Um Guia Para Uma Vida Piedosa
por Ricky Kurth
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PARTE I
"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm.12:1-2).
Nosso texto de abertura nos fornece toda a motivação que precisamos para viver "no presente século sensata, justa e piedosamente" (Tt.2:12). Se o Senhor Jesus Cristo morreu por nós, é então razoável que vivamos para Ele! Mas como vamos fazer isto? Nesta série de artigos esperamos fornecer ao leitor instruções do próprio Deus de como viver uma vida piedosa.
Estudantes da Bíblia sabem que Romanos 9 a 11 são capítulos parentéticos (isto é, são capítulos especiais colocados dentro de um parêntese) e nosso texto de abertura em Romanos 12:1-2, de fato, segue a doutrina ensinada em Romanos 6 a 8. E, enquanto a motivação do andar piedoso é encontrada em Romanos 12:1-2, acreditamos que os mecanismos de viver uma vida piedosa são encontrados nos capítulos anteriores. Então planejamos examinar esta passagem detalhadamente, porque acreditamos que um entendimento de Romanos 6 a 8 fornece ao crente um guia de piedade do próprio Deus.
Após declarar a pecaminosidade do homem e a necessidade de um Salvador em Romanos 1 a 3, o apóstolo Paulo claramente estabelece como o Senhor Jesus Cristo pagou por todos os nossos pecados na cruz do Calvário em Romanos 3 a 5 e afirma que podemos ser salvos dos nossos pecados pela simples "fé no seu sangue" (Rm.3:25). Depois de concluir esta discussão em Romanos 5, Paulo então pergunta:
"Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?" (Rm.6:1).
"Que diremos pois?" A o quê? Ora, de ser salvos de todos os nossos pecados, passados, presentes e futuros! Paulo sabia que a reação natural para tal graça seria pensar que agora podemos pecar com impunidade e então antecipa este raciocínio falho e lida com ele aqui. Mas antes de refutar detalhadamente este pensamento, a resposta inicial de Paulo é exclamar dizendo:
"De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?" (Rm.6:2).
Depois que a exclamação de Paulo expressa completamente a sua revolta com tal pensamento, ele imediatamente se coloca para responder esta pergunta de uma maneira definitiva. Suas palavras: "Como viveremos" parecem argumentar: "Depois de tudo que Deus fez por nós, livrando-nos do pecado, como podemos ainda pensar em entristecê-Lo continuando a pecar?"
Isto é chamado de motivação da Graça. Deus não diz a nós, como Ele falou à Israel: "Se vocês forem bons Eu os abençoarei". Isto é motivação da Lei, o método tradicional de "recompensa ou castigo" e não funciona na atual dispensação da graça. Deus prefere nos dizer: Eu já os abençoei (Ef.1:3), não andareis de forma digna das minhas bênçãos (Ef.4:1)?
Vemos uma ilustração deste tipo de motivação em Gênesis 39. Quando José foi tentado a pecar com a mulher do seu dono, ele falou de tudo o que seu dono havia feito por ele, então perguntou: "Como eu poderei fazer tamanha maldade e pecar contra Deus?" (v.9). José poderia ter pensado: "Eu estou longe de casa, quem saberá?" Ou, "Deus parece ter me abandonado de qualquer maneira. Afinal, permitiu que eu me tornasse um escravo. Eu não Lhe devo nada!" Apesar da sua vida difícil, ao invés disto, ele permaneceu fiel ao seu Senhor que o tinha abençoado e nós deveríamos fazer o mesmo!
Se ouvíssemos que um bêbado continuou a beber depois de receber um fígado novo, ficaríamos revoltados. Deveríamos ficar revoltados, do mesmo modo, com o pensamento de alguém continuar pecando depois de Deus ter lhe dado um coração novo.
Poderíamos comparar a nossa situação com a dos diplomatas estrangeiros na capital do país. Eles têm "imunidade diplomática" e não podem ser processados judicialmente por terem violado qualquer uma das leis do país. Por causa disto, ficamos revoltados quando, ocasionalmente, escutamos que alguém transgrediu as nossas leis simplesmente porque tem "imunidade". Crentes, salvos pela graça, têm imunidade parecida à condenação eterna do poder da Lei de Moisés e é revoltante para nós considerarmos cometer os pecados pelos quais Deus punirá os incrédulos no Inferno por toda a eternidade. Falando dos pecados que ele enumera em Efésios 5:3-5, Paulo segue dizendo:
"Porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles" (Ef.5:6-7).
A graça não é uma licença para pecar, embora muitos crentes sejam enganados por "palavras vãs", dizendo que é (Ef.5:6). Isto é semelhante às "palavras falsas" com que Jeremias alertou Israel:
"Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam. Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, e depois vindes, e vos pondes diante de mim nesta casa que se chama pelo meu nome, e dizeis: Estamos salvos; sim, só para continuardes a praticar estas abominações!" (Jr.7:8-10).
Mentirosos estavam dizendo à Israel que os sacrifícios que eles traziam à casa de Deus os livrava do julgamento para que eles pudessem continuar no pecado. O propósito verdadeiro de Deus em dar à Israel estas coisas era provê-los com uma rede de segurança, no caso deles caírem no pecado. Mas, em resposta a estas palavras mentirosas eles começaram a usar a sua rede de segurança como uma rede de dormir, relaxando confortavelmente nos pecados pelos quais animais inocentes tinham morrido.
Isto me lembra como o sistema de auxílio desemprego é semelhantemente projetado como um tipo de rede de segurança para o trabalhador, no caso deles ficarem sem emprego. Existem muitas palavras que as pessoas usam para descrever aqueles que usam esta rede de segurança como se fosse uma rede de dormir e nenhuma destas palavras é um elogio. Jamais deveríamos, nós que estamos salvos pelo sangue de Cristo, considerar usar aquele sangue precioso como uma rede para passar o tempo relaxando na iniqüidade.
Que possamos ser achados como pessoas que apaixonadamente servem ao Senhor mesmo sabendo que estamos eternamente seguros. As pessoas têm elogios para o filho do dono que trabalha ardentemente, mesmo sabendo que ele não pode ser despedido e todas estas palavras são muito bonitas. Que estas palavras possam ser usadas para descrever cada um de nós como crentes eternamente seguros!
É próprio da natureza humana querer pecar, porque além de nossa tendência natural de transgredir as leis de Deus, o pecado é a única coisa que não podemos ter como crentes e os homens sempre parecem querer mais aquilo que não podem ter! Adão era o rei do mundo, mas ele queria o fruto da única árvore que ele não podia ter. Acabe possuía muitas terras como rei de Israel, mas ele queria a única terra que a Lei não permitia que ele tivesse (I Re.21:1-16). E Amnon, como filho do rei, era o solteiro mais requisitado de Israel e podia ter a mulher que quisesse no reino, mas ele queria a única mulher que não podia ter (II Sm.13:1-4). Estes exemplos da natureza humana ilustram bem a nós, como os filhos do Rei, que Deus "tudo nos proporciona ricamente para o nosso aprazimento" (I Tm.6:17) e mesmo assim cobiçamos a única coisa que não podemos ter: o pecado!
Isto é natural, mas o homem natural não é uma coisa boa nas Escrituras (I Co.2:14)! Quando estava com fome era natural para Israel se lembrar das coisas boas que tinham para comer no Egito e se esquecer quão miserável eram as suas vidas como escravos do Faraó. Da mesma maneira que é natural para nós lembrarmos dos "prazeres transitórios do pecado" (Hb.11:25) e esquecer que éramos escravos ou "servos do pecado" (Rm.6:17) e quão miseráveis eram as nossas vidas naqueles dias!
Depois o apóstolo segue explicando exatamente o que quer dizer quando ele diz no versículo 2: "Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?":
"Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?" (Rm.6:3).
"Morremos" para o pecado porque fomos batizados na morte de Cristo. Aqui o apóstolo não fala do batismo de água. Porque o batismo de água não nos coloca "em Cristo Jesus". O significado principal de batismo é identificação.
No primeiro batismo da Bíblia (I Co.10:1-2), Israel não sabia com certeza se as águas do Mar Vermelho se fechariam misteriosamente como tinham se aberto, mas eles sabiam, com certeza, o que aconteceria se eles perdessem tempo pois o exército do Faraó estava logo atrás deles. Entrando no Mar Vermelho eles proclamavam em voz alta: "Nós estamos com Moisés!" e deste modo se identificaram com ele. Da mesma maneira, o batismo na água do Senhor identificou-O como o Messias de Israel (Jo.1:31). Sua morte também foi chamada de um batismo (Lc.12:50) porque "foi contado (identificado) com os transgressores" (Is.53:12; Mc.15:27-28). E quando Tiago e João quiseram ser identificados com o Senhor na glória do Seu reino (Mc.10:35-37), Ele perguntou se estavam dispostos a se identificar com Ele primeiramente no sofrimento da morte (v.38).
Então o batismo de Rm.6:3 é aquele com o qual somos identificados com Cristo no momento que acreditamos no evangelho. É neste momento que somos "batizados em Cristo Jesus" (cf. I Co.12:13). Paulo diz que todos os que experimentaram este batismo também foram batizados na Sua morte. E enquanto o batismo de água não nos dá poder algum sobre o pecado (o assunto desta passagem) este batismo nos dá muito poder sobre o pecado! Permita-nos explicar:
Antes de sermos salvos tínhamos que pecar, porque tudo que fazíamos era pecado aos olhos de Deus. Até uma coisa amoral (que não é nem contrário nem conforme a moral) como arar um campo era pecado se feito por um incrédulo (Pr.21:4). Até obras justas feitas por incrédulos são consideradas "iniqüidade", pois são a auto-justiça (Is.64:6; Mt.7:22-23). Não é de se admirar que Paulo diga dos incrédulos: "não há quem faça o bem, não há nem um só" (Rm.3:12).
Mas enquanto era necessário para nós pecarmos antes de sermos salvos (porque tudo que se fazia era pecado), não é necessário pecar mais! Agora quando fazemos boas obras, Deus as vê como boas obras. O nosso batismo em Cristo acabou com o poder tirânico do pecado sobre nós e nos deu poder sobre ele (Gl.2:20). Que vergonha quando falhamos em usar nosso poder recém achado!
Isto nos lembra quando havia uma época em que as mulheres e os negros não podiam votar. Agora que lhes é permitido, é triste quando eles não o fazem. Semelhantemente, agora que podemos dizer "não" ao pecado, que vergonha é se não o fizermos. Anos atrás, a Biblioteca Nacional Americana fez uma campanha eficaz em prol da leitura que dizia: "Se você não lê, não é melhor do que aqueles que não podem ler". Do mesmo modo, se não evitarmos pecar, não somos melhores do que os incrédulos que não podem evitar pecar.
A coisa mais importante para se lembrar sobre nosso batismo na morte de Cristo é que a morte acaba com todos os relacionamentos! A relação de casamento, o relacionamento dono/escravo que ainda estava presente nos dias de Paulo, acabou tudo na morte. E nosso batismo em Cristo também efetivamente acaba com o nosso relacionamento dono/escravo que tínhamos com o pecado. Funciona deste modo:
Quando o Senhor foi feito pecado por nós (II Co.5:21), o pecado tornou-se Seu mestre, como era antes nosso, exigindo a Sua morte, como exigira uma vez a nossa. Mas quando Ele morreu, Ele morreu para o pecado e o pecado não tem nenhuma reivindicação sobre Ele (Rm.6:4-5). E quando confiamos em Cristo, somos batizados na Sua morte, acabando assim com o nosso relacionamento de dono/escravo com o pecado.
"Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida" (Rm.6:4).
As palavras "para que" aqui indicam que Deus tinha um propósito em identificar-nos com Cristo na Sua morte e sepultamento. Era para que também Ele pudesse nos identificar com Cristo na Sua ressurreição! Depois da Sua ressurreição, o Senhor começou uma nova vida, livre do pecado e nós também podemos começar uma nova vida!
O Senhor ressuscitou dos mortos e foi dado um novo começo. O número "oito" nas Escrituras é freqüentemente associado com novos começos. Deus fez seis dias, um dia de descanso, então determinou que no oitavo dia começássemos uma nova semana. "Oito pessoas" (I Pe.3:20) saíram da arca depois do dilúvio, para um novo começo. Oito pessoas na Bíblia foram ressuscitadas dentre os mortos e lhes foi dado um novo começo. E assim como a ressurreição do nosso Senhor deu-Lhe um novo começo, nós que somos identificados com Ele nesta ressurreição somos também dados um novo começo e encorajados a andar "em novidade de vida" (Rm.6:4). Que muitos crentes que almejam "começar tudo de novo" na vida, possam saber que tal aspiração não é apenas uma fantasia, mas pode ser uma realidade em Cristo!
"Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição" (Rm.6:5).
Nosso sepultamento com Cristo na verdade foi um plantio. Até um menino que cresceu na cidade sabe, como este escritor, a diferença entre plantar e sepultar. O bandido sepulta a arma do crime, na esperança que ela nunca seja achada e a pessoa que éramos foi sepultada "com Ele" (v.4)para nunca mais ressuscitar. Mas o fazendeiro planta sementes, esperando que elas ressuscitem novamente e tragam frutos. E assim lemos aqui que o nosso sepultamento com Cristo foi de fato um plantio, porque Deus espera que ressuscitemos e tragamos frutos para Ele.
Pode-se ver uma ilustração disto quando Deus plantou Israel em Canaã (Is.5:1-7) e expeliu todas as "pedras" das nações canaanitas, esperando fruto espiritual de todo o Seu esforço a favor de Israel (v.2). Quando eles trouxeram somente os frutos selvagens do pecado Deus estava perplexo, porque Ele não poderia fazer mais nada para eles do que já havia feito (v.4). Da mesma maneira, Deus não poderia fazer mais nada por nós do que Ele já fez. Que não tragamos o fruto selvagem do pecado em resposta a todo Seu esforço a nosso favor.
Visto que morremos e estamos sepultados com Cristo, "seremos também na semelhança de Sua ressurreição" e vamos ressuscitar dos mortos fisicamente com Ele se o Senhor tardar. Mas porque Paulo fala disto aqui? Certamente é porque Deus quer que vivamos a vida ressurreta agora, nesta vida (Fp.3:11). Quando ressuscitarmos da morte física, não pecaremos mais e Deus quer que vivamos este tipo de vida agora!
Em Atos 1:3 aprendemos como o Senhor viveu Sua vida ressurreta na Terra quando lemos que Ele "se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis". Bem, se é para andarmos "na semelhança da Sua ressurreição", deveríamos demonstrar que estamos vivos espiritualmente por muitas provas infalíveis através de uma vida piedosa e segui-Lo ao falar "das coisas concernentes ao reino de Deus". É claro que nos referimos ao reino proclamado por Paulo, não ao reino do céu na Terra.
"Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos" (Rm.6:6).
Muitos crentes se perguntam por que ainda têm problemas com seu "velho homem" se Paulo diz que ele está crucificado. Mas enquanto que Paulo diz que "fomos" batizados na morte de Cristo (v.3-4), conjugado no tempo passado, ele diz que o nosso velho homem "é" crucificado com Ele, no tempo presente. A crucificação romana significava uma morte certa, mas nunca significava uma morte imediata. Se alguém libertasse um crucificado se arriscava em também morrer, então, de qualquer modo, era certo que a morte seguiria a crucificação. Mas um homem crucificado freqüentemente demorava horas e até dias para morrer. E é assim também com o nosso "velho homem". O seu fim é certo, porque a morte ou o Arrebatamento vai nos livrar do velho homem para sempre, mas enquanto isto, ele permanece.
No entanto, o leitor deveria se sentir encorajado lembrando-se que com suas mãos e pés pregados numa cruz, um homem crucificado não tinha poder para obrigar alguém a fazer qualquer coisa. Do mesmo modo, nosso velho homem não tem poder na nossa vida para nos fazer pecar. Homens crucificados podem, porém, falar e isto explica porque ainda temos problemas com o nosso velho homem. Ele não é tímido em sugerir o mal em todas as oportunidades, mas possa Deus nos ajudar a tratá-lo como a impotente influência que ele tem sobre nossas vidas.
Embora o Senhor ensinasse que se um olho faz tropeçar deve ser arrancado e se uma das mãos faz tropeçar deve ser cortada fora, isto ainda permitiria ficar com um olho e uma mão para continuarmos a pecar! O que o Senhor nos oferece hoje através de Paulo, é muito melhor, porque o nosso velho homem é crucificado com Cristo "para que o corpo do pecado seja destruído".
"Porquanto quem morreu está justificado do pecado" (Rm.6:7).
A morte termina com todos os relacionamentos terrestres. A morte era a única esperança de liberdade para os escravos no início dos Estados Unidos. Imagine a frustração de Abraão Lincoln (presidente dos EUA entre 1861 a 1865) quando, depois de libertar os escravos, muitos deles escolheram ficar com seus donos! Então, imagine a frustração de Deus quando depois de Ciro libertar Israel da sua escravidão (cativeiro na Babilônia), apenas cerca de cinqüenta mil voltaram para Israel (Esdras 2:64-65). Agora imagine a frustração de Deus, quando "quem morreu está justificado do pecado", mas continua a pecar!
"Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos" (Rm.6:8).
Aqui Paulo fala da certeza da nossa vida futura, vivendo e reinando com Cristo no céu. Por que lembrar isto aqui? Bem, se realmente acreditarmos que viveremos e reinaremos com Cristo, viveremos uma vida melhor neste tempo presente – hoje.
Um presidente eleito em outubro não diz a si mesmo: "Eu tenho dois meses até assumir o cargo, é melhor eu aproveitar a vida agora porque depois terei que me comportar." Se ele fizesse isto, a mídia não lhe daria trégua! Do mesmo modo, nós que somos destinados a substituir os principados e poderes caídos e governar com Cristo nos céus, somos "os principados eleitos". E enquanto não assumirmos o cargo, já fomos eleitos e deveríamos estar refletindo sobre a dignidade do nosso cargo futuro agora, nesta vida.
"Sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus" (Rm.6:9-11).
O Senhor Jesus Cristo ainda não assumiu o Seu cargo, pois Satanás ainda é "o deus deste século" (II Co.4:4). Mesmo assim Ele já se considera vivo para Deus e já está refletindo a dignidade do Seu cargo futuro. Aqui Paulo está nos encorajando a considerarmos que o mesmo seja verdade de nós mesmos, que morremos para o pecado com Ele. Que nós também possamos viver para Deus!
Observe que Deus não nos pede para morrermos para o pecado. Ele simplesmente pede para nos considerarmos que já estamos mortos, o que é muito mais fácil. Assim como é mais fácil para os americanos contemporâneos se considerarem mortos para a Inglaterra do que foi em 1776 (época da Guerra da Independência Americana) para os americanos que tiveram que lutar nesta batalha. Deus não quer que sejamos como os soldados japoneses que não tinham ouvido que a II Guerra Mundial tinha acabado e eram freqüentemente achados escondidos anos depois nas Ilhas do Oceano Pacífico, ainda lutando numa guerra que tinha acabado há muito tempo. Ele prefere que simplesmente descansemos na vitória que Ele venceu sobre o pecado no Calvário!
Mas reconhecer que a batalha acabou e que estamos mortos para o pecado pode realmente nos ajudar? Deus diz aqui que sim e vemos uma semelhança quando ouvimos alguém dizer: "Tudo que eu precisava para vencer era achar alguém que acreditasse em mim." Bem, o próprio Deus crê que estamos mortos para o pecado e isto deveria nos dar uma força semelhante para reconhecermos que de fato é assim (II Co.5:21).
Quando este escritor era jovem, freqüentava uma reunião para jovens onde esta verdade foi retratada de um modo bem realista. Uma tábua de madeira foi estendida sobre dois baldes de metal invertidos. Uma adolescente teve os olhos vendados e pediram para que ela ficasse de pé no meio da tábua. Um narrador instruiu a dois jovens fortes para cuidadosamente levantar as pontas da tábua uns cinco centímetros dos baldes. O narrador então continuou "a descrever" como a garota estava sendo levantada tão perto do teto que ela deveria se agachar, ainda que os jovens (que receberam instruções anteriormente sobre o que fazer) estavam segurando-a a poucos centímetros do chão. Quando a garota se agachou para evitar bater a cabeça no teto, ela perdeu o equilíbrio e caiu da tábua. Tudo isto aconteceu porque ela considerou que algo fosse verdade na sua posição na vida e que simplesmente não era.
Do mesmo modo, se nós nos considerarmos vivos para o pecado e propensos a cair, é como cumprir-se uma profecia. Mas se nos considerarmos mortos para o pecado e vivos para Deus, isto também se tornará uma profecia cumprida!
E então, do mesmo modo que o presidente eleito imediatamente começa a refletir a posição dada a ele pelos eleitores, nós deveríamos refletir a posição que Deus já nos deu em Cristo. Que insulto aos eleitores seria para um homem viver em desgraça uma vez eleito para um cargo elevado. Possamos nós, como crentes, nunca escolher envergonhar a graça que nos salvou!
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