O Engano da Tradição
por Ricky Kurth
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Como crentes, mantemos que a Palavra de Deus é a nossa maior autoridade em todos os assuntos de fé e prática.  Entretanto, quando este escritor era menino freqüentava a igreja católica, uma religião que ensina que a tradição da igreja tem a mesma autoridade que as Escrituras.  É deste modo que a igreja justifica as doutrinas do purgatório, rezar pelos mortos e a adoração à Maria, etc., nenhuma das quais pode ser encontrada na própria Bíblia católica.  Poderíamos pensar que existem versículos bíblicos nos quais baseiam as suas alegações para a autoridade destas tradições, mas isto não é o caso!  Considere uma das passagens que utilizam:

 

"Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado... E que desde a tua meninice sabes as sagradas letras..." (II Tm.3:14-15).

 

Observe, dizem, que Paulo encoraja Timóteo a continuar nas coisas que tinha aprendido do próprio Paulo pela tradição oral à parte das Escrituras, as quais não são mencionadas até o próximo versículo.  Pode-se entender que este não é um argumento muito forte, mas os católicos também usam outros versículos!  Por exemplo:

 

"E o que de mim, entre muitas testemunhas, OUVISTE, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros" (II Tm.2:2).

 

Hoje, usamos este versículo para ensinar que as nossas convicções sobre as Escrituras devem ser confiadas a homens fiéis.  Entretanto, o versículo não diz isto!  Na realidade, diz que Timóteo deveria confiar as coisas que tinha ouvido a tais homens.  Afinal, a igreja católica argumenta: "a fé é pelo ouvir" (Rm.10:17) e não através da leitura!

 

Talvez o argumento mais forte dos católicos pela autoridade da tradição oral se encontre em II Ts.2:!5:

 

"Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa."

 

Aqui, as tradições da igreja transmitidas por "palavra" são aparentemente dadas à mesma autoridade daquelas transmitidas por "epístola", isto é, pelas epistolas das Escrituras.

 

Na superfície, estes argumentos parecem ser baseados, pelos menos em parte, nas Escrituras e iremos nos dirigir a cada um deles mais tarde neste artigo.  Mas primeiro, vamos observar vários problemas ao fazer a tradição ter a mesma autoridade que as Escrituras.  Vamos iniciar considerando uma tradição que começou na época do nosso Senhor.  Quando Pedro perguntou ao Senhor o que aconteceria com João:

 

"Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?... Divulgou-se pois entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer.  Jesus, porém, não lhe disse que não morreria; mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?" (Jo.21:21-23).

 

Aqui temos um exemplo de uma tradição oral que começou antes que a Bíblia fosse completa!  Isto é significante porque a igreja católica alega que as suas tradições têm as suas origens na igreja primitiva.  Bem, não se consegue ser mais primitivo (antigo) do que isto!  Entretanto, esta tradição oral era falsa, demonstrando claramente a falta de confiabilidade da tradição oral encontrada fora das páginas das Sagradas Escrituras. 

 

Em seguida, o Senhor claramente avisou sobre os perigos das tradições orais, especialmente quando entram em conflito com as Escrituras.

 

"Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão" (Mt.15:1-2).

 

Os escribas e fariseus tentaram por muito tempo encontrar alguma falta no Senhor ou nos Seus seguidores. Quando finalmente encontraram, qual foi o crime hediondo que descobriram entre os discípulos?  Formicação?  Roubo?  Mentira?  Não, tinham feito uma refeição sem lavarem as mãos!  Pasmem!  Não é maravilhoso que os discípulos viveram de modo tão santificado que esta foi a pior acusação que seus inimigos conseguiram arranjar!  Que o mesmo possa ser dito de nós!

 

Mas aqui precisa ser entendido que os apóstolos não tinham violado uma das regras das Escrituras, mas apenas uma tradição oral predominante entre os escribas e fariseus.  Assim sendo, o Senhor respondeu:

 

"...Por que transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição?" (v.3).

 

Agora, do que chamamos algo que transgride a Palavra de Deus?  Uma transgressão, é lógico!  Portanto, vemos aqui que quando as tradições orais entram em conflito com a Palavra de Deus, não são apenas uma má idéia, são pecaminosas!  E o Senhor continua aqui a citar um exemplo onde a tradição deles transgredia a Palavra de Deus.

 

Como Ele ressaltou, a Bíblia claramente ensina que devemos honrar os nossos pais (v.4) e que qualquer "proveito" que possam receber de nós é o produto de uma dívida moral de amor que lhes devemos por tudo que fizeram por nós.  Entretanto, estes líderes religiosos não entendiam estas coisas desta maneira!  Conforme o Senhor continua a explicar:

 

"Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe,  E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus" (Mt.15:5-6).

 

Os escribas e fariseus argumentavam que qualquer proveito que os pais recebessem deveria ser considerado como uma "oferta", em vez de um reembolso por um débito moral.  Esta tradição oral fez com que muitos deles desonrassem os seus pais.  Quando isto acontecia, a condenação prescrita pela Lei especificava que a pessoa deveria morrer "de morte" (v.4).  Mas os escribas e fariseus argumentavam que "esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe" e estava livre da condenação.  E deste modo vemos que a tradição oral deles, com efeito, negava a Palavra de Deus!  Observe o que o Senhor disse das pessoas que tinham inventado estas tradições más:

 

"Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens" (v.9).

 

Aqui vemos claramente que os "preceitos dos homens" não deveriam ter a mesma autoridade dos mandamentos das Escrituras.  

 

Uma vez que as tradições que entram em conflito com a Palavra são transgressões, Pedro escreve sobre ser resgatado delas:

 

"Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados DA vossa vã MANEIRA DE VIVER que por TRADIÇÃO recebestes dos vossos pais,  Mas com o precioso sangue de Cristo..." (I Pe.1:18-19).

Obviamente, os pecados carnais da carne não são os únicos pecados dos quais os homens precisam ser resgatados!  Os homens têm a mesma necessidade de serem resgatados da maldade da tradição religiosa!  Lembre-se que Paulo falou da sua "conduta" nas "tradições de meus pais" e a sua necessidade de ser resgatado delas (Gl.1:13-15).

 

O perigo da tradição é bem ilustrado na história que é contada sobre cinco macacos que foram colocados numa jaula, onde tinha uma banana pendurada no teto e uma escada posicionada por baixo dela.  Entretanto, quando um macaco subisse a escada para pegar a banana, todos eles imediatamente levariam um banho de água, tratamento que não foi bem recebido pelos primatas!  Este castigo foi repetido tão freqüentemente e tão prontamente que em pouco tempo se um macaco tentasse subir a escada, os outros começariam a bater nele.  Eventualmente, o grupo tomaria as devidas providências contra um ofensor mesmo sem levar um banho de água.

 

 Neste ponto um dos macacos era substituído e o recém-chegado, logicamente, ia direto à banana.  Ele também apanhava e em pouco tempo aprendeu que tentar pegar a banana era um comportamento inaceitável.  Em seguida outro macaco era substituído e quando este também tentou pegar a banana, os outros batiam nele, incluindo o primeiro substituto.  Eventualmente, todos os macacos foram substituídos e todos batiam em qualquer macaco que ousasse ofender as regras, mesmo que nenhum deles tivesse levado um banho!  Agiram simplesmente em obediência a uma tradição profundamente enraizada, passada pelos macacos que vieram antes deles, sem saber o porquê da aplicação da mesma.

 

Que exemplo marcante dos perigos da tradição religiosa!  E como esta história sugere que muitos que seguem tais tradições o fazem cegamente, sem perceber a origem ou propósito de tais tradições.  Sabemos, por exemplo, que a proibição da igreja católica de comer carne na sexta-feira originou-se com um papa que tinha parentes na indústria da pesca!

 

O que dizer, então, daqueles versículos que Paulo escreveu que parecem autenticar a autoridade da tradição oral?  A chave é observar que enquanto Timóteo era de fato ordenado a continuar nas coisas que tinha aprendido, Paulo acrescenta: "sabendo de quem o tens aprendido" (II Tm.3:14).  As tradições orais que Timóteo aprendeu tinham sido aprendidas do Apóstolo Paulo, inspirado por Deus, enquanto que as tradições religiosas modernas não são!  As únicas tradições que nós devemos observar são as tradições paulinas que foram fielmente preservadas nas páginas das Sagradas Escrituras (cf. II Ts.2:15; 3:6).

 

Observe que em II Timóteo 3:15 Paulo escreve a Timóteo que as Escrituras "podem fazer-te sábio para a salvação", o verbo encontrando-se no tempo presente.  Timóteo já era salvo dos seus pecados, mas ainda precisava ser salvo de todas as angústias, dores e desesperos que acontecem por não continuar na doutrina das Escrituras (cf. I Tm.4:15).

 

No contexto imediato de II Timóteo 3:14-15, Paulo escreve a Timóteo que as Escrituras do Velho Testamento e a doutrina paulina combinam para fazê-lo sábio para a salvação dos "homens maus e enganadores" do versículo 13.  Porque "deste número" surgem aqueles enganadores que "levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados" (v.6).  Este versículo, que freqüentemente é mal compreendido, não é um comentário sobre a insensatez de todas as mulheres, mas somente daquelas que são fúteis o suficiente para serem levadas ao pecado por homens maus.  O que Paulo está querendo enfatizar é o seguinte: do mesmo modo que sempre houve homens maus que foram capazes de seduzir mulheres néscias, também houve maus líderes religiosos  que foram capazes de seduzir crentes néscios que não são sábios para a salvação de tais homens.

 

As ferramentas da sedução religiosa empregadas pelos líderes religiosos são muito semelhantes às ferramentas de sedução carnal utilizadas por homens lascivos.  Por exemplo, um homem que quer seduzir uma mulher freqüentemente toca uma música suave e romântica, porque a música pode facilitar a sedução.  Com isto em mente, você já ouviu alguém dizer que escolheu freqüentar uma igreja apenas na base do programa de música?  A música religiosa pode seduzir também!  E é deste tipo de sedução religiosa que as Escrituras do Velho Testamento são particularmente capazes de nos salvar.  Pensamos principalmente em Provérbios 7, onde Salomão encorajou seu filho a esconder "dentro de ti os meus mandamentos".

 

"Para te guardarem da mulher alheia, da estranha, que lisonjeia com as suas palavras" (Pr.7:1-5).

 

É muitas vezes dito que o lisonjeio não leva a lugar algum, mas a verdade é que o lisonjeio é uma ferramenta historicamente eficaz no arsenal daqueles com intenções de seduzir sexualmente.  Do mesmo modo, um número incontável de pessoas se perdeu na sedução de líderes religiosos que lisonjeiam os seus ouvintes a acreditarem que são pessoas boas e podem ser salvas pelos seus próprios méritos, à parte do sangue de expiação de Cristo!  "Os simples" aceitam este ensinamento sem questionar nada (Pr.7:7), da mesma maneira que "os simples" se encantam com as seduções de uma "mulher alheia", ou prostituta.

 

Salomão continua a descrever como estes jovens simples acham o caminho para a casa da mulher alheia "na escuridão e trevas da noite" (v.9).  Provavelmente não seja um segredo que a sedução carnal é muito mais eficaz à noite, mas e a sedução religiosa?  Ah, este escritor lembra-se muito bem do fascínio sedutor da "missa da meia noite" que freqüentava todo dia 24 de dezembro!  E do mesmo modo que toda pessoa má empenhada na sedução sabe do poder sedutor da luz de velas, muitos charlatões religiosos sabem que as velas também são sedutores no âmbito religioso e muitas igrejas são abarrotadas com elas.

 

Embora a moda tenha mudado através dos séculos, em qualquer geração sempre existiu "enfeites [vestes] de prostituta" (v.10) de fácil reconhecimento.  Semelhantemente, o clérigo de muitas religiões é facilmente identificado como tal pelas vestes compridas e colarinho branco.  Para aqueles que têm curiosidade sobre o fascínio que este tipo de roupa exerce, deve ser lembrado que às vezes ouvimos a expressão "tem algo de especial com um homem de uniforme"!  E enquanto "sacrifícios pacíficos" (v.14) freqüentemente incluíam bois e bodes, duvidamos que a sedutora mencionada acima, estivesse andando pelas ruas conduzindo um bode.  Sacrifícios pacíficos também podiam incluir oferecimentos de vinho e sem dúvida é a isto que a prostituta se refere e alega ter com ela.  E quem não sabe que o vinho é um elemento encontrado, de uma forma ou de outra, em muitas das religiões até hoje.

 

Indo pra frente na passagem de Provérbios, qual sedutora não sabe o poder que o perfume tem (v.17)?  Existem várias religiões que recorrem ao incenso para encher os sentidos daqueles que desejam seduzir.  Os simples também acham que falar de "amor" (v.18) é fascinante e qual religião não fala muito de amor?

 

Talvez o leitor possa estar pensando que nenhum crente verdadeiro seria enganado por estes truques, mas as "lisonjas dos seus lábios" (v.21) funcionam nos salvos tanto quanto no incrédulo.  O lisonjear pode ser definido como dizer algo a uma pessoa que ela quer ouvir e esta é uma das coisas em que os charlatões religiosos se sobressaem.  Os pregadores das igrejas que promovem a prosperidade, por exemplo, vendem uma mensagem de saúde e riqueza e quem não quer ser saudável e rico!

 

Mas certamente nenhum crente da graça seria enganado por coisas deste tipo!  Bem, quando Salomão adverte que "os simples" deste capítulo são facilmente enganados pela "multidão das suas palavras" (v.21), este aviso não é estranho, pois é muito parecido com a advertência com que Paulo termina o livro de Romanos:

 

"E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.  Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre: e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos símplices" (Rm.16:17-18).

 

 

Não existem palavras supérfluas ou avisos desnecessários nas epistolas de Paulo, e por sinal, este também é o caso em qualquer outro lugar das Escrituras.  Portanto, Paulo não estaria advertindo os crentes da graça em Roma a evitarem a sedução dos enganadores religiosos se não houvesse a possibilidade dos simples entre eles de serem enfeitiçados pelos tais.  Que aviso perturbador para aqueles, até entre os crentes da graça, que dizem que estão satisfeitos com as "coisas simples" da nossa mensagem!

 

Não nos consideremos especialmente habilidosos nas Escrituras, mas achamos que é muito provável que muitos dos nossos leitores poderiam se deixar levar por falsos ensinamentos, e isto em apenas alguns minutos.  Não duvidamos que até alguns minutos atrás alguns leitores estivessem imaginando se realmente existissem algumas Escrituras paulinas que autenticassem a autoridade da tradição oral!  Pode ser que faz muitos anos que o leitor acredite na mensagem da graça, mas Demas era também um crente firme na graça, senão Paulo não teria sentido a falta dele tão intensamente (II Tm.4:10).  E certamente entre "os que estão na Ásia todos se apartaram de mim" existia muitos líderes da graça que se desviaram dos ensinamentos do Apóstolo Paulo (II Tm.1:15).

 

E assim chegamos ao fim deste artigo com um apelo a nossos leitores de considerarem fazer os vários Cursos Bíblicos Bereanos por Correspondência que estão disponíveis a todos.  Também temos um catálogo de literatura disponível através do nosso site: www.wordofgracemission.org ou no nosso endereço: C.P. 473  Rio Claro, SP  13500-970.  Estar equipado de modo adequado na Palavra de Deus corretamente dividida não apenas protegerá a sua alma contra as ciladas de Satanás e de "homens maus e enganadores", como também lhe dará a capacidade de ajudar outras pessoas em perigo de serem enganadas por seus discursos e argumentos persuasivos.  Ainda é verdade que "o povo que conhece ao seu Deus se esforçará e fará proezas" (Dn.11:32).

 

Em cada geração há homens que são como os "filhos de Issacar, destros na ciência dos tempos, para saberem o que Israel devia fazer..." (I Cr.12:32).  Não somos tímidos para proclamar que na atual dispensação da graça, os crentes da graça são os homens modernos de Issacar!  Temos um entendimento das épocas.  Sabemos o que o Corpo de Cristo deve estar fazendo.  Porque não entra na batalha pela verdade e luta pelas almas dos homens.  A vida é curta, a eternidade é longa e o Tribunal de Cristo está se aproximando.  "Temos apenas uma vida, logo passará.  Apenas o que for feito para Cristo durará."

 

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