Discernindo a Vontade de Deus
por Ricky Kurth
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PARTE II
A primeira coisa que precisamos lembrar em discernir a vontade de Deus é que Ele já mostrou a Sua vontade muito clara em diversas áreas. Por exemplo, se estivermos imaginando se é a vontade de Deus para roubarmos, fornicarmos ou casarmos com um incrédulo, podemos parar de imaginar estas coisas agora! Deus tornou Sua vontade evidente nestas e muitas outras áreas nas páginas da Sua Palavra escrita.
Mas quando se quer discernir a vontade de Deus em áreas não claramente especificadas nas Escrituras, primeiro devemos reconhecer que a vontade de Deus para nós como indivíduos é somente uma parte da sua vontade geral para nós como crentes, um assunto que examinaremos neste artigo. Começaremos com as palavras que Paulo usou para responder a uma oferta financeira dada de modo sacrificial pelos macedônios.
"E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus" (II Co.8:5).
Se o leitor for salvo, podemos dizer de modo inquestionável que é a vontade de Deus que nós nos demos ao Senhor. Um dia estaremos perante Ele no Seu Tribunal, onde perguntará se nós nos demos a Ele. Esta, sem dúvida, será uma pergunta que jamais esqueceremos, principalmente vindo Daquele que ainda estará sustentando as feridas do Calvário, onde Ele se deu por nós.
Entretanto, precisamos saber que quando nós nos damos ao Senhor haverá mudanças radicais em nossas vidas. Paulo nos diz que os macedônios primeiro se deram ao Senhor e depois deram das suas finanças, "acima" do que podiam dar. Do mesmo modo, quando nos damos ao Senhor isto pode levar a mudanças revolucionárias em nossas vidas!
Outro versículo que mostra a vontade geral de Deus para nossas vidas é encontrado em Gálatas 1:4 , onde ao falar do Senhor Jesus Cristo, Paulo diz:
"O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, SEGUNDO A VONTADE DE DEUS NOSSO PAI."
Se o leitor for salvo, é a vontade de Deus que seja livre deste "presente século mau". Observe que Paulo não está falando sobre a nossa salvação do Inferno. Graças a Deus que somos livres do Inferno, mas aquele mundo perverso não está "presente" conosco agora. Aqui Paulo fala de uma vida livre deste "presente" mundo. Portanto, se o leitor estiver vivendo em pecado, está vivendo fora da vontade de Deus. Se tiver curiosidade sobre a vontade de Deus em outras áreas da sua vida, é preciso entender isto primeiro!
Outro versículo que também lida com a vontade geral de Deus para nós é Ef.6:5-6:
"Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne... como servos de Cristo, fazendo de coração A VONTADE DE DEUS".
Aqui Paulo dá instruções aos servos, mas suas palavras também podem ser aplicadas a empregados em relação a seus empregadores. Meus caros irmãos, quando vamos trabalhar estamos "fazendo... a vontade de Deus". Às vezes, ouvimos esposas crentes reclamarem que seus maridos trabalham tanto que não têm tempo para as coisas de Deus. Embora concordemos que Deus quer que os maridos estejam envolvidos em outras áreas do serviço cristão, não deveria ser esquecido que o trabalho diário do homem é uma área primária do seu serviço cristão. Deus ordenou que os homens trabalhassem para prover para suas famílias e sustentar o trabalho do Senhor financeiramente. Logo, o homem que pode trabalhar e não estiver trabalhando, está vivendo fora da vontade do Senhor.
No contexto de Efésios 6, podemos generalizar do mesmo modo e concluir que as esposas que são submissas aos seus maridos e os filhos que obedecem a seus pais também estão fazendo a vontade de Deus (Ef.5:22; 6:4). Esta admoestação para crianças inclui os adolescentes, que podem estar começando a se perguntar sobre a vontade de Deus para suas vidas. Jovens, se estiverem procurando a vontade de Deus para suas vidas, é necessário ser obedientes a Deus primeiro nesta área! Se estiverem vivendo em rebeldia a seus pais, estão fora da vontade de Deus.
Em seguida, a vontade geral de Deus para nossas vidas como crentes é certamente o assunto de I Tessalonicenses 4:3-4:
"Porque ESTA É A VONTADE DE DEUS, a vossa santificação: Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra".
A palavra "santificação" significa estar separado para Deus como santo. Portanto, é a vontade de Deus que sempre usemos nossos "vasos", o corpo físico, em maneiras que tragam "honra" ao Senhor. Não caia na mentira do mundo que diz: "É meu corpo e farei o que bem entender com ele". Se o leitor for salvo, lembre-se disto: "...não sois de vós mesmos... porque fostes comprados por bom preço, glorificai pois a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (I Co.6:19-20). Se estiver usando seu corpo para a fornicação ou outros propósitos que não forem de natureza santa, está fora da vontade de Deus.
A vontade geral de Deus é sem dúvida também o assunto de I Tessalonicenses 5:18:
"Em tudo dai graças, porque ESTA É A VONTADE DE DEUS EM CRISTO JESUS PARA CONVOSCO".
É a vontade de Deus que sejamos crentes agradecidos, até mesmo quando parece ter pouco com que ser grato. O Apóstolo Paulo exemplificou este nobre espírito quando depois de enfrentar duas semanas de tempestades no mar, agradeceu por uma simples refeição (At.27:33-35). Qualquer protesto que possamos levantar para esta instrução é silenciado quando lembramos que mesmo na sombra da cruz, sabendo da provação que O esperava no Calvário, o Senhor Jesus Cristo também deu graças (I Co.11:24).
Bem, como podemos ver, Deus tem uma vontade geral para todos nós como salvos e todo salvo deveria desejar obedecer a Deus em todas estas áreas. Freqüentemente oramos: "Senhor, quero estar no centro da Sua vontade". Entretanto, deveria ser lembrado que o centro de um alvo de dardos é grande o bastante para acomodar vários dardos. Alguns estão mais perto do centro que outros, mas todos estão no centro do alvo e nenhum vale mais pontos que os outros. Do mesmo modo, se a esposa for fiel, o filho ou o empregado forem agradecidos e santificados e se deram ao Senhor, estarão no centro da vontade de Deus! E dentro deste centro, há bastante espaço para tomar decisões na vida que nos colocará numa área diferente do centro da vontade de Deus que outros crentes, sem perder "pontos" com Deus, por assim dizer.
Talvez o leitor esteja pensando: "Mas como isto me ajuda a descobrir a vontade de Deus em tais áreas como: onde devo morar, com quem devo me casar ou qual emprego devo escolher?" Para isto respondemos, quem é mais provável encontrar a vontade de Deus nestas áreas, um crente agradecido, santificado e fervoroso e que se deu ao Senhor, ou aquele que não está no centro da vontade geral de Deus?
Deus não apenas tem uma vontade geral para cada um de nós como crentes, Ele também tem uma vontade geral para nós como membros do Corpo de Cristo, uma vontade que primeiro se tornou conhecida ao Apóstolo Paulo. Logo depois que Paulo foi salvo na estrada para Damasco, Ananias lhe disse:
"O Deus de nossos pais de antemão te designou PARA QUE CONHEÇAS A SUA VONTADE..." (At.22:14).
Imagine que entre todos os homens da terra, Deus lhe escolheu para conhecer Sua vontade! Que sagrado privilégio! E quão precioso é ler que este Apóstolo não guardou para si mesmo este conhecimento da vontade de Deus, mas o repartiu conosco. Falando em Deus Pai, lemos:
"Descobrindo-NOS o mistério da sua vontade..." (Ef.1:9).
Através das epístolas de Paulo, Deus tornou conhecida toda a Sua vontade para nós como membros do Corpo de Cristo. E a Sua vontade em geral para nós é diferente da Sua vontade em geral para Israel. Por exemplo, a vontade de Deus para nós é sermos arrebatados ao céu (I Ts.4:13-18), onde iremos reinar com Cristo nos céus (I Co.6:3). Mas a vontade de Deus para Israel é reinar com Cristo no reino do céu na terra (Mt.19:28). É por isso que o Senhor ensinou aos discípulos orarem: "Venha o teu reino!" Nós podemos orar: "Que vá a Sua Igreja!" Os crentes que não manejam bem (dividem corretamente) a Palavra não sabem se eles estão "vindo ou indo"!
Isto nos ajuda a resolver perguntas do tipo: onde devo morar, com quem devo me casar e que emprego devo escolher? Sim, pois nas suas epístolas aos tessalonicenses, Paulo torna claro que seremos arrebatados antes da "ira" da Tribulação (I Ts.1:10; 5:9), enquanto que o Senhor ensinou a Seus seguidores hebraicos que eles teriam que passar pela Tribulação para entrar no reino. Se algum leitor pensou que este último era o plano de Deus para nós, talvez seria bom pensar no seguinte: pode ser que alguém escolha morar nas montanhas com uma arma, seu jipe e um depósito de mantimentos. Pode ser também, que algum leitor escolha um emprego que permita que sobreviva deste modo e ainda consiga encontrar uma mulher com quem casar que estivesse disposta a passar por tudo isso!
Portanto, não é de se maravilhar da importância que Paulo dá nas suas epístolas a como devemos conhecer a vontade de Deus em geral para o Corpo de Cristo. Em Colossenses 1:9, por exemplo, ele lhes disse:
"...nós... não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual".
Observe que Paulo ora para que sejamos cheios do conhecimento da vontade de Deus "em toda a sabedoria". É a sabedoria importante para conhecer a vontade de Deus? Salomão diria que sim! Como sabemos, quando Deus apareceu a Salomão em um sonho e lhe ofereceu dar qualquer coisa que quisesse, ele pediu a sabedoria, e a recebeu (I Reis 3:5-14). Que diferença isto fez na vida dela! Antes de receber a sabedoria, lemos:
"E Salomão amava ao Senhor... somente que nos altos sacrificava, e queimava incenso. E foi o rei a Gibeom para lá sacrificar, porque aquele era o alto grande; mil holocaustos sacrificou Salomão naquele altar" (I Reis 3:3-4).
"Nos altos" eram lugares onde os pagãos adoravam ídolos e por isso sabemos que antes de receber a sabedoria, Salomão adorava o Deus certo da maneira errada! Se isso parece ser familiar, é porque existem muitas pessoas que se chamam de "cristãos" que fazem o mesmo. Elas adoram o Deus certo da maneira errada, usam vestes luxuosas, velas, incensos e todos os outros ornamentos da religião. Até crentes sinceros adoram o Deus certo da maneira errada, através de costumes que incluem o batismo com água, falar em línguas, receber curas e muitas outras práticas que se encontram nas Escrituras, mas que são dispensacionalmente incorretas.
De que forma Salomão adorou a Deus depois que lhe foi dado um dom sobrenatural de sabedoria? Leia o que aconteceu depois que acordou do sonho no qual recebeu a sua sabedoria:
"E acordou Salomão, e eis que era sonho. E veio a Jerusalém, e pôs-se perante a arca do concerto do Senhor, e, sacrificou holocaustos, e preparou sacrifícios pacíficos..." (I Reis 3:15).
Em outras palavras, depois de receber a sabedoria, Salomão adorou a Deus da maneira correta!
Agora vemos porque Paulo orou para que fôssemos cheios do conhecimento da sua vontade, "em toda a sabedoria e inteligência espiritual". Crentes cheios deste conhecimento e a sabedoria que vem junto com ele, não serão batizados, não tentarão falar em línguas e não sacrificarão seu dinheiro ganho de forma suada para o Deus certo no lugar errado (ministérios que não ensinam a mensagem da graça).
Mais uma coisa sobre a sabedoria de Salomão:
"E ouvindo a rainha de Sabá a fama de Salomão... veio prová-lo por enigmas... E Salomão lhe declarou todas as suas palavras... Vendo pois a rainha de Sabá toda a sabedoria de Salomão... E disse ao rei: Foi verdade a palavra que ouvi... da tua sabedoria... eis que me não disseram metade... sobrepujaste em sabedoria... a fama que ouvi" (I Reis 10:1-7).
Cada semana pessoas escrevem para nós aqui na Berean Bible Society com "perguntas difíceis" semelhantes, perguntas que já fizeram a outros ministérios em vão. Freqüentemente, somos capazes de lhes responder, não porque somos mais espertos, mas porque temos "o conhecimento da Sua vontade em toda a sabedoria". Veja bem, a sabedoria de Deus na Bíblia é dividida em sabedoria do Seu programa profético e do Seu programa do mistério. Quando pessoas escrevem para outro ministério por sabedoria, somente ouvem a sabedoria profética de Deus. Como a princesa de Sabá, foi lhes dito somente a metade da sabedoria de Deus.
Quando introduzimos o assunto de discernir a vontade de Deus, prometemos também ajudá-lo a entender a vontade de Deus em outras áreas, tais como: "Porque estou com câncer?", "Porque uma tempestade destelhou a minha casa e não do meu vizinho?" e até "Porque meu filho teve que morrer?". Crentes me fazem estas perguntas de outros ministérios, ministérios que tem somente a metade da sabedoria profética de Deus, são forçados a sugerir que talvez em tais casos Deus esteja castigando estes crentes pelos seus pecados.
Não há pergunta que castigar é bíblico. Deus prometeu abençoar Israel quando ela fosse boa, mas amaldiçoá-la se ela fosse má, com secas, fomes e até permitindo que ela fosse conquistada por seus inimigos (Lv.26). Individualmente em Israel eram também castigados. Saul perdeu seu reino (I Sm.13:8-14). Davi perdeu seu filho (II Sm.11:1-12:14)
Portanto, castigar é bíblico mas é bíblico dispensacionalmente?
Quando perdemos um filho, estamos sendo castigados por Deus? Perguntas como estas pode literalmente assombrar um crente e devem ser respondidas de acordo com o conhecimento da vontade de Deus em toda a sabedoria.
Este escritor acredita que castigo físico é inconsistente com a dispensação da graça. Hoje Deus está abençoando quando somos bons, porque já somos abençoados com "toda" benção espiritual em Cristo (Ef.1:3). Mas para ser consistente, devemos também concluir que Deus não está nos amaldiçoando quando somos ruins. Senhor e cairmos no pecado hoje, não precisamos temer que Deus nos dará uma doença amanhã.
Algum assunto de I Coríntios 11:30 que castigar é de Paulo, mas esta referência é uma das mais velhas epístolas de Paulo, escrita antes da retirada de muitas coisas transicionais, como falar em línguas e outros dons descritos nos próximos capítulos (I Coríntios 12-14). É significativo que não há menção destes dons nas últimas epistolas de Paulo e acreditamos que isso é significante, então deve ser também significante que não há menção de castigo físico nas últimas epistolas de Paulo.
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