo nos mostrará as nossas falhas e nos encorajará naquelas coisas nas quais, pela graça, nos submetermos a Seu ensinamento e disciplina. Então, amados, o nosso trabalho já está feito para nós. Ser um pastor é uma responsabilidade de verdade – que nunca conseguiremos cumprir totalmente – mas enquanto procuramos sinceramente cumprir esta responsabilidade para a glória de Deus, o trabalho será, de fato, recompensador.

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