Os Dons e Sinais Sobrenaturais do Período de Atos
por Paul. M. Sadler
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Capítulo 5
"Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne mas segundo o Espírito" (Rm.8:1).
Este amado versículo tem sido usado por muito tempo como referência para provar a doutrina da segurança eterna. Mas enquanto a segurança eterna é ensinada em muitas Escrituras, convidamos o leitor a considerar que a segurança não é o assunto deste versículo. De fato, seria uma referência para provar a doutrina da segurança se o versículo terminasse com as palavras "em Cristo Jesus". Mas como o versículo termina com "que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito", e, assim, se este versículo fosse sobre a segurança eterna, estaria ensinando uma segurança condicional, porque estaria dizendo que há somente "nenhuma condenação" para aqueles que estão em Cristo e andam segundo o Espírito.É freqüentemente ignorado que Romanos 8:1 começa com "agora, pois" (a tradução da Versão Revista e Corrigida usa a palavra "portanto") e estudantes da Bíblia sabem que quando se encontra as palavras "agora, pois" (ou"portanto"), sempre se deve observar o que veio antes no contexto. Romanos 8 segue Romanos 7, onde Paulo acaba de descrever a auto condenação que experimentou quando tentou usar a Lei de Moisés para o ajudar com o pecado (7:24).
Aqui deveria ser lembrado que, como há mais de um tipo de salvação na Bíblia (Ef.1:13; Rm.13:11; Fp.1:19, etc.), há também mais de um tipo de condenação. Enquanto a Bíblia fala de uma condenação eterna (Jo.5:24), ela também se refere a outras variedades (Lc.23:40). E aqui sugerimos que o nosso texto está dizendo que andar no Espírito eliminará a auto condenação, que é o assunto do contexto.
"Porque a Lei do Espírito de vida em Cristo Jesus te livrou da Lei do pecado e da morte" (Rm.8:2).
"A lei do pecado e da morte" é a Lei que diz: "Se pecar, morrerá". É a Lei de Moisés, porque como todos nós pecamos, lemos que "a letra mata" (II Co.3:6), então a Lei foi apropriadamente chamada de "o ministério da morte" (II Co.3:7). Sabemos que a Lei de Moisés é o assunto aqui, pois o próximo versículo segue dizendo que a Lei não podia trazer a salvação (Rm.8:3) e quem poderia pensar que existe uma outra lei para realizar isto, a não ser a Lei de Moisés?
Ora se a Lei do pecado e da morte diz: "Se pecar, morrerá", então seja o que for que "a lei do Espírito de vida em Cristo" significa, deve ser algo que nos liberta da Lei de Moisés. Esta só pode ser a "lei" que diz que há "vida em Cristo", isto é, a Lei que diz que se crermos em Cristo podemos ser salvos da condenação da Lei (Gl.3:13). Isto certamente são boas novas para o incrédulo, mas no contexto, Paulo está falando sobre a sua experiência como crente.É verdade que o incrédulo que pecar morrerá. Mas também é verdade que o crente que pecar morrerá. Ele não morrerá a morte eterna que espera aqueles que morrem sem Cristo (Ap.20:14-15), mas morrerá a "morte cristã" que é o assunto de Romanos 6-8, a morte onde todo sinal vital do crente é "zerado" e ele entra num estado de inconsciência espiritual.
Qual é a solução para este problema? Bem, a solução para o incrédulo que é condenado pela Lei do pecado e da morte é crer em Cristo e receber a vida eterna. E achamos que esta é a mesma solução para o crente, cujo pecado faz com que a sua experiência cristã murche e morra. Não é necessário que seja salvo novamente. Ele precisa somente reconhecer que enquanto há morte no pecado, há "vida em Cristo". Paulo explica o que ele quer dizer com isto no próximo versículo.
"Por quanto o que fora impossível à Lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando Seu próprio Filho em semelhança da carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e com efeito condenou o pecado na carne" (Rm.8:3).
A Lei de Moisés era forte o bastante para a salvação somente se pudesse ser guardada (Lv.18:5; Lc.10:28; Rm.2:7; 10:5; Gl.3:12). A fraqueza da Lei se encontra naquilo que não se pode guardar. Ela era fraca por causa da fraqueza da carne. Em comparação, isto é semelhante a como um garfo grande tem condições de levantar um peru de 4 quilos, entretanto, se inserirmos o garfo na ave e tentar levantá-la, a carne do pássaro se rasgará e não poderemos levantá-la desta maneira. O garfo é forte o suficiente, mas é fraco devido à carne.Quando se descobriu que o homem não podia guardar suficientemente bem a Lei para ser salvo, Deus mandou Seu próprio Filho "em semelhança da carne pecaminosa". Quando nosso Senhor nasceu, Ele tornou-se "em semelhança de homens" (Fp.2:7), mas quando Deus mandou-O para o Calvário, foi lá que Ele foi feito "em semelhança da carne pecaminosa", porque "foi contado com os transgressores" (Is.53:12).
E todo crente sabe por que Deus mandou Seu Filho para morrer na cruz do Calvário. Foi como o nosso texto diz: "no tocante ao pecado". Esta frase é usada para descrever as ofertas levíticas que eram feitas "no tocante ao pecado" (Lv.6:26; 9:15), etc. E então, Isaías predisse que quando Deus mandasse Seu Filho ao Calvário Ele faria da "sua alma como oferta pelo pecado" (Is.53:10).
Foi também no Calvário que Deus "condenou o pecado na carne". Esta é a chave para o entendimento desta passagem. Todo crente precisa de uma coisa para condenar o pecado que habita na sua carne (Rm.7:17-20). A Lei de Moisés parece que seria suficientemente apropriada, por assim dizer, pois certamente condena o pecado! Mas enquanto a Lei parece ser o ideal para lidar com o pecado, Paulo tinha acabado de ensinar em Romanos 7 que quando se usa a Lei para condenar o pecado em nossas vidas, isto leva a sentimentos de auto condenação e desespero.
É aqui em Romanos 8 que Paulo nos diz o que se deve usar para condenar o pecado na nossa carne, isto é, a cruz de Cristo. Foi na cruz que Deus nos disse exatamente o que pensa do pecado, porque foi na cruz que mostrou Sua prontidão em derramar Sua ira sobre Seu próprio Filho, quando Ele foi feito pecado por nós. Se Deus estava pronto para punir até Seu amado Filho por causa do pecado, o pecado certamente deve ser uma coisa abominável à Sua vista.E isso é tudo que precisamos ter em mente para condenar o pecado em nossas vidas. É por isso que Paulo repreendeu os gálatas por eles tentarem usar a Lei para lidar com o pecado. Ele lhes lembrou que diante dos seus próprios olhos Cristo Jesus tinha sido "exposto como crucificado" (Gl.3:1). Esta é também a razão pela qual observamos a Ceia do Senhor: "porque toda vez que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor até que Ele venha" (I Co.11:26). Pois foi a Cruz que pagou nossos pecados e condena o pecado na nossa carne.
"Afim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito" (Rm.8:4).
As palavras "a fim de que" referem-se ao propósito ou o objetivo de uma coisa. Aqui, o propósito da morte de Cristo pelos nossos pecados não foi para nos capacitar a continuar a pecar, mas ao invés disto, para cumprir a justiça da Lei. E o objetivo de condenar o pecado no Calvário foi para nos dizer o que Deus pensa do pecado e nos prover com toda a motivação que precisamos para não andarmos "segundo a carne, mas segundo o Espírito".
Repare que Paulo não diz que a Justiça da Lei foi preenchida "por" nós, mas em vez disso, que foi "em" nós. Assim como há uma diferença entre a cirurgia feita por um médico e a feita no médico, a justiça perfeita da Lei, não pode ser cumprida por nós, mesmo depois de sermos salvos. Mas ela pode ser cumprida em nós, assim como "quem ama o próximo tem cumprido a lei" (Rm.13:8), então quando andamos segundo o Espírito e não segundo a carne, também cumprimos a justiça da Lei.É por isso que depois de lembrar os gálatas que o amor cumpre a lei, Paulo também lhes disse: "andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne" (5:16). Depois de ter lhes dito antes em Gálatas que a Lei não os ajudaria a lidar com o pecado, aqui ele lhes diz o que realmente ajudará! Assim como no exército, a melhor defesa freqüentemente é atacar, então a melhor maneira para não andar segundo a carne é andar segundo o Espírito.
Andar no Espírito não tem nada a ver com as alegações do pentecostalismo. Existem poucas outras maneiras que a palavra grega para "andar" é traduzida na versão Revista e Atualizada da nossa Bíblia em português. Hebreus 13:9 é uma passagem em que encontramos uma destas variações, especificamente na palavra "preocuparem", que aqui quer dizer "estar ocupado com". Portanto, andar no Espírito significa estar ocupado com as coisas do Espírito. Em outras palavras, a maneira de dizer "não" aos pecados da carne é dizer "sim" às coisas do Espírito. A maneira de tirar as coisas do mundo fora da sua vida é expulsá-las com as coisas do Espírito.
É isto que Paulo quis dizer quando escreveu "nem deis lugar ao diabo" (Ef.4:27). Não dê espaço algum ao diabo na sua vida! Se a sua vida for preenchida com as coisas do Senhor, não haverá lugar na sua vida para o pecado, porque nem mesmo o diabo pode adicionar uma única coisa à sua vida, pois ela já está cheia. É possível afundar completamente um copo invertido na água e a água não entrará no copo, porque o copo está cheio de ar. E então, se estivéssemos cheios de Espírito (Ef.5:18), não haveria espaço para as cobiças da carne na nossa vida.
É claro que o andar do crente começa com seus pensamentos e assim Paulo segue dizendo:
"Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne, mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito" (Rm.8:5).
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