Os Dons e Sinais Sobrenaturais do Período de Atos
por Paul. M. Sadler
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Capítulo 2
Uma Cadeia Inquebrável
"Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar" (I Co.12:8-9).
A referência que Paulo faz aqui à sabedoria, ciência (ou conhecimento), e fé, está no contexto dos dons de sinais. Em outras palavras, ele está falando do dom sobrenatural da sabedoria, do dom sobrenatural do conhecimento, e do dom sobrenatural da fé, etc. De modo interessante, estas manifestações milagrosas estavam inseparavelmente unidas, como veremos mais tarde.
Aqueles que hoje supostamente receberam poder do alto querem escolher os dons mais convenientes, para poderem enganar mais facilmente as suas platéias. Entretanto, quando estes dons eram praticados, eram praticados como um conjunto unitário. Talvez algumas ilustrações das Escrituras ajudem a demonstrar o nosso ponto de vista.
Sabedoria: Nos dias do Rei Salomão, ele orou para ter sabedoria divina para que pudesse governar mais eficazmente a nação de Israel. Como sabemos, Deus honrou o seu pedido e Salomão tornou-se conhecido como o homem mais sábio que jamais viveu.
Durante o seu reino, podemos recordar a história das duas mulheres que moravam na mesma casa. Ambas tinham sido abençoadas com recém-nascidos, mas uma mãe acidentalmente sufocou o seu filho durante a noite. Na manhã seguinte, quando a serva viu o que tinha feito, trocou secretamente o seu filho morto pelo vivo. É claro que quando a outra mãe acordou viu logo que a criança morta não era o seu filho.
Quando as duas mulheres compareceram diante de Salomão para resolver a disputa, ambas apresentaram argumentos convincentes. Mas como Salomão resolveria este assunto delicado? O rei meramente instruiu o seu capitão principal para dividir a criança em duas partes e dar metade a cada uma das mulheres. É claro que a mãe verdadeira rogou a Salomão que poupasse o seu filho e o desse à outra mulher. Quando isto aconteceu, Salomão soube que esta era a mãe verdadeira. "E todo o Israel ouviu a sentença que dera o rei, e temeu ao rei: porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça" (I Re.3:16-28). Esta mesma sabedoria foi dada na forma de dom aos primeiros membros do Corpo de Cristo.
Conhecimento: O dom de conhecimento capacitava o seu detentor a conhecer a vontade de Deus. Também lhe dava autoridade para atuar pela glória de Deus. Talvez o melhor exemplo deste dom seja o encontro de Pedro com Ananias e Safira (Atos 5). De acordo com a Grande Comissão, os santos do reino deveriam vender todas as suas possessões e repartir tudo em comum. Ananias e Safira tinham vendido uma propriedade, mas retiveram parte dos lucros. Ao colocarem uma grande parte dos seus bens aos pés dos apóstolos, parecia que tinham dado tudo ao Senhor.
Eles não imaginavam que o Espírito Santo tinha revelado sobrenaturalmente a Pedro a sua vergonhosa trama. Em face disso, Pedro perguntou a Ananias, "porque encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram. E, levantando-se os mancebos, cobriram o morto, e transportando-o para fora, o sepultaram" (At.5:3-6).
Cerca de três horas depois Safira entrou, ignorando totalmente o que tinha acontecido ao seu marido. Aparentemente, ela tinha ido às compras, gastando alguns dos lucros que ela e o seu marido tinham planejado, em segredo, não dar à igreja. Provavelmente, ela perguntou se alguém tinha visto o seu marido. Nesta altura Pedro teria entrado em cena e falado: Antes de responder a essa questão, "Diz-me, vendestes por tanto aquela herdade? E ela disse: Sim, por tanto" (At.5:8). Safira claramente colocou o laço em torno do próprio pescoço ao mentir contra o Espírito Santo.
"Então Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti. E logo caiu aos seus pés, e expirou. E, entrando os mancebos, acharam-na morta, e a sepultaram junto de seu marido" (At.5:9-10).
Pedro não tinha apenas exposto o pecado de Ananias e Safira, como também sabia que era da vontade de Deus pronunciar juízo sobre estes co-conspiradores. Isto é uma indicação clara de que no reino vindouro o juízo será rápido e certeiro!
"Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé" (I Co.12:8-9).
Visto que já tocamos nos dons de sabedoria e conhecimento, chegamos agora ao dom da fé. Claramente, este dom nada tem a ver com a regeneração da alma, como alguns ensinam. Os coríntios tinham sido salvos muitos anos antes de Paulo ter escrito esta carta, o que é apoiado pelo fato do apóstolo os chamar de santos em I Coríntios 1:2. O dom sobrenatural de fé que muitos destes coríntios possuíam, era a capacidade de realizar o impossível como resultado da sua profunda e permanente fé em Deus.
Próximo do fim da jornada do Senhor aqui na terra, quando Ele e os Seus discípulos viajavam de Betânia para Jerusalém, o Senhor teve fome. Foi logo depois disso que eles se depararam com uma figueira que tinha folhas, mas era estéril. Em resultado disso, o nosso Senhor amaldiçoou a árvore e disse: "Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente. E os discípulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira?" Não secaram apenas as folhas, mas toda a árvore desde a raiz (Mt.21:18-20; Mr.11:20-24).
É claro que a figueira representava a nação de Israel que, como Adão, procurou cobrir-se com as folhas da figueira da religião. Contudo, ela era espiritualmente estéril. Os líderes de Israel repetidas vezes falharam em dar ouvidos aos clamores de João Batista para que produzissem frutos dignos de arrependimento. Assim, o reino foi-lhes tirado e dado ao "pequeno rebanho" que dará fruto (Mt.21:43).
"Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito; e tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis" (Mt.21:21-22).
Se os discípulos pensavam que a secagem da figueira era extraordinária, ela foi meramente uma precursora de manifestações milagrosas que se realizarão antes e durante o milênio. O dom da fé lhes permitirá demonstrar a sua confiança inabalável num Deus soberano que "segundo a Sua vontade opera com o exército do céu e os moradores da terra: não há quem possa estorvar a Sua mão, e Lhe diga: Que fazes?" (Dn.4:35).
Há aqueles que crêem que o Senhor estava meramente falando figurativamente quando declarou: "se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito" (Mt.21:21). Em outras palavras, aqueles que possuíam este dom simplesmente receberiam poder para realizar atos incríveis. Apesar disso ser plausível, sempre estivemos entre aqueles que crêem que o Senhor estava falando literalmente. Duvidamos que haja muitos que questionem que o juízo da figueira fosse literal; portanto, podemos seguramente presumir que a oração da fé podia mover montanhas e em alguns casos até fazê-las desaparecer (Ap.5:8; cf. 6:9-10,14; Ap.8:3-8; cf. 16:17-20).
Um outro exemplo do uso deste dom é Estêvão. Como sabemos, ele foi escolhido pela Igreja do reino para ser um dos primeiros diáconos. Foi dito que era um homem "cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo" (At.6:8). Quando Estêvão debateu com os intelectuais do seu tempo a respeito dos ensinos do Messias, eles "não podiam resistir à sabedoria, e ao espírito com que falava" (At.6:10).
Este é um bom exemplo para mostrar que alguns crentes possuíam mais do que um dom. No caso de Estêvão, o dom da fé capacitava-o a confiar em Deus apesar do fato de ele estar encarando a morte. Proclamava a Palavra de Deus com tal ousadia que aqueles que disputavam com ele eram incapazes de responder à sua argumentação, mesmo que tivessem estudado nas melhores universidades daquela época. Estêvão falava com eloqüência e persuasão, porque ele também tinha o dom da sabedoria, que deixava os seus adversários emudecidos.
Estes mesmos dons foram concedidos a membros do Corpo de Cristo em conformidade com a nossa dispensação. Eles foram uma demonstração de que Deus estava tornando conhecido o Seu propósito secreto entre os gentios.
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