Um Guia Para Uma Vida Piedosa
por Ricky Kurth
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PARTE VI
"Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne, mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito" (Rm.8:5).
Quando é dito a uma criança: "seja educada", ela está sendo aconselhada a lembrar de que modo foi educada e permitir que isto influencie o seu comportamento. Portanto, as pessoas que andam segundo a carne fazem isso porque elas "se inclinam para a carne", isto é, elas mantêm as coisas da carne nas suas mentes e permitem que estas influenciem o seu comportamento, sendo salvas ou não. Mas crentes que são bem sucedidos em andar segundo o Espírito aprenderam um segredo: em vez de andar segundo a carne, mantêm em mente as coisas do Espírito.
Pode soar estranho, mas a Lei de Moisés faz com que o crente mantenha a mente nas coisas da carne, isto é, mantendo-as na mente e inconscientemente permitem que influenciem o seu comportamento. Devido a nossa natureza caída, se nos é dito: "Não pense em elefantes cor de rosa", esta ordem subitamente introduziu o pensamento de elefantes cor de rosa na nossa mente, enquanto que antes dessa hora talvez nunca teríamos pensado em elefantes. Se então, passamos o dia inteiro pensando: "Eu não vou pensar em elefantes cor de rosa!", o nossoenfoque se centraliza nesta proibição e mantém o gigante colorido no ponto central de nossa mente. Se ao invés disto, simplesmente mudarmos a nossa atenção para outra coisa, todos os pensamentos do paquiderme cor de rosa logo fogem de nossos pensamentos.
Do mesmo modo, passar o dia todo pensando: "Eu não vou roubar", somente mantém o roubo como o pensamento principal na nossa mente, ao passo que se mudarmos o enfoque para coisas espirituais, logo estas coisas tiram os pensamentos carnais da nossa atenção. Isto faz parte do que é chamado de "motivação da graça" e é a razão pela qual é bem sucedido onde a Lei falha, quando o assunto é ajudar o crente a lidar com o pecado. A Lei diz "não roubarás", sem nos dizer que método devemos usar para não roubar. A graça fornece a vitória juntamente como mandamento quando diz: "aquele que furtava, não furte mais, antes, trabalhe" (Ef.4:28). Se passarmos o dia pensando em como ganhar dinheiro, não pensaremos em como furtá-lo, então os pensamentos da nossa mente não influenciarão o nosso comportamento e farão com que não nos comprometamos com esta atividade ilegal e pecaminosa.
"Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito para a vida e paz" (Rm.8:6).
Um incrédulo com uma mente carnal está espiritualmente morto (Ef.2:1), mas o "pendor [inclinação] da carne" é a morte para o crente também. Preocupar-se com coisas carnais levará ao pecado e a morte da nossa experiência cristã, isto é, a nossa saúde e vitalidade espiritual. Mas ter uma mente espiritual é "vida", isto é, vida espiritual, saúde e vitalidade. Ter uma mente espiritual permite ao Espírito influenciar nosso comportamento, "porque o pendor... do Espírito" é "para a vida". Como Paulo escreveu em outro lugar: "mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna" (Gl.6:8). Aqui Paulo fala de colher os benefícios da vida eterna agora, nesta vida, por pensar piedosamente, o que leva a uma vida piedosa.
Outra benção de ter uma mente espiritual é a "paz", a qual no contexto aqui em Romanos 8 se refere a uma ausência de conflito debaixo da Lei que Paulo descreve no capítulo anterior. Como crentes da graça, não temos que viver como aqueles derrotados descritos em Romanos 7, como foi o caso com Paulo quando estava usando a Lei para ajudá-lo com o pecado.
"Por isso o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à Lei de Deus, nem mesmo pode estar" (Rm.8:7).
A palavra "inimizade" significa ser um inimigo de e a maioria dos incrédulos ficaria surpresa em saber que são inimigos de Deus (Rm.5:10). São totalmente contra Deus, até o "pendor [inclinação] da carne" deles o é(v.7; Cl.1:21). A mente carnal do incrédulo não pode estar sujeita à Lei de Deus, pois é escrava do pecado (Rm.6:17,20) e "ninguém pode servir a dois senhores" (Mt.6:24).
"Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus" (Rm.8:8)
Novamente Paulo está falando aqui sobre incrédulos. Enquanto que é possível aos crentes "andar segundo a carne" (Rm.8:1,4) e "viver segundo a carne" (Rm.8:12-13), somente incrédulos realmente estão "na carne" (Rm.7:5) e não tendo fé "não podem agradar a Deus" (Hb.11:6).
"Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm.8:9).
É uma verdade preciosa que o mais humilde dos crentes em Cristo está"no Espírito"e o Espírito está nele. O pai deste escritor era um mecânico especializado em fabricar peças e estampas e me ensinou a "dar um calor" no aço para fazê-lo mais duro e mais durável. Primeiro, um forno industrial é aquecido a uma temperatura alta que às vezes excede mil graus, e então o aço é colocado no forno em brasa. Cerca de duas horas depois, o aço está ainda no fogo, mas agora o fogo está também no aço, porque ele brilha com uma cor avermelhada até depois de ser removido do forno. Da mesma maneira, todo filho de Deus comprado pelo Seu sangue está no Espírito e o Espírito está nele.
"Se porém, Cristo está em vós, o corpo na verdade, está morto, por causa do pecado, mas o Espírito é vida por causa da justiça" (Rm.8:10).
Enquanto a alma do crente é salva e remida, seu corpo está "morto", precisa da salvação e redenção que lhe dará vida e que o Arrebatamento trará (Rm.8:23; 13:11; Ef1:14; 4:30). Mas há um Espírito dentro do crente que já deu vida a alma dele "por causa da justiça". Ainda é verdade que "na vereda da justiça está a vida" (Pr.12:28) e em Cristo somos feitos "justiça de Deus" (II Co.5:21; cf. Rm.3:22), e portanto, possuímos Sua vida eterna.
Mas embora esta seja a nossa posição em Cristo, o que tem isso a ver com o nosso andar? Vamos acompanhar Paulo enquanto ele explica:
"Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, este mesmo que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do Seu espírito que em vós habita" (Rm.8:11).
Sabemos que a ressurreição dos nossos corpos mortais no Arrebatamento não é o assunto aqui, porque Paulo fala da vivificação do nosso "corpo mortal". Corpos mortais são por definição suscetíveis à morte, mas estão vivos. Do mesmo modo, crentes são vivos espiritualmente, mas são suscetíveis à morte de sua experiência cristã se viverem segundo a carne. E crentes que viveram por um longo tempo em pecado são freqüentemente tentados a perderem as esperanças de serem tirados das profundezas em que caíram.
É a estes queridos santos que Paulo dirige estas palavras. Ele argumenta que se o Espírito que foi capaz de levantar até Cristo dos mortos vive em cada crente, então, não há crente que tenha ido tão longe no pecado que não possa ser tirado do seu domínio horrível. Aqui deve ser relembrado que assim como o nosso Senhor foi pendurado na cruz do Calvário, o Seu Pai colocou Nele os pecados de toda a humanidade de toda a história, julgou-O culpado por estes pecados e condenou-O à morte. Mas o Espírito foi capaz de levantá-Lo e dar-Lhe vida por causa da Sua justiça e o mesmo Espírito vive no mais humilde dos crentes.
Quando compartilhamos Cristo com os incrédulos, especialmente aqueles que carregam um pesado fardo do pecado, somos ansiosos para convencê-los da Palavra de Deus que "o Seu sangue pode limpar o mais imundo". Porém, quantos daqueles crentes que caíram no abismo do pecado já imaginaram se podem ser tirados da lama na qual se afundaram. É a estes queridos irmãos que as palavras de Paulo são dirigidas para que eles nunca desistam da esperança.
Pense por um momento sobre o poder de apenas um único pecado. O pecado de Adão não era tão grande aos olhos dos homens, ele comeu apenas um pedaço de fruta. Mas este pecado condenou-o a morrer fisicamente e eternamente, destinando a sua progenitura à mesma sorte horrível, contaminou toda a vida vegetal e animal e até mesmo a terra. Agora, considere que o Espírito foi capaz de levantar Cristo debaixo do peso de todo o pecado que já foi ou será cometido e este Espírito vive dentro de cada salvo. Isto é prova abundante que não importa quem somos, não importa o que fizemos ou faremos como crentes, Deus pode vivificar nosso corpo mortal pelo Espírito que vive dentro de cada um, levantando-nos para a saúde espiritual.
Mas deve ser apontado aqui que o instrumento vivificador do Espírito é a Palavra de Deus (Sl.119:25,107,154). Se o leitor cristão desta página sente-se perdido no pecado e degradação, o caminho de volta à vida e paz mencionada nesta passagem é alimentar-se da doutrina bíblica e a aplicação destes princípios à sua alma.
"Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne" (Rm.8:12)
Um devedor é alguém que tem uma dívida com um credor e a carne do crente não lhe deu nada que o endividou. Mesmo que Paulo não tivesse escrito estas palavras, subentende-se que temos uma dívida com o Espírito que não podemos pagar por tudo aquilo que fez por nós. E se a maneira de pagar uma dívida para a carne é viver segundo a carne, então inversamente pagar a nossa dívida ao Espírito é viver segundo o Espírito (Gl.5:25).
Este escritor cresceu perto da cidade de Chicago, onde todas as pessoas que trabalhavam para a prefeitura eram exigidas morar na cidade. Era a opinião da prefeitura que se seus funcionários ganhavam seu modo de vida da cidade de Chicago, eles em troca deveriam viver e gastar seu salário nas lojas da cidade e pagar os impostos na mesma. Dessa forma a cidade receberia um benefício em retorno pelo modo de vida concedido aos seus empregados. Da mesma maneira, "se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito" (Gl.5:25). Se for do Espírito que obtemos a nossa vida, é apenas correto que vivamos de tal modo que Ele obtenha um grande benefício em troca daquilo que nos concedeu.
"Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis" (Rm.8:13)
Aqui vemos a importância de reconhecer que a "morte"nesta passagem é a "morte cristã" da experiência cristã do crente e não a morte eterna da sua alma. Se o último fosse o caso, Paulo diria aqui que viver uma vida pecaminosa faria com que o crente perdesse a sua salvação. Mas como o primeiro é o caso, entendemos que é a saúde e a vitalidade espiritual do crente que é vulnerável à morte.
Quando Paulo diz "mortificardes os feitos do corpo", uma definição da palavra "mortificardes" é "matar" e outra é "levar à sujeição pela abstinência". Então, sugeríamos que a melhor maneira para destruir as obras pecaminosas do corpo é matá-las de fome, não permitindo que a nossa mente se alimente das influências pecaminosas do mundo ao nosso redor. Esta parte era o que Paulo tinha em mente quando nos aconselha: "nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências" (Rm.13:14). É claro, que isto deve ser feito "pelo Espírito" e não pela Lei, como Paulo vem dizendo nesta passagem e se apressa a repetir no versículo 13.
É interessante que a palavra mortificardes é definida como "a morte de uma parte do corpo de um animal, enquanto que o resto está vivo". Portanto, se mortificarmos as obras pecaminosas do corpo, isto deixará somente as boas obras do Espírito para continuarem a "viver", permitindo-nos realmente viver uma vida cristã. Enquanto que muitos crentes conseguem com dificuldade uma mísera existência cristã, Deus está ansioso que prosperamos, não que apenas sobrevivamos, como Seus filhos.
E então é a oração de fechamento deste escritor que estes pensamentos de Romanos 6 a 8, o guia particular do apóstolo Paulo para uma vida piedosa, capacite ao crente sincero em Cristo de não apenas viver vitoriosamente sobre o pecado, mas que aproveite ao máximo a vida no Senhor, da maneira triunfante e jubilosa na qual Deus deseja que vivamos. Amém!
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