ASSUNTO LOUVÁVEL
Há alguns anos uma família foi para o Alasca para evangelizar os esquimós. Eles alugaram um local para se reunirem no segundo andar de uma loja na rua principal de uma pequena cidade daquele estado. Lá eles planejavam ter reuniões evangelísticas a cada semana, mas para seu desapontamento ninguém apareceu. Todos os esquimós suspeitavam destas estranhas pessoas que tinham vindo morar entre eles.
Um dos líderes dos esquimós estava determinado a descobrir o que estes estrangeiros estavam fazendo entre eles, então numa manhã de domingo, após o pequeno grupo ter se reunido, ele silenciosamente entrou pela porta dos fundos e sentou-se para ouvir.
O esquimó ficou horrorizado ao ouvir que os estranhos estavam cantando sobre sangue! Apavorado, ele apressou-se em espalhar a notícia entre os seus vizinhos e amigos: "Tenham cuidado com estas pessoas", ele disse, "elas tem más intenções e são perigosas. Eu os ouvi com os meus próprios ouvidos, estavam cantando sobre sangue!"
O pobre esquimó não conhecia ainda a alegre história que estes estranhos tinham vindo para lhes contar; ele não conhecia as verdades vitais e abençoadas que preenchem os corações dos crentes quando eles cantam sobre o sangue de Cristo, o nosso abençoado Redentor.
PAULO E O SANGUE DE CRISTO
Poucas pessoas imaginam que o apóstolo Paulo tem mais, muito mais para dizer sobre o sangue, a morte e a cruz de Cristo do que qualquer outro escritor da Bíblia. Elas não se dão conta de que a sua "pregação da cruz" são as boas novas de Deus sobre o que realmente aconteceu no Calvário. Sim, o sangue derramado de Cristo é a base exclusiva para a grande mensagem da graça de Paulo, e nunca antes de Paulo foi esta mensagem proclamada.
Mas o nosso Senhor não disse aos seus discípulos pouco antes da cruz: "este é o meu sangue... que é derramado por muitos, para remissão dos pecados"? Ah, sim, mas leia a passagem completa:
"Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados" (Mt.26:28).
Falando como o Messias hebraico aos hebreus, Ele deixou claro que o derramamento do Seu sangue era relativo ao Novo Concerto, a ser feito "com a casa de Israel e com a casa de Judá" (Jr.31:31). Só depois Deus levantou o Apóstolo Paulo para proclamar "a pregação da cruz", as boas novas que Cristo morreu por todos (I Co.1:18-2). Não foi até mais tarde que Deus, através de Paulo, convidou-nos, gentios na carne, a tomar parte da "ceia do Senhor", em memória da Sua morte pelos nossos pecados.
Sim, o sangue, a morte e a cruz de Cristo são a base exclusiva para o grande "evangelho da graça de Deus" por Paulo: justificação pela graça, através da fé apenas, o nosso batismo em Cristo e no Seu Corpo, a Igreja, a nossa posição em Cristo à destra de Deus e "todas as nossas bênçãos espirituais" lá. Tudo isto, e mais, é baseado no sangue de Cristo, derramado por nós.
A morte de Cristo como o Mediador do Novo Concerto não era um mistério. As figuras o prenunciaram, os profetas o previram, e o próprio Senhor contou aos Seus discípulos que a morte de Cristo como Paulo a proclamou foi de fato um mistério a que nunca antes se fez referência.
Foi uma mensagem da graça, graça pura para todos, não baseada em nenhum concerto ou promessa.
OS INCRÉDULOS E O SANGUE
Muitas pessoas estão preparadas e contentes por acreditar que Deus perdoa pecadores "segundo as riquezas da Sua graça", mas poucas aceitam o fato básico e fundamental que:
"Em quem temos a redenção pelo seu (Cristo) sangue", e que é nesta base apenas que Deus confere aos pecadores que crêem "a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça" (Ef.1:7).
Pela sua natureza o homem tem muita justiça própria e pode ofender-se quando lhe dizem que a salvação foi comprada para ele pelo derramamento do sangue de Cristo. Ele protesta, dizendo: "Sou eu tão mau que alguém tenha que morrer para salvar-me de pagar pelos meus pecados?" O derramamento do sangue de Cristo em pagamento da dívida do homem devido ao seu pecado é profundamente ofensivo para ele. Esta atitude é o que Paulo denomina "o escândalo da cruz" (Gl.5:11).
Esta é a atitude de muitos clérigos, também. Algum tempo atrás um pregador liberal declarou: "A doutrina da salvação através do sangue derramado de Cristo é repugnante às inteligências mais finas". Contudo, ela é uma das verdades básicas da Palavra de Deus, um dos fundamentos da fé cristã, que "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb.9:22).
Mas, caro amigo, se o pensamento do sangue derramado pelo pecado lhe é repugnante, apressemo-nos a lhe assegurar que ele é repugnante para nós também, e para Deus. Mas o pecado também é repugnante para Deus, e a verdade é que como Juiz Supremo de tudo Ele precisa condenar e punir o pecado.
Voltemos então e consideremos a validade e importância da doutrina bíblica da salvação através do sangue derramado de Cristo.
O SIGNIFICADO DO SANGUE
Quão significante é o sangue para aqueles de nascimento nobre! Como são cuidadosos com quem se casam, pois os seus filhos também devem ser de nascimento ilustre! Quanto se diz dos homens corajosos cujo sangue foi derramado, digamos, na Segunda Guerra Mundial, que deram a sua vida por nós! Como os homens se vangloriam se são descendentes daqueles homens corajosos que vieram junto com os primeiros exploradores, ou se seus ancestrais ajudaram a fundar uma cidade! Como se vangloriam se tiverem o sangue de grandes homens percorrendo por suas veias!
De fato, como os pais mais comuns são orgulhosos de seus filhos, a sua própria "carne e sangue"! Dentro da família pode haver muitas discussões, mas se alguém de fora interferir, todos eles se unirão contra ele. Não há vínculo humano tão forte quanto o vínculo sanguíneo.
A BÍBLIA E O SANGUE
À medida que analisamos as Escrituras também descobrimos que tudo isto é verdadeiro. Os filhos de Israel estavam proibidos de casar-se com aqueles de outras nações e de misturar o seu sangue com o de pagãos que adoravam ídolos. Os filhos de Abraão, Isaque e Israel eram muito orgulhosos de sua descendência. Ainda mais porque a linhagem sanguínea era particularmente importante nos tempos do Velho Testamento devido ao fato de que o Messias tinha que ser um descendente sanguíneo de Davi e de Abraão.
Mas a maior importância do sangue, nas Escrituras, reside numa verdade declarada em Levítico 17:11, em que Deus informou ao seu povo que "a alma da carne está no sangue". O derramamento de sangue por vingança ou por maldade ou ódio, portanto, sempre foi considerado um crime hediondo.
Mesmo à parte do crime, o derramamento de sangue é "repugnante às inteligências mais finas". Este escritor conheceu um talentoso cirurgião, que há alguns anos, se aposentou numa idade comparativamente jovem. A justificativa dele era: "Sou cirurgião há muitos anos, mas por alguma razão simplesmente não consigo acostumar-me com aquela coisa vermelha". Do mesmo modo, Deus também enxerga o derramamento de sangue com aversão, e o derramamento de sangue num homicídio é declarado um crime capital.
Depois que Caim, o primeiro homicida, assassinou o seu irmão, Deus o chamou para prestar contas e disse-lhe:
"Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra" (Gn.4:10).
O sangue de Abel clamava por vingança, por assim dizer, e por sua impiedade, Caim foi deslocado da presença de Deus, um fugitivo e errante, lamentando: "É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada" (Gn.4:13). Deste modo Deus realmente julgou o primeiro assassino da história.
O GOVERNO HUMANO E O DERRAMAMENTO DE SANGUE
Isto nos leva a uma outra importante passagem sobre a santidade para Deus. Instituindo a dispensação do Governo Humano, Ele disse em Gênesis 9:5-6:
"Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem".
O homem era, e ainda é, responsável por realizar esta diretriz. Por 1500 anos Deus até incorporou esta ordem na lei civil de Israel. Por seis vezes apenas em Números 35, Deus diz: "certamente o homicida morrerá"e avisa que o derramamento de "sangue faz profanar a terra; e nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que nela se derramar, senão com o sangue daquele que o derramou" (v.33). Vez após vez, com um uso de palavras variadas Ele avisa: "Não permita que o teu olho tenha piedade do homicida, para que a tua terra não esteja cheia de sangue".
O homem moderno, lógico, especialmente no primeiro mundo, conhece um "modo melhor"! Ao invés de compadecer-se suficientemente pela vítima e pelos seus entes queridos, e tomar medidas apropriadas para proteger outros a quem o assassino pode atacar em seguida, os tribunais estão sempre compadecendo-se do assassino, e como resultado o nosso país está de fato sendo "enchido de sangue", pois a mídia relata mais notícias sobre assassinatos e derramamento de sangue do que sobre qualquer outra coisa.
Mal se consegue ouvir as notícias de rádio ou ler um jornal sem tomar conhecimento de derramamento de sangue – às vezes sobre vários casos – e pensar dos muitos casos que não são relatados!
Pode-se dizer: "Mas estamos na dispensação da graça." É verdade, mas a dispensação do governo humano também ainda está em vigor. O assassino, condenado à morte, pode encontrar o perdão e salvação porque "Cristo morreu pelos nossos pecados", mas ele ainda deve responder ao governo pelo seu crime.
Mas se um assassino não for condenado à pena de morte, certamente sofre com sua consciência que o condenará até o fim dos seus dias na terra – e ainda depois disso. Muitos assassinos que temporariamente escaparam ao julgamento estão tão torturados pelo remorso que voluntariamente confessam os seus crimes e "se rendem" às autoridades.
Quando o nosso Senhor foi julgado, os Seus acusadores gritaram: "Seja crucificado"! "O Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" (Mt.27:22,25). Mas apenas alguns meses depois revelaram a culpa das suas consciências quando se queixaram aos apóstolos: "...e quereis lançar sobre nós o sangue deste homem" (At.5:28). Agora eles não estavam tão ansiosos de se responsabilizarem pela crucificação do Messias e, quanto a Judas, o Seu traidor, a sua consciência o fez voltar aos príncipes dos sacerdotes e lançar o seu dinheiro adquirido de modo vergonhoso, aos pés deles, confessando: "Pequei, traindo o sangue inocente" (Mt.27:3-4), após o qual ele "retirou-se e foi-se enforcar" (v.5).
O teólogo liberal que disse que "a doutrina da salvação através do sangue derramado de Cristo é repugnante para as inteligências mais finas", esqueceu ou ignorou o fato de que o pecado também é repugnante, especialmente para um Deus santo, e que a culpa e o temor de Seu justo julgamento sobre o pecado são também coisas terríveis.
O SANGUE DERRAMADO E A SALVAÇÃO DO PECADO
Como pastor do evangelho que por muitos anos teve contato com uma grande quantidade de pessoas, este escritor está certo de que, mesmo à parte do assassinato, Hebreus 2:15 é verdadeiro quando diz que "com medo da morte" as pessoas incrédulas estão "por toda a vida sujeitas à escravidão". Qualquer pessoa pode com toda liberdade falar para a maioria dos homens sobre um número sem fim de assuntos, mas fale ao incrédulo sobre a morte, a morte dele, e ele "congela". Ele constantemente evita falar ou mesmo pensar seriamente sobre a morte. Ele tem tanto medo dela que até evita de se preparar para ela e age como se a morte nunca o alcançasse, temendo durante todo o tempo, entretanto, que ela irá fazê-lo! Então ele deixa esta vida não preparado, e destinado ao julgamento que ele trouxe a si mesmo.
Quão lamentável é isto à luz do fato de que o remédio amargo para o qual a enfermidade horrorosa do homem exige já foi suprido por Deus na morte de Cristo no Calvário.
De todos os versículos do Velho Testamento que tratam do sangue da expiação, Levítico 17:11 é o principal. Aqui Deus diz:
"Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas".
O derramamento de sangue animal nos tempos do Velho Testamento era, naturalmente, simbólico e típico, pois Hebreus 10:4 corretamente destaca que o sangue de touros e bodes não consegue tirar os pecados. Sacrifícios de animais, todavia, ensinaram a sua lição. Imagine o impacto do primeiro sacrifício animal sobre Adão e Eva. Podemos quase enxergá-los, como quando os primeiros animais tremendo e agonizantes, foram sacrificados para prover túnicas para a nudez deles – podemos quase enxergá-los torcendo as mãos e dizendo: "O que fizemos! Oh, o que fizemos!" Que condenação do pecado este incidente deve ter forjado em seus corações!
Graciosamente, entretanto, Deus planejou e desde então tem revelado a nós, que o sangue de Cristo era para ser derramado pelos nossos pecados e pelos "pecados dantes cometidos" (Rm.3:25, isto é, os pecados cometidos pelas pessoas de eras anteriores).
Em relação aos crentes das dispensações passadas, foi porque eles fizeram o que Deus disse-lhes para fazer em fé oferecendo os seus sacrifícios de animais, que Ele os aceitou, lhes aplicando o pagamento futuro de Cristo pelo pecado sem saber que o Seu sangue derramado seria imputado às suas contas.
É desta maneira que lemos em Romanos 5:8 que "Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores". Ele fala historicamente aqui da raça humana, pois Cristo morreu por nós bem antes de termos nascido, até antes de alguns dos crentes de Roma terem nascido. Na eternidade passada, Ele viu a todos nós em nossos pecados e determinou pagar o preço da nossa redenção.
Vamos citar aqui algumas das muitas passagens nas quais Paulo declara que temos "a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça", baseadas no sangue derramado de Cristo.
Romanos 3:24: "Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus."
Efésios 2:13: "Vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto".
Efésios 2:16: "E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades".
Colossenses 1:20: "Havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz."
Colossenses 1:21-22: "A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou. No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis".
Observe bem que todas estas passagens falam do derramamento do sangue de Cristo, do esvaziamento da Sua vida na cruz de Calvário. Não foi porque Ele tinha sangue de rei circulando pelas Suas veias que Ele pôde nos salvar. Foi porque Ele derramou o Seu sangue e morreu por nós, pagando no nosso lugar a justa punição pelos nossos pecados (veja Rm.6:23).
À luz do que foi explicado acima, é estranho que os crentes deveriam cantar sobre o sangue de Cristo, derramado em benefício deles? É estranho que eles deveriam regozijar-se na verdade de Hebreus 2:14-15?
"E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão".
Como isto é gostoso para os ouvidos do pecador condenado! Este escritor lembra-se bem quão terrivelmente amedrontado ele estava em relação à morte, mas graças a Deus isto não é mais assim. E, amado amigo salvo, se através de enfermidade física ou falta de fé você ou eu ficamos com medo quando o momento chega para deixarmos este corpo, o fato permanece que nós não precisamos temer a morte, pois para nós "partir, e estar com Cristo... é ainda muito melhor", diz o apóstolo Paulo em Filipenses 1:23 – e isto é bem melhor não apenas dos problemas e tristezas da terra, mas muito melhor, inclusive, do que os tesouros e alegrias mais preciosos.
O SANGUE APLICADO
Aqui, entretanto, devemos enfatizar uma verdade ainda mais importante.
Em I Pedro 1:2 lemos da salvação através da "obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo". Aqui o apóstolo, logicamente, usa o simbolismo do Velho Testamento para apresentar um ponto importante àqueles da dispersão judaica.
Quando o Cordeiro Pascal era morto, isso não foi suficiente para salvar a família hebraica da morte.
Foi apenas quando o sangue tinha sido aspergido sobre a verga superior e ombreiras das portas de suas casas que as famílias que estavam dentro escaparam da morte. O sangue precisa ser aplicado.
Semelhantemente, o fato de que Cristo morreu e derramou o Seu sangue para salvar os pecadores não é suficiente para salvar você, amigo incrédulo. É preciso aplicar o sangue a você mesmo, para o seu caso, por assim dizer, dizendo com fé: "Ele morreu por mim. Confiarei Nele para a salvação, descansando na Sua morte como o pleno pagamento pelos meus pecados". Então vem o regozijo da salvação através do sangue derramado de Cristo.
NÃO HÁ OUTRO CAMINHO
Caim evidentemente foi um homem religioso. Ele foi o primeiro a trazer um sacrifício para Deus. Entretanto, ao invés de trazer o sacrifício de sangue que Deus exigiu, ele providenciou uma linda oferta de sua própria criação, o fruto do seu esforço, o fruto do solo (que Deus tinha amaldiçoado). Sem dúvida que era uma bela criação de hortaliças, com alguns tomates, algumas cenouras, um pouco de milho, etc. Mas o que dizem as Escrituras?
"...e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou" (Gn.4:4-5).
E em Hebreus 11:4 encontramos este comentário:
"Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons".
As palavras "pela fé" nesta passagem, indicam que Deus tinha instruído estes irmãos a trazer um sacrifício de sangue, pois "a fé vem pelo ouvir" (Rm.10:17). Nós acreditamos – ou não acreditamos – naquilo que ouvimos, e ouvimos o que tem sido dito. O sacrifício de Abel foi "maior" do que o de Caim porque foi trazido com fé. Ele ofereceu o sacrifício que Deus tinha lhe dito para trazer, enquanto que Caim ofereceu um sacrifício que ele pensou que fosse melhor, um sacrifício que expressava a sua obstinação e a sua justiça própria ao invés de submissão a Deus e fé Nele. Deus recusa-se a aceitar qualquer oferta deste tipo.
Quando deste modo Deus rejeitou a oferta de Caim, lemos que "irou-se Caim fortemente, descaiu-lhe o seu semblante" (Gn.4:5).
"E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar" (Gn.4:6-7).
Caim, como Abel, poderia ter trazido um sacrifício de sangue para Deus. Se ele tivesse praticado "a obediência da fé", ele teria feito isso. De fato, mesmo depois, Deus deu-lhe uma chance, advertindo-o por causa da sua atitude, e implorando com ele: "Se bem fizeres, não te aceitarei? E mesmo se não fizeres bem, isto é, se tiveres pecado, poderás também trazer uma oferta de pecado."
A lição para ser aprendida é a seguinte: Há apenas um caminho para chegar a Deus hoje, e esta é o caminho da cruz. Nenhum de nós tem qualquer direito intrínseco (real, essencial) ao céu ou de ser aceito por Deus. O céu é de Deus, não nosso. Cabe a Ele dizer se podemos ou não entrar. E uma vez que o pecado nunca pode entrar no céu, Deus tem sido mais do que gracioso em pagar a punição para os nossos pecados. Ele mesmo, para que possamos ser "justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rm.3:24).
Talvez o leitor se considera justo há muito tempo, pensando que a sua justiça pessoal ou as suas "boas" obras lhe obterão uma entrada para a presença de Deus. Se for assim, é preciso mudar o seu modo de pensar agora, antes que seja tarde demais. Ouça o que Deus disse para Caim e aprenda a lição. Se o leitor fosse perfeito, Deus não o aceitaria? Mas uma vez que não é perfeito, e de fato está bem longe de ser perfeito, há apenas uma maneira para encontrar a salvação e o perdão – do modo Dele. Aproxime-se de Deus reconhecendo o seu pecado e a sua necessidade desesperada. Chegue a Ele com a súplica única de que Cristo derramou o Seu sangue e morreu por você no Calvário. Venha como estiver, com todo o seu pecado, entre com o seu desespero e a sua necessidade e Ele graciosamente o aceitará, mas se vier defendendo a sua própria "bondade", Ele certamente o rejeitará. Ele não aceitará nenhum vangloriador no céu (Ef.2:8-9).
Como este escritor destacou num folheto evangelístico, escrito há muitos anos:
"Se o leitor quiser ser salvo da justa punição para o pecado, lembre-se disto: há apenas uma coisa que Deus, o Juiz de tudo, espera de nós. Ele espera que paremos de dizer coisas em nossa própria defesa. Não é o pecado que mantém o homem fora do céu, é a sua atitude. Deus, no Seu amor, tomou todas as providências para o pecado, pagando Ele mesmo a punição. Mas Ele não tomou nenhuma providência para uma atitude de justiça própria.
Às vezes, sabemos, o acusado chega ao ponto onde o seu advogado lhe diz: 'Seria vantajoso para você declarar-se culpado e ficar à mercê da corte!'
Esta é exatamente a nossa posição. Como podemos falar sobre o nosso cumprimento da Lei quando somos tão culpados de quebrá-la? Continue a defender-se e Deus nunca o salvará, pois Ele não permitirá vanglória no céu – especialmente a falsa vanglória. Mas confesse a sua culpa, fique à mercê de Deus e Ele graciosamente o perdoará e o justificará através de Cristo e a Sua obra completa de redenção".
É por isso que Paulo exclamou a seus ouvintes:
"Seja-vos, pois, notório, homens irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê" (Atos 13:38-39).
Não continue no "caminho de Caim", pois é interessante observar que, enquanto que ele era culto demais, refinado demais para matar um cordeiro para o sacrifício, ele não era refinado demais para espancar o seu próprio irmão até a morte num acesso de ciúmes. Este incidente tem a sua contrapartida entre os liberais dos nossos dias que proclamam que a salvação por boas obras é um caminho melhor do que a salvação pelo sangue. Os resultados com estes também serve apenas para salientar o seu erro doutrinal, pois são grandemente responsáveis pela impiedade e imoralidade que fascina tanto o mundo atual.
Caro leitor incrédulo, ponha de lado a sua justiça própria, renuncie ao "caminho de Caim" e com o coração humilde reconheça a si mesmo como um pecador por quem Cristo morreu, confiando Nele como o Seu Salvador e Senhor.
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé (no sangue derramado de Cristo); e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef.2:8-9).
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