"Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12:1-2).

UMA MENTE
Através da Transformação Bíblica

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INTRODUÇÃO

     Muitas vezes ouvimos alguém dizer: "Eu não tenho culpa, eu sou assim e foi assim que Deus me fez". Pensar desta maneira é muito infeliz uma vez que nega o poder de transformação do Espírito Santo de mudar vidas, e até culpa Deus por deficiências pessoais. Deus certamente aceita-nos do jeito que nós somos para a salvação (não temos que tentar livrar-nos do nosso pecado primeiro), mas Seu desejo não é de deixar-nos da maneira em que nos encontra. Seu desejo depois da salvação é começar a nos mudar de dentro para fora, isto é, transformar-nos desde as profundidades de nosso ser (mudar a maneira como pensamos e agimos). A ênfase não deve ser em quem nós somos, mas quem nós poderíamos ser pela graça de Deus. "Porque, como imaginou na sua alma, assim é" (Provérbios 23:7).

     Deus criou-nos na Sua imagem e, até certo ponto, sendo criado em Sua imagem inclui ser feito com três aspectos, ou peças, da mesma forma que Ele é três. Nossos três aspectos são: espírito, alma e corpo. Em termos gerais, a alma é aquela parte de nós que é auto-consciente (que é relacionada consigo mesmo e o mundo em nossa volta), enquanto que o espírito é aquela parte de nós que é consciente de Deus (que é relacionada com a fé e nosso relacionamento com Deus). Cada aspecto tem funções e necessidades específicas; felizmente, Deus tem um plano para cada um (de acordo com Seu conhecimento das complexidades de Sua obra).

     O plano de Deus para nosso espírito é regeneração, um ato de Deus instantâneo que nos salva por Sua graça no momento em que cremos. Seu plano para o corpo do crente é lhe dar um corpo glorificado no futuro (com um pouco de auxílio terrestre para os dias atuais). Este artigo explorará o plano de Deus para nossa mente. Nas Escrituras as palavras mente, coração e alma, são usadas freqüentemente de forma intercambiável; este padrão será seguido neste artigo. Seu plano para a nossa mente é de renová-la, para fazê-la completamente nova, desse modo transformando nossa vida inteira. Viver uma vida santificada (santo e agradável a Deus) é baseado nesta renovação, isto é, com o Espírito Santo produzindo o Seu caráter, vontade, valores e desejos em nosso coração. Em última análise, vemos que a Sua graça é vista não somente na salvação mas em cada aspecto e em todos os momentos de nossa vida. Seu poder dentro de nós ajuda a assegurar aquilo que a humanidade procura tão desesperadamente – uma mente sã. "E vos re­noveis no espírito do vosso sentido" (Ef.4:23).

     Nós humanos somos seres espirituais em corpos físicos com uma mente (alma) para fazer aquilo que o Espírito Santo ensina.

INSTRUÇÕES CELESTIAIS

     A palavra transformado (Romanos 12:2) no grego é metamorphosis (meta=mudanca, morph=forma) e ela significa: uma mudança na forma. Na prática, a palavra transformação é usada para descrever a mudança de   uma crisálida um tanto quanto feia (a larva) em uma linda borboleta. A transfiguração de Cristo em Marcos 9:2-13 era uma metamorfose. O Senhor quer que cada um de nós seja transformado e isto é realizado renovando a nossa mente. Nossa mente precisa ser mudada de tal maneira que a velha natureza com seus valores, crenças e práticas, seja substituída por aquilo que se conforma à mente de Cristo. Nós não somos programados geneticamente para transformar a nós mesmos, Deus não o fará para nós automaticamente, nem nos forçará a fazer isto. Fá-lo-á somente se nós O permitirmos e se cooperarmos com Ele no processo (andando no Espírito). 

     Os "crentes estão ordenados a mudar [ou se preferir, trocar] as expressões da velha vida e da velha natureza para aquela da nova natureza que habita em cada crente. Isto é feito através da renovação da mente pelo Espírito Santo. 'Renovar' significa: 'uma mudança completa para o melhor', efetuada pelo Espírito Santo (Tito 3:5)." A beleza da transformação é que nós encontraremos que a Sua boa, agradável (encantadora, amável), e perfeita (completa) vontade será exatamente o que necessitamos em nossas vidas. A Sua vontade em nossas vidas provará a nós, à família, à igreja, à sociedade, até aos anjos no céu (Efésios 3:10), como a perfeita vontade de Deus é a Sua provisão graciosa para nosso bem estar mental e espiritual.

PORQUE A TRANSFORMAÇÃO É NECESSÁRIA

     Pode-se obter uma boa lição espiritual do menino que olhava uma crisálida transformando-se em uma borboleta. O menino observou a crisálida sair do casulo e quis saber porque ela precisava esforçar-se tanto, e perguntou-se porque Deus fez com que ela tivesse de se esforçar daquele modo, não havia uma maneira mais fácil? Finalmente, o menino interferiu no seu desejo de facilitar o esforço da crisálida. Tirou o seu canivete e cortou com cuidado o casulo para que a criatura, que se esforçava, pudesse sair. Ela conseguiu sair, após balançar-se de um lado para outro, e o menino ficou encantado com seus próprios esforços heróicos. Mas então, a crisálida caiu no chão, contorcendo-se e esforçando-se muito porque não podia voar – suas asas não estavam desenvolvidas o suficiente. Eventualmente ela morreu. O menino então entendeu que o casulo, que achou que fosse um impedimento e um obstáculo, era em vez disto, vital para a vida da crisálida e permitia que ela tivesse tempo suficiente para se desenvolver em uma borboleta. O esforço era uma parte necessária da vida e os  atalhos bem intencionados dele tiveram apenas um efeito prejudicial. Para a borboleta voar exigia-se a metamorfose, e para isso precisava-se de esforço e tempo. 

     "Se nós não mudarmos de dentro para fora – se nós não nos transformarmos – seremos tentados a encontrar métodos externos para satisfazer a nossa necessidade de sentir que nós somos diferentes daqueles fora da fé." Se nós não permitirmos que o nosso "eu" seja transformado, nos acomodaremos em sermos informados (sem­pre aprendendo, II Timóteo 3:7) ou conformados a algo que não é Cristo. É aqui que nós crentes devemos ter cuidado para não cair em uma das ciladas astutas do adversário, isto é, a crença de que se não estamos nos conformando com o mundo estamos obedecendo Romanos 12. Uma pessoa pode ser contra tudo que o mundo tem a oferecer mas isto apenas torna essa pessoa um não conformista. O não conformismo não é transformação. O não conformismo pode resultar em uma pessoa irritada, agressiva, isolada – isto não é o desejo de Deus. A transformação é um assunto pessoal entre cada um de nós e o Espírito Santo, e, enquanto o Senhor produz Sua mente em nós, somos compelidos de nosso próprio coração a não nos conformarmos com o mundo. A transformação produz o não conformismo desejado, não o contrário!

     Talvez uma ilustração ajudará a esclarecer a afirmação acima. Se seu chefe lhe disser: "Uma emergência surgiu e você precisa ir rapidamente ao armazém. Não vá andando mas pegue o carro da firma." Então, se você fosse pensar: "Bem, me foi dito para não ir andando, então eu vou correndo", estaria obedecendo o seu chefe? Certamente que não. A ênfase do chefe estava em o que fazer, não em que não fazer. Embora correr não seja andar, não é isso que seu chefe quer e você não cumprirá o seu dever – apenas pegue o carro e isso resolverá todas as questões relacionadas a se você deve ir andando ou correndo. Em nosso caso, a ênfase do Senhor está na transformação, que resulta no conformismo a Cristo. 

     O grau em que somos conformados a Cristo é o grau em que o conformismo ao mundo é evitado. Os não conformistas puros podem terminar suas vidas de modo rancoroso e negativo porque nenhuma transformação ocorreu, somente uma preocupação em estar contra o mundo.

     Com demasiada freqüência pensamos que Romanos 12:2 nos dá duas ordens: 1) para não nos conformar com o mundo e 2) para sermos transformados. Não há um "e" entre as duas frases (que implica duas coisas); há um "mas", que indica que o Senhor está instruindo-nos a fazer uma de duas coisas (seja transformado). Temos a escolha de conformar-nos com o mundo ou de ter uma mente renovada conformada àquela de Cristo. A escolha de uma mente renovada evita a outra. Os legalistas gostam de ensinar que há dois itens aqui para nossa obediência e então arrumam uma lista de coisas que se pode e não pode fazer para medir o não conformismo com o mundo. Isto é perder o sentido do versículo inteiramente. Em condições ideais, sob a graça, a transformação cria uma mente que não tem nenhum interesse no conformismo com o mundo. Em termos práticos, nosso esforço terrestre é freqüentemente a luta entre o mundo e Cristo para conseguir a atenção da nossa mente; queremos certificar-nos que o lado da transformação esteja sempre ganhando a batalha.
 
     A salvação é requerida antes que a transformação possa começar, mas a transformação deve começar imediatamente depois disso. Qualquer tentativa de auto-transformação é inútil. Da mesma forma que nós não podemos nos salvar (Ele tem que fazer tudo para nós), também não podemos transformar-nos; entretanto, Ele fará isto para nós, através do tempo, enquanto nós nos submetemos a Ele. A transformação não é um ato de Deus instantâneo como a salvação; é um processo pela vida toda conduzido pelo Espírito Santo. É o processo de crescer espiritualmente (com seu "sobe-desce"), de crescer na graça, com o objetivo de continuamente ser conformado à mente de Cristo.

     Considere, por favor, estas razões porque cada um de nós precisa ser transformado
     – Superar o desfiguramento de Sua imagem devido ao pecado. 
     – A nossa mente é poluída devido à queda, o mundo e nossas próprias escolhas – nós precisamos de desintoxicação mental, da renovação da mente, de sermos reprogramados, e da mente de Cristo. 
     – Precisamos de uma mente nova que acompanhe a nossa salvação. 
     – Precisamos de um sistema novo de valores, desejos e objetivos – o sistema Dele (Filipenses 2:13). 
     – A renovação da nossa mente remove o modo de pensar negativo, uma das principais fontes de doenças mentais e físicas.
    – Tirar o velho homem (caracterizado por ser guiado pelo pecado, egoísta, comportamento defensivo, incapaz de admitir o erro, zangado, mau humorado, etc.) (Efésios 4:22).
     – Pôr o novo homem (Colossenses 3:10; Efésios 4:24).
     – Remover o peso opressivo de pensar que nosso desempenho é a medida de nossa posição com o Senhor. 
     – Bagagem mental (escondida nas profundezas da nossa mente) mantém-nos derrotados e desanimados, mantém-nos prisioneiros do passado, e temos que nos livrar dela.

UM POUCO MAIS SOBRE A BAGAGEM MENTAL

     Uma mulher viu um elefante muito grande e forte em um circo que era preso por uma curta corrente. A mulher sabia que o elefante poderia quebrar facilmente a corrente se quisesse, mas cada vez que o elefante chegou à extremidade da corrente apenas parou e nem sequer tentou escapar. O treinador disse que a corrente era a mesma desde que o elefante era pequeno, e que naquela época o elefante tentou muitas vezes quebrá-la, mas não conseguiu. Então, o elefante aprendeu, naquela época, que não poderia quebrar a corrente, e ainda lembra isto. "Veja só", disse o instrutor, "não é a corrente que prende o elefante, mas suas memórias". Infelizmente, isto é verdade para muitos de nós, nossas memórias prendem-nos e não experimentamos a liberdade que temos em Cristo. As memórias que guardamos com carinho são o tecido de nossas vidas, mas as memórias desagradáveis descosturam esse tecido.

     Este autor freqüentemente recebe cartas, telefonemas e e-mails de crentes que tiveram um passado triste. As suas histórias são intermináveis quanto a uma infância terrível, abuso físico e sexual, depressão, terapias erradas, amigos ou conjugues infiéis, pais maldosos, abuso do álcool e das drogas.... 

     Algumas pessoas parecem ter recebido só desgraças na vida, outras criam a desgraça para si mesmas. O passado, às vezes, é composto de coisas boas que não existem mais há muito tempo (carreiras, fama, família, amigos, riqueza); isto pode também ser negativo quando visto da perspectiva da uma grande perda. As memórias negativas do passado, quando remoídas constantemente (pensar repetidamente em nossas mentes) consumirá  uma pessoa emocional e fisicamente. Pensar negativamente sobre o passado alimenta a nossa hostilidade, amargura ou sentido de perda. Como não podemos fazer nada sobre o passado, precisamos de uma maneira nova de enxergá-lo. O pensamento negativo constante é como um câncer da alma e é uma fórmula certeira para se ter uma doença mental. É por isso que somos instruídos em Filipenses 3:13-14 a deixar tudo para atrás de nós (esquecendo o passado) e a olhar para a frente, para a linha de chegada.

     Se tivermos prazer de rolar na lama dos eventos negativos do nosso passado e não permitirmos a transformação, então o passado continuará a ser nosso presente e futuro.

     Em um esforço para aliviar a dor do passado e para promover a restauração muitas pessoas tentaram perdoar aqueles que os ofendeu. São decepcionadas freqüentemente, afirmando que o perdão não funciona porque ainda recordam a dor do passado e as pessoas ainda as tratam da mesma forma. O perdão não significa que esqueceremos o passado; somente Deus pode esquecer-se de tais coisas. O perdão da nossa parte não muda o passado, ou mesmo as pessoas; o que ele faz é libertar-nos do domínio que o passado tem em nossa vida atual. Desta maneira, cria em nós uma perspectiva nova que permite que caminhemos para frente na vida. O perdão cria uma condição em que as memórias do passado não continuam a nos controlar emocionalmente – então uma memória do passado não cria a tristeza, hostilidade ou lágrimas. Neste respeito, um amigo crente ou um terapeuta crente que use os princípios bíblicos pode ser usado pelo Senhor para ajudar uma pessoa a enxergar e interpretar o passado e eles mesmos de forma diferente. É melhor perdoar uma injustiça do passado do que deixá-la inflamar-se em amargura que manchará o resto da nossa vida. Nosso futuro em Cristo pode ser muito diferente, desde que permitimos que Ele faça com que a verdade de "todas as coisas são novas" (II Coríntios 5:17) fizer parte de nossa vida diária.

     Para finalidades de esclarecimento: o perdão e o esquecer do passado são relacionados com a nossa mente; entretanto, outras responsabilidades cíveis, legais e familiares ainda permanecem. Podemos afastar-nos de uma mente errante e obter uma nova maneira de pensar mas não devemos afastar-nos das responsabilidades terrestres.  
    
     Assim sendo, dívidas, pensão dos filhos, qualquer ação criminal e outras responsabilidades semelhantes, ainda precisam ser tratadas.
 
     Quando nossas mentes são presas não há nenhuma alegria. A renovação da mente permite que o Senhor remova aquilo que prende as nossas mentes e restaura a nossa alegria. Considere este exemplo bíblico: depois da primeira destruição do templo em Jerusalém muitos judeus foram forçados ao exílio na Babilônia, onde lamentaram: "Junto aos rios de Babilônia nos assentamos e choramos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros, que há no meio dela, penduramos as nossas harpas. Porquanto aqueles que nos levaram cativos, nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos..." (Salmos137:1-3). Eu acredito que este texto ensina o princípio que, quando se está cativo, não há nenhum alívio da tristeza. Pendurar as harpas no salgueiro é muito simbólico porque esclarece duas coisas: 1) as harpas que normalmente trouxeram a alegria não podiam mais, e 2) as árvores do salgueiro (a casca contém o ácido salicílico, o antecessor da aspirina) não podiam mais enfraquecer a dor deles. (Desde então esta árvore graciosa é conhecida como "chorão"). De forma semelhante, nosso passado, problemas, vícios, etc., podem prender-nos e nada neste mundo aliviará a dor ou a tristeza – somente Cristo pode.

     Não há nenhuma alegria enquanto nossa mente estiver presa a qualquer coisa a não ser a Cristo.

O PROPÓSITO DA TRANSFORMAÇÃO

     O Pastor Sadler afirma: "Quando a dispensação atual foi dada a Paulo, a própria natureza da 'graça' deu nascimento a uma nova revelação, relacionada com a nossa caminhada cristã." Lewis Sperry Chafer enfatiza: "Deus tem uma finalidade sob a graça, uma maneira de vida totalmente nova para o crente," que consiste em:

     – Ajustar a nossa vida ao habitar interno do Espírito Santo, e de manter uma atitude de dependência ininterrupta a este Espírito.
    – A lei não pôde realizar nenhuma mudança no coração/mente do homem, nem as nossas tentativas de manter regras o podem; o Espírito somente pode fazer isto.
     Sob a graça, Deus propõe pelo Espírito, primeiramente criar os motivos e desejos celestiais, e então, pelo mesmo Espírito, dar poder à vida através da Palavra até a realização plena daqueles desejos (Fil.2:13). 
     – Portanto, pode-se pensar que a graça não é uma maneira de escapar da obediência a Deus, é a única maneira possível em que a obediência verdadeira pode ser assegurada. 

     Toda vez que você espremer uma laranja obterá suco de laranja. Se você quiser suco de uva, nenhuma quantidade de fé ou de oração sincera fará com que suco de uva saia de uma laranja. Até uma criança sabe que você sempre obterá suco de laranja, "porque é o que está nela". Então esta pergunta precisa ser feita: o que sai de nós quando somos espremidos? O que realmente está no interior é o que sairá quando espremido pelo estresse da vida. O amaldiçoar, comportamento viciado, a amargura, a vingança, ou a tristeza saem? Enquanto o Senhor transforma nossa mente e a renova, Seu fruto é produzido em nossa mente; então o que sairá será amor: gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gálatas 5:22).

     "Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade" (Efésios 5:9).

COMO FUNCIONA A TRANSFORMAÇÃO

     Os crentes devem abraçar e claramente compreender o que é a transformação.

•   Não é um ato instantâneo de Deus, é um processo de Deus pela vida toda.
•   Não é um presente (não é adquirido tudo de uma vez ou em uma forma completa, como um presente); é a obra contínua do Espírito Santo que exige cooperação e esforço da nossa parte. Neste aspecto, ajuda compreender que geralmente um presente espiritual e um ato de Deus estão juntos (exemplo: salvação), enquanto que, o fruto espiritual e um processo de Deus estão juntos (exemplos: amor, gozo, paz).
•   A voz passiva (no grego) em Romanos 12:2 significa que o Espírito Santo fará a transformação para nós enquanto cooperamos com Ele (escutando, cedendo, orando, confiando, submetendo-se, aprendendo, estudando, obedecendo…).
•   Nós não conseguimos uma mente renovada apenas por orar, pedir ou acreditar. Não existe nenhum atalho ou maneiras rápidas e fáceis para tornar-se espiritualmente maduro.
•   O resultado é Seu fruto crescendo em nós (Gá­latas 5:22-23; Filipenses 1:11; Efésios 5:9).
     O fruto cresce lentamente e exige: Nutrição (pela Palavra, oração, obediência…), Cultivo (remoção da erva daninha, isto é, aquelas coisas velhas em nossa vida que bloqueiam a nossa nova vida em Cristo), Irrigação (nos reunirmos com outros irmãos), Terra Fértil (uma mente receptiva e esfomeada), Podar (remover freqüentemente um pouco de "si" de modo que possamos estar mais perto da Videira e produzir um fruto melhor), e Remoção de Pragas (Efésios 6, guerra espiritual).

     Os diagramas esquematizados abaixo serão usados para ajudar a ilustrar este ministério importante. Com respeito à alma e o espírito, Hb.4:12 indica que somente a Palavra de Deus pode discernir a diferença entre eles porque são muito semelhantes em sua natureza e atividade. Do mesmo modo, as atividades da alma, da mente e do coração são semelhantes, e sobrepõe-se muito.

     Na Figura 1, os quatro círculos representam o nosso ser interior. Na parte externa está a nossa casa provisória (o corpo), em seguida, mais profundamente em nosso ser, localiza-se a nossa alma (mente/coração), e nas partes mais profundas de nosso ser (nosso núcleo) encontramos o nosso espírito. O círculo mais interno seria um buraco negro (sem Deus) para o incrédulo, mas para o crente, o Espírito Santo Se interioriza e preenche esta parte mais importante de nosso ser. No passado (in­cluindo os Evangelhos), o Espírito operava externamente para criar mudanças dentro da pessoa. Mas agora, nesta dispensação, o Espírito Santo está dentro da pessoa e opera para fora – um meio muito mais eficaz para assegurar um comportamento piedoso. Ele opera das partes mais profundas de nosso ser, operando para fora, transformando nossa mente e vida no processo.

     Enquanto o Espírito Santo opera, Ele está principalmente interessado nas áreas mais importantes da nossa existência, isto é, nosso espírito e as partes mais profundas da nossa alma. O que contém estas áreas onde o Espírito opera primeiramente? Bem, os assuntos essenciais da vida. Começando com os assuntos mais profundos e indo para o menos profundo, a ordem é, em termos gerais, deste modo: estar ciente de Deus, fé, consciência, caráter, sistema de valores, vontade, desejos, e assim por diante. A Figura 2 representa uma vista mais detalhada de várias partes da nossa composição (do corpo ao Espírito Santo) e como se relacionam. Coisas como personalidade e emoções estão longe do núcleo; não é tão provável que Ele mudará nosso corpo, personalidade ou emoções como poderá mudar os assuntos centrais. Ele muda nossos assuntos centrais e cria fruto em nossas vidas; deste modo, uma pessoa poderá ter gozo interno (assunto de caráter) mas pode não demonstrar isto com um semblante feliz (emoção). Outros exemplos de Seu poder de transformação são vistos quando o sistema de valores de uma pessoa muda de uma posição a favor do aborto para contra o aborto ou quando os desejos de uma pessoa são mudados através do tempo a tal ponto que o comportamento que a viciava é superado. Convicções, consciência e comportamento piedosos são criados através de uma mente renovada.

     O Espírito é essencial para transformar-nos porque somos incapazes de efetuar qualquer mudança sozinhos. Como exemplo, considere nosso caráter, o qual vem das profundidades e dos recessos de nosso ser. Nosso caráter é diferente da nossa personalidade, nossa personalidade é nossa manifestação externa ao mundo em torno de nós. Nosso caráter olha para dentro, sente nossas mágoas e alegrias, organiza o nosso sistema interno de valores e motivações. O caráter é a fundação em cima do que nossa personalidade age. Nosso caráter tem algumas necessidades muito básicas, e estas necessidades geralmente são estabelecidas cedo na vida e são baseadas nas nossas primeiras e mais primitivas experiências. A palavra usada para caráter significava originalmente: "esculpir, gravar, raspar, ou cortar sulcos." Abrange as impressões mais profundas (sulcos) em nossa pessoa e estes sulcos não são mudados facilmente. Para a maio­ria das pessoas, estas impressões formadas cedo nas suas vidas – são gravadas permanentemente em seu ser. Aqueles sulcos que têm algum erro são 'as cicatrizes da vida' que causam muitos problemas de saúde mental nas pessoas a vida inteira. Necessitamos da ajuda Divina para removê-los (quando são contrários à vontade de Deus). É como apagar os arranhões de um disco fonográfico ou CD, impossível para nós, fácil para Ele. Se for feito através do auto-esforço nós somente "tiramos a casca" e criamos cicatrizes permanentes. Precisamos depender Dele para Ele fazer-nos novos de dentro para fora para remover os sulcos e para apagar as cicatrizes do passado; se não, elas nos controlarão e seremos cativos delas o resto de nossas vidas.

PREPARE-SE PARA A VIAGEM

     A viagem de transformação dura a vida toda, não é necessariamente fácil e tem as suas frustrações. É a viagem que Ele planejou e conduzirá, vai a lugares que nós não sabíamos que existiam. Nenhum de nós jamais poderia ter sonhado sobre uma viagem dessas.

A.  Aceite os Espinhos:  Lembre-se da história do menino e da crisálida; o esforço é um meio para o crescimento se quisermos amadurecer. Deus usa as lutas e tribulações para nos amadurecer; precisamos carregar a Sua cruz. Aceite o fato de que haverá muitos desencorajamentos e até dúvidas, mas não os permita de lhe impedir de crescer mais.

B. Antecipe o Avanço Espiritual: Filipenses 3:15-16. Permita que seu nível de alcance espiritual seja seu guia para um avanço adicional, mas não fique preso a um nível e pense que você não pode amadurecer mais. Suas imperfeições serão reveladas pelo Espírito Santo de modo que você possa continuar a crescer e estar mais completo (não sem pecado, mas um crente bem equilibrado). O assunto é maturidade versus infância; Deus quer transformar-nos con­ti­nuamente para conformarmos mais e mais a Cristo.

C. Regozije no Toque do Refinador: Deus ama-o do jeito que é, mas recusa-se a deixá-lo permanecer dessa maneira: Ele quer que você seja como Cristo. Nós amamos os bebês do jeito que são, mas paramos de amá-los quando enchem as fraldas? Não, esta é a natureza deles; queremos ajudá-los a crescer e recusamos deixá-los dessa maneira (II Cor.3:18). Não queremos ser bebês espirituais por muito tempo.

D. Nova Luz / Verdade Exige Mudanças: A transformação permite-nos aceitar mentalmente o conceito que o "culto racional" para nosso Senhor é apresentar nossos corpos como um sacrifício vivo, Romanos 12:1. Se você tiver que desistir de costumes antigos, hábitos ou vícios, Ele mudará primeiramente seus desejos e dar-lhe-á então a vontade para assim fazer – a mudança torna-se mais fácil do que originalmente se pensou. À medida que entregamo-nos a um modo de vida novo, tornar-se-á, com o tempo, um modo de vida natural. Mudança/sacrifício é o que Deus pede, e é um ministério do Espírito Santo que devemos tomar muito cuidado para não extinguir.

E. Estende-se Para Frente: Em Filipenses 3:1-14 Paulo usa a analogia de um corredor de corrida. A velocidade do corredor diminui quando olha para  aqueles atrás dele, e da mesma forma o progresso para a frente do crente é impedido se ficar preso no passado. O passado, se mau ou bom, pode prender-nos e impedir o avanço futuro. Esquecendo-se do passado significa não deixá-lo dominar as nossas emoções e vida atuais. Se as coisas já foram resolvidas com aqueles envolvidos, deveríamos esquecer-nos do passado e estender-nos para a frente, para as coisas que estão adiante, como um corredor inclina-se para a linha de chegada. Você não pode participar da corrida olhando para trás.

O RESULTADO DA TRANSFORMAÇÃO

      
     A transformação resulta em um andar e em uma intimidade mais próximos a Cristo. A intimidade permite que sejamos nós mesmos sem o medo da desaprovação. Assim, eu posso abrir o meu coração a Ele sem ter medo do Seu desapontamento e Ele pode derramar-Se em mim sem a minha resistência ou medo. Uma mente transformada deve pensar mais ou menos desta forma:

     Conforme o Senhor conduzir, desejo ter um relacionamento pessoal, íntimo com o Senhor – uma vida preenchida com uma finalidade dada por Deus. Que a minha intenção seja aquela de conhecê-Lo tão intimamente que tudo que eu penso ou tudo em que toco seja preenchido com a plenitude de Cristo. Além disso, que a minha paixão seja aquela de ter uma mente com a disposição e o desejo de acreditar e de buscar a semelhança de Cristo com todos os aspectos de meu ser. 

     A transformação cria o poder verdadeiro. O poder é produzido de dentro, atuando e fornecendo-nos com a habilidade de executar o que Ele deseja em nossas vidas. Enquanto Seu fruto começa a crescer em nossas mentes, nossas vidas demonstram mais e mais a semelhança de Cristo, e nossas vidas refletem o fruto de crescer na graça. Temos o poder para glorificar Deus.

AJUDA PRÁTICA

     Há um processo razoavelmente bem conhecido para chegar do pensamento de fazer algo a realmente fazê-lo. Primeiramente, temos o pensamento de fazer algo, este é o estágio conceptual que compreende a nossa vontade; ocorre em nossa mente. A etapa seguinte é transferir o pensamento da nossa mente para expressá-lo (falar em voz alta), isto expressa o nosso desejo aos outros e tem a tendência de estabelecê-lo em nosso coração. Uma vez que expressamos o nosso desejo então tentamos estabelecer a nossa intenção (o estágio de planejamento): respondendo as perguntas que, como, e quando, que ajudam a assegurar a concretização do objetivo. Então, o estágio final precisa ter uma paixão sobre fazer (ação) o que é necessário para observar o objetivo se transformar em um fato concretizado.

     Observe como isto é semelhante àquilo que Deus fez para nós para que pudéssemos estar "em Cristo" nesta época atual. Primeiramente, por Sua vontade desenvolveu o conceito em Sua mente (pensou em todos os aspectos possíveis antes da fundação do mundo), expressou o conceito (façamos o homem à nossa imagem), planejou o processo inteiro da morte de Cristo e a vida dali em diante (planejou até manter algumas coisas em segredo por um tempo) e finalmente colocou tudo em andamento e dirigiu a operação.  

     Cada etapa de maturidade conseguido pela transformação da mente ajuda a assegurar que as etapas seguintes do crescimento espiritual são de Deus na sua origem. A mente renovada pode então corretamente expressar o desejo, planejar para as mudanças e buscar entusiasmadamente o objetivo. Mas, com demasiada freqüência extinguimos o Espírito Santo (I Tessalonicenses 5:19) por encontrarmos desculpas para não permitir que o Espírito Santo trabalhe totalmente em nossas vidas, exemplo: "Todos os homens cobiçam", "O mau humor é característico da minha família", "Eu simplesmente não consigo amar meu conjugue". Como isto é triste, como é imperdoável! Ele ordena-nos a não ter este tipo de pensamento fixo e criou uma maneira que pode realizar a mudança necessária do próprio núcleo de nosso ser. O coração do Senhor deve doer pela pessoa que é salva há muitos anos e preferiu conservar a mente da velha natureza. Esta santidade comprometida é o precursor de uma vida comprometida, com menos impacto e serviço do que desejado. 

     Além de extinguir o Espírito Santo há uma outra maneira em que impedimos a transformação. Tem a ver com a maneira que vemos as coisas de modo geral, e, como vemos algo pode subconscientemente motivar a nossa intenção e paixão.

     Tem sido mostrado que temos os melhores resultados quando vemos uma situação do positivo, ao invés do negativo. Se visto do negativo, há freqüentemente uma ruptura no processo entre o Desejo e a Intenção. Deus põe o pensamento na mente, a pessoa traduz isto em um desejo, mas Satanás (ou o próprio ego) encontra uma maneira para que a obediência parcial pareça ser muito piedosa, e isto impede um avanço adicional. O exemplo abaixo ajudará a esclarecer isto.

     Uma pessoa diz: "Eu odeio ser tão bravo". Isto é enxergar uma área de preocupação da perspectiva negativa. O problema com este ponto de vista é que o desejo expressado precisa odiar a raiva, portanto, para que esta pessoa odeie ser brava, precisa estar brava. A intenção (plano) segue o desejo, assim o plano neste caso girará em torno de como odiar estar bravo. Infelizmente, a fim de continuar a odiar a própria raiva, uma pessoa precisa permanecer brava. Parece absurdo no início, mas tais pontos de vista inadvertida e subconscientemente preparam uma pessoa para o fracasso; neste caso, a pessoa tende a ficar preocupada em odiar a raiva ao invés de começar a superá-la. Podem encontrar conforto no fato de que odeiam o que Deus odeia, mas acabam sendo apenas parcialmente obedientes e não apropriam a provisão de Deus para a vitória. Uma pessoa tem que enxergar e afirmar seu desejo positivamente: "Com a ajuda de Deus, eu serei vagaroso em irritar-me." Uma vez que pensamos sobre todo o processo e expressamos que seremos vagarosos em nos irritar, então os planos para realizar isto podem começar e a pessoa pode entusiasmadamente praticar ser vagaroso em irritar-se.

     A pessoa acima precisa cooperação com o Senhor de minuto a minuto. A cooperação requer procurar por Escrituras que se aplicam à situação, confrontar a situação construtivamente, não tomar nenhuma medida para continuar a pecar, arrepender-se (imediatamente parar com o comportamento errado e reconhecer o pecado), e praticar substituir a raiva com as coisas notadas em Filipenses 4:8. Uma fórmula específica ou um método para se ter sucesso em superar cada área de problema não pode ser fornecido porque é a obra do Espírito Santo e pode ser diferente na vida de cada pessoa. O que funciona para um pode não funcionar para outro, este é o domínio Dele. Novamente, não há nenhum atalho e cada pessoa deve procurar nas Escrituras diariamente por ajuda e por discernimento, enquanto que também procura por pontos de resistência em sua vida que precisam ser trazidos à obediência ao Senhor.

Como se deve expressar um problema de mau gênio: "Eu não queria ter um temperamento ruim" ou "Eu serei longânimo"? E em relação a um relacionamento: "Te­mos diferenças irreconciliáveis" ou "Cristo pode fazer algo bonito brotar das cinzas do nosso casamento e eu farei disso a minha prioridade número um". Considere esta atitude para qualquer assunto, mesmo esta: estar acima do peso ideal.

     Há uma instrução para ser aprendida no paradoxo (expressão que se contradiz), "Senhor, me dê paciência e me dê agora." A oração sozinha não produzirá a paciência. A oração junto com uma mente disposta e a obediência à Sua Palavra a produzirá. No mesmo momento em que sentimos a impaciência ocorrendo devemos cortá-la, "e não tenhais cuidado da carne" (Ro­manos 13:14) e substituí-la com o comportamento apropriado. Isto pode exigir um pouco de sofrimento da nossa parte; mas lembre-se que Romanos 5:3 indica que a tribulação (sofrimento) conduz à paciência, a qual conduz à experiência (formação do caráter) e isto à esperança. Portanto, quando procuramos a paciência provavelmente experimentaremos o sofrimento e ganharemos experiência no processo. A transformação é o processo de iniciar  uma jornada com o Espírito Santo, caminhando por avenidas secretas inexploradas das nossas vidas, descendo trilhas que nunca soubemos que existiam e realizando o impossível. Aprendemos que é uma jornada baseada na obediência, confiança e a dependência Nele.

CONCLUSÃO

     A primeira etapa no plano de Deus para fazer-nos inteiros é a nossa salvação. A salvação fornece as necessidades espirituais mais profundas que uma pessoa tem; estas são as bênçãos espirituais de Efésios 1:4 a 2:6. Embora recebemos estas bênçãos no momento da salvação, é necessário a obra do Espírito Santo por toda a nossa vida para ajudar-nos a compreendê-las e apreciá-las. A ajuda destas bênçãos apaga a insegurança, sentimentos de inutilidade e a falta de esperança, substituindo-os com o conforto e a segurança de Cristo.

     A etapa seguinte em fazer-nos inteiros (mente sã) é nossa transformação. Uma onça não pode mudar suas pintas, pelo contrário, um crente deve. Temos o poder divino para mudar as pintas (assuntos do núcleo) da nossa vida. Dizer: "Eu não tenho culpa de ser quem eu sou," não é verdade. O crente tem o Espírito Santo dentro dele, portanto, o assunto não é quem você é, mas quem Ele é. Ele determina quem você pode ser. Em todos os estágios de nossa vida, não importa a nossa idade, o Senhor tem uma obra para realizar; o assunto é se estamos dispostos a submeter-nos e cooperar. Já foi dito que há dois lados para cada pessoa, um minuto pode ser carinhosa e encantadora e no minuto seguinte explosiva, estourando de raiva para com uma outra pessoa; isto não precisa ser o caso do crente.

     A transformação é realizada através da renovação da mente, e enquanto Ele renova as nossas mentes o fruto do Espírito Santo é produzido em nossa vida – lenta mas certamente substituindo as atitudes e características do nosso caráter que pertencem à velha natureza. Então, quando formos apertados pelas tribulações da vida demonstramos amor, alegria, paz, e longanimidade, indicativos de Cristo em nós. Um hino popular refere-se a nós como sendo vermes antes da nossa salvação; podemos ter sido um verme naquela época, mas o ministério do Senhor está nos mudando de vermes para criaturas lindas de grande valor.

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