A ORIGEM DA NATUREZA DO HOMEM

 

     Continuando o estudo do Homem e da sua natureza, queremos ver como Deus criou o homem e porque ele necessita receber uma nova natureza.

 

     Há pouca diferença de opiniões quanto à origem do corpo humano, desde a criação do primeiro homem. O corpo do homem é reproduzido segundo as leis bem estabelecidas da genética pelo processo da procriação. A origem da parte imaterial do homem, se considerada  como uma ou duas substâncias distintas, não é tão evidente. Várias teorias têm sido propostas:

 

Preexistência

 

     Esta teoria sustenta que as almas já tinham uma existência anterior e que no nascimento a alma é encarnada em um novo corpo humano. Esta é a idéia básica da crença da reencarnação. Certos filósofos têm sustentado esta opinião para tentar explicar as idéias que a alma parece possuir e que não foram adquiridas das experiências sensitivas; também, para explicar a disparidade das condições sob as quais os homens vieram ao mundo. As Escrituras não dão nenhum apoio para quaisquer dessas teorias. Além do fato de que o homem não tem nenhuma m

 

ma lembrança de uma existência anterior, a qual ele deveria ter se esta teoria fosse verdadeira, esse conceito é contrário ao que as Escrituras ensinam sobre a criação do homem e a imputação do pecado de Adão à raça humana.

 

Criação

 

     Este ponto de vista diz que a alma do homem é a criação imediata de Deus; o que significa que, em algum lugar, entre a concepção e o nascimento, Deus cria uma nova alma e a coloca dentro de um corpo. Portanto,     apenas o corpo veio dos pais. Os Tricotomistas (que dividem em três partes) que apóiam esta teoria, poderiam dizer que a alma animal também é propagada dos pais e que o espírito é a criação direta de Deus. De qualquer modo, esta teoria precisa negar a herança de quaisquer características psicológicas ou espirituais dos pais. Esta teoria tem sido sustentada pela maioria dos teólogos Católicos Romanos e Reformados.

 

     A objeção mais evidente ao Criacionismo da alma é que ela representa Deus como o criador de almas pecadoras, pois é evidente que todos nasceram pecadores. Esta objeção foi respondida de três maneiras, ou dizendo que as crianças que nascem no mundo são puras e incontaminadas pelo pecado, ou que as almas novas e puras e se tornam contaminadas pelo pecado assim que são juntadas ao corpo pecaminoso, ou pela adoção da crença básica da Teologia da Aliança. Esta teologia afirma que Deus fez um aliança com Adão antes da queda, no sentido que Adão foi apontado como o representante da raça humana, de modo que, se ele obedecesse a Deus, esta obediência seria imputada em todos os seus descendentes. Mas, se ele desobedecesse, então esse pecado seria imposto a todos os seus filhos. Então, com base no fato que Adão é a Cabeça Federal da raça, Deus é representado como o Criador de cada nova alma, pura e justa, mas imediatamente imputa o pecado de Adão a ela, de acordo com a aliança. Como não há base nas Escrituras para tal aliança de obras já feitas, o Criacionismo da alma e a Teologia da Aliança são aqui rejeitados por não se basearem nas Escrituras.

 

Traducianismo

 

     Esta teoria diz que a pessoa toda, corpo, alma e espírito, é transmitida dos pais para o filho. Isto envolve a idéia de que toda a raça humana foi potencialmente criada em Adão, de modo que o pecado de Adão era um pecado de raça, e todos nós na verdade pecamos em Adão, e não simplesmente que Adão agiu como o nosso representante quando pecou. Nós aceitamos esta teoria como sendo o ensinamento das Escrituras, pelas seguintes razões:

 

     1) Está de acordo com o princípio geral inerente em toda obra criativa de Deus: cada espécie se reproduz segundo a sua própria espécie. Deus não cria toda planta e animal que entram na existência hoje. Eles são propagados por semente, e assim é o homem. Por esta razão, o Traducionismo, faz de Adão A CABEÇA SEMINAL da raça humana.

 

     2) Está registrado somente uma vez que Deus soprou nas narinas do homem o fôlego da vida, mas, de acordo com o Criacionismo, Deus está constantemente engajado nesta atividade, uma vez que milhares de crianças nascem a cada dia. A Bíblia ensina que Deus cessou o Seu trabalho criativo, mas o Criacionismo diz que Ele continua numa proporção sempre maior.

 

     3) Esta teoria está de acordo com o princípio estabelecido em Hebreus 7:5-10. Lá, é declarado que Levi, o bisneto de Abraão, pagou dízimos a Melquisedeque na pessoa de Abraão: "Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai, quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro." Isto implica que havia mais do que o corpo potencial de Levi em Abraão.

 

     4) O Traducionismo ensina que a alma é herdada dos pais junto com o corpo e está mais de acordo com os ensinamentos de Paulo em Romanos 5:12. O pecado de Adão era na verdade o nosso pecado. O Traducionismo dá uma explicação melhor da natureza pecaminosa do homem e do pecado imputado do que o Criacionismo. O Traducionismo tira de Deus a suposta responsabilidade de criar almas pecaminosas, ou de corromper almas sem pecados tão logo são postas em corpos humanos.

 

     5) Os Criacionistas argumentam que o traducionismo não pode explicar as diferenças entre filhos e pais, cujas diferenças eles acham que são melhor explicadas considerando-se a alma de cada filho como uma criação especial. Entretanto, o Traducionismo permite uma Providência superintendente na geração de uma nova criança que pode explicar este nascimento de um prodígio. E mais, quando se considera o número quase infinito de genes que compreende o mecanismo de herança do homem, e o fato de que estes vieram de centenas de gerações, há lugar para uma quase infinita variação de traços humanos. O problema principal do Traducionismo é explicar como os genes podem determinar ou controlar a natureza imaterial do homem. Contudo, ninguém foi capaz de explicar ainda satisfatoriamente como a mente pode controlar a matéria e a matéria afeta a mente. Os criacionistas têm o mesmo problema.

 

AS FACULDADES MORAIS DO HOMEM

 

     Até agora consideramos o significado da criação do homem à imagem de Deus, dos elementos psicológicos da sua natureza, da origem destes elementos, e finalmente vamos considerar as faculdades da sua natureza moral, aqueles poderes que o capacitam para a ação do certo ou errado. Estas faculdades, que geralmente aceitam-se, são: o intelecto, a sensibilidade, e a vontade, junto com uma atividade na qual todas as três faculdades concordam, a da consciência. Vamos tratar aqui somente as atividades morais destas faculdades, que dizem respeito principalmente à consciência e à vontade. Thiessen estabelece a inter-relação destas faculdades:

 

     "O intelecto capacita o homem a discernir entre o que é certo e errado; a sensibilidade requer que ele faça ou uma ou outra coisa; e a vontade decide o assunto. Mas, em conexão com este poder, está um outro, que envolve todos, e sem o qual não haveria nenhuma ação moral. Trata-se da consciência. Ela aplica a lei moral a nós em casos particulares e induza submissão a ela."

 

Consciência

 

     Definição. A consciência é um CONHECIMENTO COM ou um CONHECIMENTO ACOMPANHADO. É um conhecimento ou julgamento de nossos atos e posiçõesmorais à luz de um padrão ou lei estabelecidos. A palavra é usada 32 vezes no Novo Testamento, e nenhuma vez no Velho Testamento. A consciência é expressa de outros modos no Velho Testamento. Por exemplo, depois de Davi ter pecado ao numerar os filhos de Israel, nós lemos: "E O CORAÇÃO DOEU A DAVI" (II Sm.24:10).

 

     A Dispensação da Consciência. Os Dispensacionalistas geralmente designam  a segunda dispensação por este nome, embora a palavra consciência não seja nem usada em Gênesis. Parece que a consciência estava dormente no homem até ele cometer o primeiro ato de pecado. A lei foi dada por Deus para não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, mas enquanto o homem permaneceu em um estado de inocência, não experimentou o conhecimento do mal. Quando ele pecou, sua consciência condenou a sua ação e ele se escondeu de Deus.

 

Tipos de Consciência

 

1) "...TENDO O CORAÇÃO PURIFICADO DA MÁ CONSCIÊNCIA..." (Hb.10:22).

 

2) "...ANTES O SEU ENTENDIMENTO E A SUA CONSCIÊNCIA ESTÃO CONTAMINADOS" (Tt.1:15).

 

3) "...E FERINDO A SUA FRACA CONSCIÊNCIA" (I Co.8:7,12).

 

4) "...TENHO ANDADO DE DEUS COM TODA A BOA CONSCIÊNCIA" (At.23:1; cf. I Tm.1:5,19; Hb. 13:18; I Pe.3:16,21).

 

5) "...GUARDANDO O MISTÉRIO DA FÉ NUMA PURA CONSCIÊNCIA" (I Tm.3:9).

 

A Obra da Consciência

1) Convencer: "...acusados (grego: convencidos) DA CONSCIÊNCIA..." (Jo.8:9).

 

2) Testifica: "...TESTIFICANDO JUNTAMENTE A SUA CONSCIÊNCIA..." (Rm.2:15);

 

"...NÃO MINTO (DANDO-ME TESTEMUNHO A MINHA CONSCIÊNCIA..." (Rm.9:1).

 

A Consciência Sob a Lei

 

     1) Imperfeita: O ministrar da Velha Aliança "...EM QUE SE OFERECEM DONS E SACRIFÍCIOS QUE, QUANTO À CONSCIÊNCIA, NÃO PODEM APERFEIÇOAR AQUELE QUE FAZ O SERVIÇO" (Hb.9:9).

 

     2) A Consciência do Pecado:  O fato dos sacrifícios de Israel não serem capazes de tirar os pecados, e portanto terem que ser repetidos continuamente, é tido como prova de que o povo ainda tinha consciência do pecado. "...PORQUE, PURIFICADOS UMA VEZ OS MINISTRANTES, NUNCA MAIS TERIAM CONSCIÊNCIA DE PECADO. NESSES SACRIFÍCIOS, PORÉM, CADA ANO SE FAZ COMEMORAÇÃO DOS PECADOS..." (Hb.10:2-3).

 

     A Mudança da Consciência na Salvação. "...QUANTO MAIS O SANGUE DE CRISTO... PURIFICARÁ AS VOSSAS CONSCIÊNCIAS DAS OBRAS MORTAS, PARA SERVIRDES AO DEUS VIVO..." (Hb.9:14).

 

 

"CHEGUEMO-NOS COM VERDADEIRO CORAÇÃO, EM INTEIRA CERTEZA DE FÉ, TENDO OS CORAÇÕES PURIFICADOS DA MÁ CONSCIÊNCIA..." (Hb.10:22). O sacrifício definitivo de Cristo realmente tirou os pecados e a fé nesta obra portanto, tira a consciência dos pecados. Isto não significa que o crente não experimenta mais a consciência do pecado quando ele o comete, mas a questão do pecado foi para sempre resolvida pela morte de Cristo, de maneira que o crente agora pode ficar na presença de Deus completamente limpo de toda implicação do pecado.

 

     As Escrituras têm muito a dizer sobre a consciência e a vontade. Em nosso próximo estudo veremos este assunto, se podemos identificar a diferença entre estas duas partes da composição do homem.

por Pastor Marvin Duncan

 

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